Aos 95, morre símbolo maior da luta contra racismo

Por Maya Santana
Nobel da paz, foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul

Nobel da paz de 1993, Nelson Mandel foi eleito 1º presidente negro da África do Sul

Já há algum tempo o mundo esperava pela morte do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, 95 anos, pois o grande líder da luta contra o racismo na África do Sul, um dos heróis do século 20, respeitado e admirado em todos os cantos do mundo, já estava muito debilitado, depois de diversas internações. Dezenas de pessoas correram para a frente da casa dele, em Johannesburgo, assim que a morte foi anunciada. Mandela tornou-se um mito.

Leia o artigo publicado pelo Estadão:

Morreu nesta quinta-feira, 5 de dezembro, o maior ícone da luta contra o apartheid. Nelson Mandela, de 95 anos, estava internado com infecção pulmonar em um hospital militar de Pretória. Em 1993, ele levou para casa um prêmio Nobel da Paz – dividido com o último presidente sul-africano branco, Frederik de Klerk. No ano seguinte, tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul.

Para muitos analistas, Mandela foi o único líder capaz de conduzir pacificamente o país rumo à democracia racial após meio século de governo segregacionista. Para a presidência, ele levou o respeito conquistado durante a luta contra o apartheid, que lhe rendeu 27 anos de prisão. Artistas se uniram para pedir a libertação dele:

Rolihlahla Mandela nasceu em 1918 na pequena vila rural de Mvezo, na atual Província de Eastern Cape. O menino tinha sangue real, era descendente dos chefes Tembu, da nação cossa. Foi criado para ser líder tribal. Na infância, caçava passarinho, tomava conta de gado e brincava descalço, lutando contra outros garotos com pedaços de pau. Segundo Tom Lodge, um de seus mais importantes biógrafos, nessa época aprendeu a lição que guiaria sua ética pessoal por toda a vida: Mandela aprendeu a derrotar seus inimigos sem humilhá-los.

Só aos 7 anos, depois que entrou para uma escola britânica, é que ganhou o nome de Nelson. “Minha professora no primário exigiu que eu tivesse um nome cristão e decidiu que eu me chamaria Nelson”, lembrou Mandela, anos mais tarde. O pequeno nobre Tembu, do clã dos Madiba – nome pelo qual Nelson seria chamado pelos mais íntimos até o fim da vida -, frequentou as escolas britânicas de Clarkebury e Healdtown. Em casa, vivia com um pai polígamo, que tinha quatro mulheres e nove filhos.

A fusão da tradição africana com o civilismo britânico criou um dos maiores líderes do século 20. Em geral, historiadores prestam pouca atenção à influência que tiveram as ideias colonialistas sobre os líderes nacionalistas da África. Mandela, apesar das raízes africanas, teve a vida tocada por conceitos ocidentais, como os direitos humanos e as obrigações civis. Foi equipado com esse arsenal ético que ele derrotou o apartheid e foi alçado à condição de mito. Clique aqui para ler mais.


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1 Comentários

Ana 6 de dezembro de 2013 - 10:23

Aprendi muito com Nelson Mandela. Não é qualquer um que, depois de 27 anos na cadeia, sai pregando a reconciliação. Um exemplo pra todos nós, num mundo dominado pela intolerância. Ai que tristeza!

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