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Aos 102, empresário trabalha, dirige e é craque no computador

Por Maya Santana

Fernando Cardoso, fundador  da Manah, fábrica de adubos, é apaixonado pela internet

Fernando Cardoso, fundador da Manah, fábrica de adubos, é apaixonado por um computador

Eu tenho sempre a mais profunda admiração por pessoas de idade avançada que levam uma vida ativa, continuam trabalhando, apesar das dificuldades impostas pelo tempo. Foi a minha querida amiga Elza Cataldo quem chamou a minha atenção para este artigo sobre Fernando Penteado Cardoso, fundador da fabricante de adubos Manah, que chegou ao segundo lugar entre as maiores empresas do ramo no Brasil. Aos 102 anos, esse homem surpreendente manuseia computador como um jovem, faz ginástica, divide as tardes de trabalho no escritório com os filhos e, nos finais de semana, percorre a fazenda da família, de preeferência a pé. É ou não é fantástico? Eu, com meus meros 65, 37 anos a menos do que ele, talvez não tenha a mesma vitalidade. Acredito que quanto mais a gente faz, mais e melhor a gente vive. Por isso, aplaudo de pé.

Leia o artigo de Ana Estela de Sousa Pinto sobre o empresário publicado pela Folha:

No último dia 19, ele completou 102 anos. Acordou, leu jornais pela internet, respondeu a e-mails e checou estatísticas da fazenda. Vestiu-se e tomou café no apartamento em que mora, sozinho, em um residencial para idosos no Alto de Pinheiros (zona oeste de SP).

A festa de aniversário foi num bufê infantil para acomodar seus 38 bisnetos (mais 20 netos, 6 filhos e 27 consortes). Dias depois voou para Mato Grosso e foi pescar dourados no rio Corumbá. Pegou três de “um tamanhozinho bom”, 5kg e 7 kg. “Já cheguei a pescar mais de 30. Mas pescaria é como roleta, nem sempre a isca cai perto do peixe”, diz Fernando Penteado Cardoso, que fundou a fábrica de adubos Manah nos anos de 1940, vendeu-a em 2000 para a multinacional Bunge e hoje administra os canaviais “e um pouco de gado” de sua propriedade.

Todas as tardes, divide o escritório com os filhos

O empresário percorre a fazenda da família nos finais de semana

O engenheiro agrônomo virou industrial por culpa da Segunda Guerra Mundial. O bloqueio naval do Atlântico impedia a chegada de fertilizantes, e ele começou a misturar cinzas de café (ricas em potássio) e de tortas de algodão (fonte de fósforo) para adubar as terras da família. Vizinhos se interessaram. Ele arriscou e abriu em Descalvados, no interior paulista, a Adubos FC – era de “Fernando Cardoso”, mas os outros chamavam de Adubos Futebol Clube. Virou Manah.

Adubando dá

Numa viagem de trem, surgiu a inspiração para o slogan que correu o país: “Com Manah, adubando dá”. Foi de um conto de Monteiro Lobato. Perguntaram ao caboclo: ‘Se esta terra é tão boa, por que não dá nada?” E ele, de cócoras, respondeu: “Uai, plantando dá”.

A Manah chegou a ser a segunda maior empresa de adubos do Brasil, com 15 fábricas e dois mil funcionários. O negócio foi passado adiante, mas Cardoso continuou na área. Com o dinheiro da família, criou a Agrisus, que patrocina pesquisas em qualidade de solo e, hoje, é independente.

Assina versões eletrônicas de revistas técnicas e confere cada nova edição online. “‘Quando entro no computador, eu tenho o mundo, a família e a troca de ideias. Quando não estou lá, me sinto um pouco isolado. É difícil o diálogo. Nem sempre há reciprocidade. A idade nos força à solidão, não há dúvida.”

Mas medo de morrer ele não tem. Só peço uma morte súbita. A vagarosa é muito penosa para si e para os outros. Já a morte súbita liquida logo o assunto”. Enquanto ela não vem, Cardoso não fica esperando. Clique aqui para ler mais.

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