
Titi Placedino
50emais
Billie Jean King acaba de se graduar em História pela Universidade Estadual da Califórnia, aos 82 anos. Ela foi uma das maiores jogadoras de tênis de todos os tempos, alcançando o primeiro lugar no ranking mundial e conquistando 39 títulos de Grand Slams em simples, duplas e duplas mistas.
A minha admiração por ela vai além do seu talento nas quadras, mas principalmente pela sua defesa ferrenha e corajosa da igualdade de gênero. Billy Jean chegou ao ponto de aceitar o desafio de jogar uma partida contra o ex-número 1 do mundo, Bobby Riggs, em 1973, para provar que as mulheres eram tão boas nas quadras quanto os homens e mereciam ser reconhecidas e recompensadas como eles.
Derrotou machista
Riggs, tinha 55 anos, mas havia sido um dos melhores jogadores nas décadas de 1930 e 1940. Considerado um oportunista e machista, ele afirmava que o tênis feminino era tão inferior ao masculino que até mesmo alguém da idade dele poderia vencer as melhores jogadoras.
Billie Jean que havia rejeitado os desafios de Riggs, percebeu que teria de enfrentá-lo para desmentir suas afirmações infundadas. O jogo histórico, em 20 de setembro de 1973, foi chamado de “Batalha dos Sexos” e garantiu uma audiência de mais de 130 milhões de espectadores de TV, em horário nobre.
Billie Jean venceu Riggs em três sets diretos e ganhou o prêmio de vencedora de 100 mil dólares! O evento virou um filme lançado em 2017 – A Guerra dos Sexos – estrelado por Emma Stone como Billie Jean e Steve Carell como Riggs.
Oradora da turma
A vitória de Billie Jean foi importante por ter resultado em um aumento na participação feminina nos esportes e ter levado as mulheres a defenderem a igualdade salarial entre homens e mulheres.
Apesar de sua longa lista de conquistas, o fato de não tem completado o curso superior incomodava a lenda do tênis. Ela deixou a faculdade em 1964 para treinar profissionalmente na Austrália – apenas um ano antes de se formar. Agora, completou sua graduação.
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Em 18 de maio, aos 82 anos, King subiu ao palco da Universidade, em Los Angeles e recebeu o diploma de Bacharel em História que havia começado mais de seis décadas antes. Billie Jean fez o discurso principal na cerimônia de formatura e disse que era um privilégio para ela estar ali como membro da turma de formandos. Explicou por que aquilo tinha um significado especial para ela: “Como muitos dos formandos de hoje”, disse, “sou a primeira pessoa da minha família a se formar na faculdade.”
Grande conquista
Durante seus estudos, ela chegou a analisar o Title IX ( uma lei federal dos USA que proíbe a discriminação baseada em sexo em qualquer programa educacional ou atividade financiada pelo governo federal) e os movimentos pelos direitos LGBTQ+ , ambos que ela ajudou a construir.
Não vi nenhuma notícia no Brasil sobre esse feito de Billie Jean King, mas a imprensa internacional exaltou mais essa sua conquista. O jornal publicou matéria elogiando o fato da ex-tenista ter levado adiante os estudos já uma octogenária.
A reporter entrevistou o cardiologista e pesquisador de longevidade, Eric Topol, que dirige o Scripps Research Translational Institute. De acordo com pesquisador, dois fatores contribuem para um envelhecimento saudável: continuar aprendendo coisas novas e manter um senso de propósito. A decisão de King de retornar à faculdade aos 80 anos se encaixa em ambos os aspectos.

Super idosos
Eric Topol, autor de :”Super Agers: An Evidence-Brased Approach to Longevity” – Superidosos: Uma Abordagem Baseada em Evidências para a Longevidade, em tradução literal – define um superidoso como qualquer pessoa com mais de 85 anos com boa função cognitiva e sem doenças neurodegenerativas, câncer ou problemas cardiovasculares.
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Segundo ele, existem dois sistemas no corpo humano que os pesquisadores acreditam cada vez mais serem os principais determinantes da expectativa de vida saudável: o cérebro e o sistema imunológico. “São elas que realmente explicam por que o envelhecimento saudável ocorre em algumas pessoas”, disse ele. “Cuidar do cérebro ajuda, com certeza, a promover um envelhecimento saudável”.
King certamente teve uma vida muito ativa. Ela disse que voltou para a escola porque queria terminar o que havia começado. “Voltei com um propósito”, disse ela em seu discurso de formatura. “Gosto de concluir as coisas. É como cumprimentar os outros no final de uma partida.”
Ter um propósito
Manter a mente ocupada, afirmou o cardiologista, traz benefícios para a mente, mas concluir um curso superior vai além, pois envolve aprender uma nova habilidade, que comprovadamente ajuda a prevenir doenças neurodegenerativas, – e ter um propósito, o que comprovadamente promove um envelhecimento saudável.
Isso tem um benefício duplo, disse Topol, é um dois em um, porque é um propósito e também promove a saúde do cérebro. O mesmo se aplicaria, observou Topol, a aprender um novo idioma, a tocar um instrumento musical ou a buscar qualquer desafio intelectual de longo prazo mais tarde na vida.

Billie Jean King, que nasceu e cresceu em Long Beach, Califórnia, disse à turma de formandos que o tênis sempre foi o esporte do seu coração. E que a igualdade era o seu sonho, para “tornar o mundo um lugar melhor”. Ela observou que espera que seu diploma, sua mais recente conquista, motive outras pessoas.
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Ela encerrou seu discurso compartilhando conselhos valiosos para a turma de formandos, entre eles, anotei: “Campeões reforçam seus pontos fortes. Concentre-se naquilo em que você tem habilidade e pratique”. “Tudo o que você faz, ganhar ou perder, ser bom ou ruim, é parte de sua vida, não fracasso.” “Não deixe que os outros definam você – você se define.” E “divirta-se, seja destemido e faça história”.





