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Albert Camus: o centenário de um pensador livre

Por Maya Santana

O escritor Albert Camus passou 48 dias no Brasil, em 1949

O reverenciado pensador passou 48 dias no Brasil, em 1949

Aqui está uma seleção de bons artigos saudando o centenário do grande pensador franco-argelino Albert Camus (1913-1960), morto em um acidente de carro, no auge da carreira, aos 47 anos. Uma excelente leitura nestes tempos de tantos protestos de rua – aqui e lá fora. Entre os artigos, há um que conta a passagem de Camus por algumas cidades brasileiras, em 1949. Ao final de 48 dias no país, impressionado com os nossos contrastes sociais e com a violência no trânsito – “Os motoristas brasileiros ou são alegres loucos ou frios sádicos” -, o escritor definiu o Brasil como o “país da indiferença e da exaltação”.

Albert Camus é essencial. Os artigos são um estímulo à leitura de sua obra. Leia:

O centenário de nascimento, na maioria das vezes, serve como data comemorativa para relembrar os feitos de um personagem mais ou menos ausente do cotidiano. No caso de Albert Camus, nascido em 7 de novembro de 1913, a efeméride apenas concentra uma presença que tem se mantido constante ao longo de décadas. O autor de “O estrangeiro” e “A peste”, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1957, é um dos campeões de vendas de livros na França e tema onipresente nos programas escolares do país.

Celebrado também no exterior, o Camus que rejeitava o rótulo de moderno e o status de filósofo é hoje definido como um pensador “contemporâneo” e “universal”, constantemente solicitado como fonte na busca de sentido para um mundo em crise de ideologias. Neste início de século XXI, seu conceito de revolta, considerado por muitos como a chave de seu pensamento, conecta-se com ideias dos movimentos dos Indignados e Ocupem Wall Street (deflagrados na Espanha e nos Estados Unidos, respectivamente), de manifestantes nas praças do Egito ou da Turquia e de jovens que têm saído às ruas em protesto no Brasil.

As ideias de Camus têm sido recuperadas politicamente pelos campos da direita e da esquerda, citadas na França tanto pelo ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, que sugeriu a transferência de seus restos mortais para o Panteão, como pelo socialista François Hollande, atual mandatário do país. Apontado como um incompreendido em sua época, marcado por suas polêmicas opiniões sobre a guerra de independência da Argélia, sua terra natal, e pelas divergências com o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), o romancista, dramaturgo e ensaísta Albert Camus, morto prematuramente aos 46 anos em um acidente de carro, em 4 de janeiro de 1960, não cessa de ser lido, debatido e redescoberto.

Crítico do capitalismo ocidental e do comunismo do bloco soviético, Camus sofreu ataques intelectuais de ambos os lados, sem jamais deixar-se influenciar. Essa seria uma das razões de seu sucesso hoje, defende Agnès Spiquel, presidente da Sociedade de Estudos Camusianos e colaboradora da edição das obras completas do pensador na célebre coleção Pléiade, da editora Gallimard.

– Descobrimos nele um espírito livre, que não se deixou aprisionar pelo debate ideológico. Um debate que hoje, com suas etiquetas prontas, não responde mais às exigências de nossa época. Na condenação de todos os totalitarismos, de Leste a Oeste, ele se recusou a ser reduzido a estereótipos. Por renegar a lógica de clãs, ele fala bastante ao mundo de hoje e atrai as pessoas. O reverso da moeda é que todo mundo pensa que pode utilizá-lo a seu favor – diz Spiquel. Clique aqui para ler mais.

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