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Aos 77, Jane Fonda retrata a velhice outra vez

Por Maya Santana

A magnífica Jane Fonda, aos 77 anos, nos brinda com esta comédia

A magnífica Jane Fonda, aos 77 anos, nos brinda com esta comédia

Já falei aqui desta série, Grace e Frankie, da Netflix, que estreia na próxima sexta-feira e traz no seu elenco não apenas a admirável Jane Fonda,77, mas outros grandes nomes do cinema, como Lily Tomlin, Martin Sheen e Sam Waterston. Todos maravilhosos assumindo-se como velhos interessantes e capazes. Neste artigo, publicado por O Globo, o foco é Jane Fonda e seu trabalho muito elogiado.

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Jane Fonda passou por muita coisa em seus 55 anos de carreira: aluna de Lee Strasberg, foi de “Barbarella” (1968) a “Amargo regresso” (1978), de modelo e musa fitness a ativista política, de menina dos olhos do cinema americano a atriz reclusa, aposentando-se precocemente por puro bode de Hollywood. Uma década depois de voltar a atuar, a vencedora de dois Oscars acumula trabalhos como quem tenta compensar os 15 anos em que ficou afastada dos holofotes. A partir do dia 13, estará no Festival de Cannes, representada por “Youth”, novo filme de Paolo Sorrentino (oscarizado no ano passado por “A grande beleza”), que disputa a competição principal. Mas antes disso, ao lado da amiga Lily Tomlin, Jane ressurge como a estrela da série “Grace and Frankie”, que estreia na Netflix na próxima sexta-feira. Após se despedir no ano passado da Leona Lansing de “The newsroom”, que lhe rendeu indicação a dois Emmys, ela diz que a vantagem da nova produção, assinada pela criadora de “Friends” Marta Kauffman ao lado de Howard J. Morris, é ter a chance de viver uma personagem idosa, condizente com seus 77 anos.

Da esquerda para a direita, Sam Waterston, Lily Tomlin, Jane Fonda e Martin Sheen

Da esquerda para a direita, Sam Waterston, Lily Tomlin, Jane Fonda e Martin Sheen

— Estava querendo fazer uma série de TV sobre uma mulher idosa já há alguns anos. Então quando Marta Kauffman apresentou o conceito para mim e Lily eu disse “bingo!” — conta Jane em entrevista ao GLOBO, por telefone. — Uma das razões pelas quais eu queria especificamente fazer uma série sobre mulheres idosas é porque somos a faixa demográfica que mais cresce no mundo. Além disso, os idosos estão vivendo mais, e a cultura e a mídia não costumam contar histórias sobre pessoas mais velhas. Mas eu sou uma idosa, quero ver a televisão falando sobre pessoas mais velhas, os tipos de problemas que enfrentamos, como nossas vidas são.

Nos 13 episódios da série, Jane e Lily (de 75 anos) revisitam a parceria que viveram há mais de três décadas, quando estrelaram (com Dolly Parton), o clássico “Como eliminar seu chefe”. Agora, elas dão vida às personagens-título da série, uma perua e a outra riponga, que descobrem que seus maridos têm um caso há 20 anos. Grace e Frankie, que nunca se suportaram, são obrigadas a se apoiar ao serem abandonadas pelos companheiros de uma vida inteira, vividos por Martin Sheen e Sam Waterston (este também de “The newsroom”), ambos de 74 anos. Para Jane, ter um núcleo de protagonistas como esse é um alento.

— Queria mostrar a realidade de ser idoso, e não o estereótipo. Pessoas idosas têm vida sexual. Ok, não estou dizendo que todo idoso faz sexo, mas muitos continuam sexualmente ativos se assim eles escolhem. Acho muito marcante que dois homens, que se amam há 20 anos, nunca tenham tido a oportunidade de ser honestos sobre isso. Tudo por causa da homofobia na nossa sociedade. É muito corajoso que esses personagens, interpretados por Martin e Sam, possam finalmente dizer “isso é o que nós somos, e não podemos continuar escondendo isso”. É um tema muito bonito para abordar: mesmo quando se está velho você pode decidir quem você quer ser. Clique aqui para ler mais.

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