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Babá brasileira é professora universitária nos EUA

Por Maya Santana

Natalicia Tracy foi levada para os EUA com 17 anos: o casal tratou-a como escrava

Natalicia Tracy foi levada para os EUA com 17 anos e tratada como escrava

A bela história de Natalicia Tracy merece um livro. Ela foi levada para os Estados Unidos por um casal brasileiro de médicos como babá, com a promessa de que poderia estudar inglês e conhecer a cultura americana. Deram o golpe na jovem e a fizeram trabalhar como escrava – de segunda a segunda, com a responsabilidade de cuidar de duas crianças e de dar conta de tudo que era preciso fazer na casa: lavar passar e cozinhar. Uma história de abuso e superação. Hoje, Natalicia é professora universitária.

Veja os detalhes neste artigo publicado pela Folha:

Há 20 anos, a brasileira Natalicia Tracy desembarcou nos EUA acompanhada de um casal de médicos, também brasileiros, que a contrataram para ser babá por um período de dois anos, enquanto eles realizariam pesquisas em um hospital de Boston.Ela pretendia aproveitar a oportunidade para ir à escola, aprender inglês e, assim, procurar um novo emprego quando voltasse. Porém, foi impedida de estudar, de falar com a família e submetida a condições degradantes. Hoje, ela é ativista, diretora do Centro do Imigrante Brasileiro em Massachusetts e Connecticut e uma das lideranças na ampliação dos direitos dos trabalhadores domésticos no país. Leia o depoimento dela:

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Eu entrei nos Estados Unidos há 20 anos com documentação em dia: tinha um visto pelo contrato de babá para cuidar da criança de um casal de médicos brasileiros, que veio morar aqui para desenvolver pesquisas em um hospital em Boston. Quando ainda estávamos no Brasil, eles me prometeram que eu poderia estudar, conhecer a cultura americana e aprender inglês, que era o que eu mais queria, porque eu só tinha estudados até a oitava série.

Viajei cheia de expectativas, mas não foi isso o que aconteceu quando cheguei. Além de cuidar da criança de três anos, fiquei responsável por todo o trabalho doméstico: cozinhar, lavar e passar. Isso acontecia de segunda a segunda, sem folga. Não me deixaram ir para a escola. E logo tiveram uma segunda criança, o que aumentou o meu trabalho e acabou com o meu sonho de estudar inglês. No começo, me deram um quarto, mas depois, como recebiam muita visita, me colocaram para dormir em um colchão no chão da varanda.

O local era protegido apenas por um vidro bem fininho, e quando chegou o inverno, eu tinha que cobrir o chão com jornais e usava o aquecedor portátil. Fiquei doente e tive uma reação alérgica por causa de um produto para limpar o tapete. Não me levaram ao médico, mas permitiam que eu usasse o restante do produto de inalação da criança. Comida, me davam só quando sobrava. Caso contrário, eu tinha de comprar. Mas eu só podia escolher um sanduíche de US$ 1,00 no McDonald’s porque o meu salário era de US$ 25 semanais. Pegaram o meu passaporte dizendo que iam renovar o meu visto de trabalho, mas nunca renovaram. Eu fiquei ilegal nos Estados Unidos. Clique aqui para ler mais.

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