fbpx

Alimento orgânico: é bom, legal e não engorda

Por Maya Santana
Produtos orgânicos: Já existe até o movimento Comer Bem é Tudo de Bom

Produtos orgânicos: Já existe até o movimento Comer Bem é Tudo de Bom

Há pouco tempo, a Anvisa divulgou um relatório que deixou alarmados os brasileiros preocupados com a alimentação que consomem. Segundo o órgão, estamos comendo frutas, legumes, verduras e grãos envenenados, por causa do excesso de agrotóxico utilizado no seu cultivo. Agora, leio esta ótima crônica publicada em O Globo por Zuenir Ventura, sobre o crescimento do consumo de orgânicos no país.

Leia:

Em meio a tanta notícia ruim, algumas repetitivas, como os malfeitos na política, achei pelo menos uma boa. Parece que não está mais vigorando o princípio cantado por Roberto Carlos de que o que é bom é ilegal, imoral ou engorda. Já existe até o movimento Comer Bem é Tudo de Bom. Uma pesquisa acaba de revelar que, mesmo com a crise econômica, o setor de alimentação no Brasil está crescendo graças aos alimentos saudáveis. Já é o quarto mercado no mundo.

Estamos preferindo os produtos que não fazem mal à saúde. “Estamos” é um certo exagero, porque, de minha parte, ainda não me livrei das tentações doces e salgadas, principalmente estas últimas. Como salada todo dia, mas não pela alface e o tomate, mas pelo azeite e o sal. De maneira geral, porém, os números indicam que o consumidor brasileiro fez cortes radicais na sua dieta alimentar. Diminuiu drasticamente o uso do sal e do açúcar; os que têm intolerância ao glúten cortaram definitivamente a proteína que se encontra no trigo, centeio e cevada. E tudo isso regado por sucos detox, que eliminam as toxinas, promovendo uma limpeza interna.

Leia também:
Por que o número de caso de câncer cresce tanto

Mas a grande novidade para mim é a moda dos produtos orgânicos, ou melhor, a voracidade com que eles estão sendo consumidos, apesar de serem mais caros. Hoje, até o nosso suculento feijão com arroz, um prato básico, pode ser feito com arroz integral e feijão orgânico. Um dos precursores dessa agricultura entre nós foi o ator Marcos Palmeira, na sua fazenda na Serra Fluminense. Mesmo antes de comercializar seus produtos, como faz agora, ele nunca usou adubos químicos, pesticidas, nada enfim de agrotóxico.

A graça é que ele foi criado ouvindo em casa dos pais, Vera de Paula e Zelito Vianna, as discussões de intelectuais orgânicos brasileiros, como Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder. Eles pertenciam a essa categoria, criada pelo filósofo italiano Antonio Gramsci, a dos pensadores que punham a inteligência e o saber a serviço da classe trabalhadora, ajudando-a a desenvolver sua consciência crítica. Com perdão do infame trocadilho, ali era um canteiro onde germinavam as ideias de um socialismo que considerava a democracia como valor universal.

Curiosa a trajetória de certas palavras, que, como seres vivos, nascem, morrem ou se transformam. Nos anos 60, “orgânicos” eram os intelectuais; hoje, são os produtos.

close

Inscreva-se para receber conteúdo incrível em sua caixa de entrada, todas as semanas

Prometemos que nunca enviaremos spam! Leia nossa Política de privacidade para mais detalhes.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais