'Amo Zeca Pagodinho, mas não deixo a vida me levar'

Por Maya Santana

Aos 56 anos, Cissa Guimarães tem sua primeira experiência como produtora

Aos 56 anos, Cissa Guimarães tem sua primeira experiência como produtora


Ela é ariana. Não gosta de maquiagem, toma Coca-Cola normal, não dispensa um bom vinho, tem amigas de 20 a 70 anos e só vai à praia no finalzinho da tarde, quando o sol está quase se pondo. Também é devota de Santa Clara, está sempre com a medalha de Nossa Senhora Aparecida no pescoço, medita todos os dias, acende vela para seu anjo da guarda, conversa com Preto Velho e, quando entra no mar, pede licença para Iemanjá. “Sou ecumênica”, diz. Não passou pela crise dos 40, tampouco dos 50 anos. Como? Ela mesma explica: “Amo Zeca Pagodinho, mas não deixo a vida me levar, não”.
Aos 56 anos, a apresentadora e atriz carioca Cissa Guimarães rejeita rótulos. Principalmente aqueles que a tratam como exemplo de superação – por causa da morte do filho, Rafael Mascarenhas, em 2010. Ele foi atropelado quando andava de skate no Túnel Acústico, na Gávea, no Rio. “Detesto isso. Realmente me irrita. Primeiro, porque não sou exemplo. Segundo, não superei e nunca vou superar”, afirma. Mas ela não se entregou à dor. “Apenas aceitei que ela estará aqui para sempre e abri um espaço à felicidade.” E, mesmo sabendo que nunca mais será “100% feliz”, faz o possível para seu coração bater “o mais forte que puder, mesmo que seja de muletas”.
Cissa quer, agora, levar sua experiência para a TV e ouvir as mães – não só as que perderam seus filhos. Apresentou ao Fantástico, dominical da Globo, o projeto de um quadro chamado Mães Coragem. Enquanto não recebe a resposta, ela se prepara para mais uma temporada do programa Viver com Fé, do GNT. Dizendo-se “muito plena e feliz”, recebeu a coluna na véspera da estreia da peça Doidas e Santas – sua primeira experiência como produtora – em São Paulo.  A seguir, os melhores momentos da conversa.
Essa é a primeira peça que você produz. Quando teve a ideia de fazer isso?
Cissa Guimarães –
Comecei a perceber uma repetição do perfil das personagens que eu vinha fazendo. O rótulo que estavam me colocando – e que eu permiti que me fosse colocado – era o da mulher extrovertida, engraçada. Daí, veio um desejo de fazer outra coisa. Paralelamente a isso, estava chegando aos meus 50 anos. E me pegava, em vários momentos, emocionada comigo mesma. Com todos os trabalhos que tinha feito até ali, com os meus filhos, com as minhas vitórias, com os meus fracassos. Estava me dando conta de como a maturidade está ficando muito bonita, com uma beleza mais consistente, que não é óbvia, que não é só do corpo, do rosto. É uma beleza que tem uma história.
Sem crises?
Cissa Guimarães –
Alguns chamam este momento de “crise dos 50”, mas eu enxergo de maneira diferente. As pessoas tendem a relacionar crise a coisas ruins, mas as vejo como movimentos. E todo movimento é bom. A coisa estática me irrita profundamente. Sou ariana, sou agitada. Gosto de ficar inquieta. O que mais detesto é quando dizem “não tem jeito”. Lógico que tem! Só não tem jeito a morte mesmo – e isso eu sei de cadeira. O resto tem! Leia mais em estadão.com.br


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