
50emais
Aos 77 anos, Tony Ramos volta ao horário nobre da TV Globo em Quem Ama Cuida, novela das 9, com estreia prevista para o próximo 18 de maio. Na trama, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, ele interpreta Otoniel, avô da protagonista Adriana, vivida por Leticia Colin.
Entre os mais queridos do Brasil, o ator atravessou mais de seis décadas fazendo televisão, cinema e teatro sem depender da lógica da exposição permanente. Em tempos de likes, seguidores e presença obrigatória nas redes, Tony segue por outro caminho.
Credibilidade
O ator paranaense, casado desde 1969 com Lidiane Barbosa, nunca saiu de cena por um longo período. Em 2025, esteve em Dona de Mim, voltou aos palcos com a peça O Que Só Sabemos Juntos e concluiu as filmagens de Se Eu Fosse Você 3, ao lado de Glória Pires.
Essa regularidade e, claro, seu talento extraordinário como ator, ajudam a explicar sua força. Tony não aparece como memória da televisão brasileira, mas como profissional em atividade. Aos 77, continua trabalhando, decorando texto, gravando, ensaiando e desempenhando papéis relevantes.
Nos últimos dias, Tony também chamou atenção por críticas às redes sociais. Em entrevista à BBC News Brasil e repercutida por veículos nacionais, o ator disse não se interessar por esse ambiente e criticou a exposição narcisista que marca parte da vida digital.
A posição pode parecer dura para quem vive conectado. Mas ela toca em um ponto sensível para muita gente depois dos 50: a sensação de que tornar a vida pública virou uma obrigação. Nem todos querem narrar o cotidiano. Nem todos desejam transformar opinião, intimidade e trabalho em conteúdo.
O ator parece defender outro tempo. O da conversa, do encontro, do olho no olho. Não como nostalgia, mas como escolha.
Trabalho, saúde e retorno
A presença de Tony no ar também ganha outro peso depois do susto vivido em 2024, quando passou por cirurgias. Felizmente, venceu a doença e voltou logo a gravar.
Tony Ramos envelheceu diante do Brasil. O público viu o jovem galã, o pai, o vilão, o homem comum, o personagem popular. Agora vê um ator maduro, ainda em cena, sem tentar parecer outra coisa.
Talvez esteja aí sua maior força. Ele não precisa provar juventude. Precisa apenas sustentar a sua poderosa presença.





