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Aos 71 anos, morre Naná Vasconcelos, lenda da percussão

Por Maya Santana

O percussionista era uma referência internacional na música

O percussionista era uma referência internacional na música

Luto no mundo da música: morre em Recife Naná Vasconcelos, um dos maiores percussionistas de todos os tempos. O músico, que tinha show agendados para o mês que vem em países asiáticos, se apresentou pela última vez em Salvador, no finalzinho de fevereiro. Um dos seus mais recentes trabalhos foi a participação na trilha sonora de O Menino e o Mundo, animação brasileira que concorreu ao Oscar desse ano. Nana (Juvenal) Vasconcelos foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana “Down Beat.” É realmente uma perda imensurável.

Leia o artigo publicado pelo Uol:

Um dos maiores percussionistas brasileiros, Juvenal “Naná” Vasconcelos morreu na manhã desta quarta-feira (9), às 7h39. O músico pernambucano estava internado desde o último dia 29 no Hospital Unimed Recife III com complicações por causa de um câncer no pulmão. Segundo boletim médico, o músico não resistiu à progressão da doença.

Referência internacional na música brasileira, jazz e world music, Naná Vasconcelos já venceu oito prêmios Grammy e também foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana de jazz “Down Beat”, que é publicada desde 1934.

A última apresentação de Naná foi em Salvador, no I Festival Internacional de Percussão. Ele se apresentou com Lui Coimbra no dia 27 de fevereiro. O percussionista teria passado mal logo após o show. Referência internacional, Naná Vasconcelos também tinha apresentações agendadas na Ásia para o mês de abril.

O músico ficou encarregado de quase toda a trilha de “O Menino e o Mundo”, animação brasileira de Alê Abreu indicada ao Oscar deste ano. Segundo Naná, a parceria com o diretor deu certo porque a trilha foi orgânica, acompanhando os passos do menino retratado no filme.

Em 2013, Naná Vasconcelos foi o grande homenageado da folia na capital pernambucana. Na época, ele declarou ao UOL: “Ser homenageado vivo já é uma vitória. Na minha terra, são duas. O que mais posso querer?”.

O músico tratava a doença desde 2015, quando chegou a se submeter a sessões de quimioterapia. No mesmo ano, ele recebeu título de doutor honoris causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Trajetória

Nascido no Recife em 2 de agosto de 1944, começou a fazer música ainda criança, tocando bateria em cabarés e se envolvendo com o movimento do maracatu em Pernambuco. Além da habilidade com os tambores, também era referência pela habilidade em tocar berimbau.

Nos anos 1960, chegou a acompanhar Gilberto Gil e Gal Costa em shows. Mas a carreira tomou novos rumos quando ele viajou para o Rio, conhecendo nomes Maurício Mendonça, Nélson Angelo, Joyce e Milton Nascimento, com quem gravou dois LPs.

Em São Paulo, Naná fez parte do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré na histórica “Pra não Dizer que Não Falei de Flores” na fase paulista do III Festival Internacional da Canção.

Posteriormente, depois de formar Trio do Bagaço, com Nélson Angelo e Maurício Maestro, Naná empreendeu em uma bem-sucedida carreira internacional.

Utilizando instrumentos de percussão como o berimbau e a queixada de burro, chegou a tocar com ícones do jazz, incluindo Miles Davis, Art Blakey, Tony Williams, Don Cherry e Oliver Nelson.

Na década de 1970, o pernambucano tocou com grandes nomes da música internacional como Pat Metheny e Paul Simon, e fez shows históricos em Nova York e no prestigiado festival de jazz de Montreaux, na Suiça, encantando público e crítica.

Eclético, Naná também fez parcerias com nomes como B.B. King, Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads.

No cinema, esteve em trilhas sonoras de filmes como “Procura-se Susan Desesperadamente”, estrelado por Madonna, e “Down By Law”, do cineasta Jim Jarmusch.

No Recife, o músico marcou época abrindo por vários anos o Carnaval do Recife, regendo uma espécie de procissão com centenas de batuqueiros de diferentes nações de maracatu.

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3 Comentários

lisa santana 9 de março de 2016 - 19:13

Naná já se foi? Tão cedo. Vai ver tava na hora, a gente é que pensa que ele devia ficar um pouquinho. Que lindo ele tocando na água! Que lindo!

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Ana 9 de março de 2016 - 18:13

Conheci Naná de Vasconcelos quando ele tocava no grupo de Geraldo Vandré. As mãos dele nunca paravam: estavam sempre tirando um som do que estivesse por perto, inclusive do próprio corpo. Naná já nasceu músico. Adeus, amigo, boa viagem!

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Elza Cataldo 9 de março de 2016 - 11:07

Axé Naná!

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