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Apesar da pressão social, não casar já é comum

Por Maya Santana

Sem namorado há seis anos, Grace Gelder resolveu casar consigo mesma

Sem namorado há seis anos, Grace Gelder resolveu casar consigo mesma

Juliana Contalfer, Correio Braziliense

Tom Jobim que nos desculpe, mas a felicidade não precisa de par. No começo de janeiro, a escocesa Jessie Gallan comemorou seu 109º aniversário. Em entrevista à imprensa local, deu a dica da longevidade: ficar longe de homens (e tomar mingau quente todas as manhãs). Segundo a senhora, homens são sinônimo de problema e não valem a pena.

Bem resolvidas, muitas escolhem abrir mão do casamento e viver sozinhas, o que não significa que sejam solitárias. Os amigos se tornam família e companhia constante. Algumas escolhem ter filhos por conta própria. Outras se casaram com o trabalho, e são felizes e realizadas assim. Para quem sabe o que quer, o espaço vazio é, na verdade, um alívio.

“No Brasil, não encontramos um número muito significativo de mulheres com mais de 60 anos que não se casaram”, explica o professor Vicente Paulo Alves, coordenador do programa de pós-graduação em gerontologia da Universidade Católica de Brasília. “A impressão que eu tenho é que havia uma certa pressão para o casamento, mas algumas pessoas tomaram a decisão particular de não subir ao altar naquele momento e as circunstâncias não permitiram que elas se casassem no futuro.”

Segundo Vicente, o interessante é que as mulheres que fizeram essa escolha costumam ser mais felizes na velhice em comparação às que se casaram por pressão da sociedade. “É comum ouvir o relato de viúvas que se sentiram muito mais livres após a morte do marido. Acredito que casamento não é para todo mundo e pode acabar se tornando uma prisão para quem não tem o perfil”, avalia.

Maria José de Oliveira , Geralda Maria de Jesus e Juvelina de Oliveira

Maria José de Oliveira , Geralda Maria de Jesus e Juvelina de Oliveira

O professor conta que as pessoas que não se casaram costumam ter mais facilidade para fazer amigos. A vida social é de extrema importância na terceira idade — são os familiares, os vizinhos e os amigos que garantem uma rede de apoio e afastam os problemas de depressão. Idosas que ficaram casadas por muito tempo costumam ter dificuldade para expandir os contatos e acabam limitadas ao núcleo familiar.

Casamento? Não, obrigada!

Para a aposentada Eliana Santos, 62 anos, a falta de marido foi uma opção. Na juventude, namorou dos 14 aos 21 anos. Gilberto era o seu grande amor, o homem com o qual queria passar o resto da vida. Descobriu que ele a traia. “Por isso, saí de Belém do Pará e me mudei para Brasília, para fugir. Vim sozinha, fiquei na casa da família de uma amiga para tentar a vida na capital. Mas continuei a trocar cartas com ele, que prometia largar tudo em Belém para morar comigo aqui. Coração de mulher não tem jeito. Um ano depois, fui para lá buscá-lo”, conta. Foi recepcionada por uma jovem grávida, já quase tendo o bebê, chorando porque o pai da criança queria fugir para Brasília com uma namorada.

Eliana fingiu que era só uma amiga e esperou Gilberto chegar. Arranjaram uma desculpa para ficar a sós, e foi aí que o relacionamento acabou de vez. “Risquei da minha vida, terminei tudo. Eu não ia deixar uma coisa dessas. Ele continuou me mandando cartas, mas eu rasgava todas sem abrir”, lembra. Depois disso, abandonou a ideia de se casar. Clique aqui para ler mais.

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