Amigo ajuda cadeirante a fazer Caminho de Santiago

Por Maya Santana
Justin Skeesuck e Patrick  Gray levaram cinco semanas e meia para concluir o Caminho

Patrick Gray (de pé) e Justin Skeesuck levaram cinco semanas e meia

Maya Santana

Esta é uma história de amor. História de uma profunda amizade ligando dois amigos de infância. Justin Skeesuck e Patrick Gray têm a mesma idade, 39 anos, nasceram com um dia de diferença, numa pequena cidade do estado de Oregon, no oeste dos Estados Unidos. Cresceram juntos, um foi padrinho do casamento do outro, moram perto e tiveram até o mesmo número de filhos, três.

Por isso, quando Justin, que precisa de cadeiras de rodas para se locomover, disse que gostaria de percorrer os 800 km do Caminho de Santiago de Compostela, Patrick respondeu de pronto: “Eu empurro você.” O lendário Caminho, celebrado pelo escritor Ernest Hemingway, há séculos vem sendo percorrido por peregrinos, inclusive aqueles com mais de 60 anos, que somam 15% do total dos que se aventuram anualmente pela antiga rota.

Segundo Patrick, apesar de ser um viajante experiente, acostumado a aventuras, jamais imaginou que encontrariam tanta dificuldade para vencer o extenso percurso. “ Foi uma coisa insana”, disse ele ao jornal Today. “Mas provamos que, mesmo tendo nossos limites, nada é impossível”.

Os dois com uma amiga em pleno Caminho, contemplando o amanhecer

Com uma amiga, em pleno Caminho, contemplando o amanhecer

Justin era design gráfico e tinha um ótimo emprego até ser acometido por uma doença autoimune, provocada por um acidente de carro, que o impede de ficar de pé, de caminhar e, mais recentemente, até de mexer com a parte superior do corpo. As restrições dos movimentos vêm do fato de a doença atacar o sistema nervoso. Há dois anos, quando perdeu os movimentos dos braços e das mãos, ele entrou em depressão.

Foi ouvindo uma reportagem sobre o Caminho de Santiago de Compostela numa rádio que Justin teve a ideia de percorrê-lo, com a valiosa ajuda do amigo. A primeira coisa que fizeram foi criar um site – illpushyou – , pois queriam arrecadar fundos para levar adiante o projeto e também para comprar um trailer, onde Justin poderia fazer palestras, conversar com as pessoas sobre a sua doença. Queriam levar ainda uma equipe composta de quatro profissionais para fazer um documentário sobre a experiência.

A viagem, iniciada em junho, durou cinco semanas e meia. Terminou na praça central da cidade de Santiago de Compostela, no dia 12 do mês passado. Eles contaram que a pior parte da peregrinação foi quando cruzaram a França pelos Pirineus (cadeia de montanhas) e entraram na Espanha. Uma subida muito íngreme no meio das pedras, de cerca de 15 km, quase matou de cansaço Patrick e um outro amigo, que foi para ajudar nos primeiros dias.

Ao longo da caminhada,  eles receberam ajuda de muita gente

Ao longo da caminhada, eles receberam ajuda de muita gente

Chegou num ponto, que tiveram que carregar Justin por uma boa distância. Depois, o caminho estava cheio de lama. “Foi horrível, a experiência mais dura da minha vida, em termos físicos, mentais e emocionais”, relatou Patrick. E quando pensavam que o pior havia passado, a roda da frente se desprendeu da cadeira. Com a ajuda de uma família espanhola, conseguiram fixar a roda em Pamplona e voltar para continuar a caminhada.

Leia também:
O Caminho de Santiago para quem tem mais de 50 anos

Tanto Patrick como Justin ficaram impressionados com o grau de solidariedade das pessoas que encontraram pelo caminho. “Nossa jornada mostrou que, se você tem fé, com a ajuda da comunidade e o amor das pessoas, coisas impressionantes podem acontecer”, comentou Justin.

O mais emocionante foi a chegada à praça central de Santiago de Compostela, extenuados depois de cinco semanas e meia de aventura. Lá estavam não só as mulheres dos dois, como centenas de pessoas, muitas das quais nunca tinham visto antes. Todos lá, aplaudindo e celebrando. Emocionado, Justin contou que, quando avistou a mulher, “foi como se eu tivesse reencontrado a minha alma.” Agora, trabalham para lançar no ano que o documentário retratando toda a jornada, que deve ter como título de “Eu Empurro Você” (I’ll Push You).


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4 Comentários

Mochileiro Aprendiz Aventureiro 31 de agosto de 2014 - 20:28

Ótimo exemplo!

Pés e cabeça na estrada!

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WALMIR SILVA RAMOS 25 de agosto de 2014 - 19:56

Por mais bem escrito que fosse, não teria como expressar o significado dessa empreitada desses dois amigos. Meus sinceros parabéns para eles, e que sirva de exemplo no sentido do humanitarismo e do esforço pacífico desses exemplares cidadãos. Viva a PAZ, e a harmonia entre os homens de bem. Que esse gesto contamine muita gente.

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everailde silva 24 de agosto de 2014 - 23:45

Emocionante ! Isto prova , apesar de tantas guerras, tanta violÊncia, que nem tudo está perdido! AINDA RESTA UMA ESPERANÇA !

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Antonio f reis 24 de agosto de 2014 - 01:29

Emocionante e eh assim que todos deveriamos nos comportar bjs…..

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