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Androginia como reação à overdose de feminilidade

Por Maya Santana

desfiles de Balmain (azul e amarelo estampado) e da Hermès (vermelho): um certo apelo andrógino

Balmain (azul e amarelo estampado) e Hermès (vermelho): certo apelo andrógino

A moda feminina flerta com o vestuário masculino desde a primeira década do  século XX. A diferença daquela época para os dias de hoje é que mulher nenhuma  precisa despir o espartilho e vestir calça comprida para se fazer respeitar. Se  antes, por ocasião da Primeira Guerra, foi preciso enxugar os excessos do  vestuário da Belle Époque em nome de um novo papel social, hoje o visual à la  garçonne soa mais como fetiche.

Os sinais vêm surgindo desde a temporada de primavera 2013, no Hemisfério  Norte, reforçada por coleções como as da Hermès, da Louis Vuitton e da Balmain.  A coleção de Olivier Rousteing para a Balmain, por exemplo, trouxe de volta a  estética do final dos anos 80 e início dos 90, com calças de cintura alta e  casacos com ombros largos. A silhueta “triângulo invertido” é tipicamente  masculina e surge toda vez que é preciso transmitir a ideia de força e poder.

A  androginia da coleção da Louis Vuitton se expressa mais pelo visual das modelos,  que faz lembrar a manequim-ícone dos anos 60, a inglesa Twiggy. A coleção, de  linhas retas e estampas gráficas, mascara qualquer voluptuosidade. Já a maison  Hermès redesenhou os símbolos do guarda-roupa masculino – como coletes e  suspensórios – e colocou as mulheres de gravata. Essa onda que invade o mundo da  moda, que muitos chamam de “novo minimalismo” vem se contrapor à overdose de  feminilidade virginal dos últimos tempos, coroada pelo best-seller “50 Tons de  Cinza”.

Nesta semana, o desfile de outono 2013 do estilista Phillip Lim, apresentado  em Semana de Moda de Nova York, colocou mais lenha nessa fogueira de vaidades. A  coleção, com tons fechados e outonais, além de muita sobreposição, trouxe à  passarela mulheres vestidas de bikers, motoqueiras e andarilhas. O visual  proposto por ele – feito com muito couro – é jovem e rebelde na medida certa  para uma cliente que deseja mais ação e menos sedução.

No Brasil, a marca que melhor se encaixou no novo momento que se anuncia na  moda feminina foi a UMA, da estilista Raquel Davidowicz. Em sua coleção de  inverno 2013, a marca reforçou com tons escuros, alfaiataria desestruturada e  jogo de texturas o seu apreço pelo minimalismo e pela austeridade. A coleção  mostrou um viés revigorado dessa estética. Continua em http://migre.me/dfyWt

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