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Belas e famosas nos anos 60, agora são andarilhas

Por Maya Santana

Vice-Miss Guanabara 1965 e ex-namorada do escritor Rubem Braga

Vice-Miss Guanabara 1965 e ex-namorada do escritor Rubem Braga

Maya Santana

Duas trágicas histórias de vida, passadas no Rio de Janeiro, emocionaram os visitantes do 50emais, por mostrar mulheres que tiveram tudo quando eram mais jovens e, hoje, elas vivem pelas ruas da cidade. Milhares de pessoas acessaram o blog para ler sobre a vida de Sônia Schuller, a vice-Miss Guanabara 1965, que namorou o escritor Rubem Braga, e é vista zanzando entre Ipanema e Leblon. Outros milhares entraram no 50emais para ler o caso de Anamaria Carvalho, ex-musa da bossa nova, casada com o cantor e compositor Marcos Valle que, por incrível que pareça, também passa os dias perambulando pelos dois bairros da zona sul carioca.

Sônia chuller, capa da revista O Cruzeiro na época do concurso de Miss Brasil, cruza o Leblon toda manhã, vinda de Ipanema. Há poucos dias, me encontrei com ela. Vestia a roupa de sempre: uma calça cáqui surrada, uma blusa escura e sandálias havaianas. Carregava, como sempre faz, uma pasta preta bem robusta, como se estivesse cheia de documentos. O cabelo era o mesmo de todo dia: preso atrás, em forma de rabo de cavalo. Ela não olhou ninguém nos olhos. Seguiu em frente, absorta. Mais tarde, lá estava ela de volta. Vive assim.

Capa da principal revista da época

Capa da principal revista da época

Eu vi Anamaria Carvalho – fluente em francês e inglês, que morou com Marcos Valle nos Estados Unidos – inúmeras vezes, para os lados do Arpoador, na divisa entre Ipanema e Copacabana. Vestida de Azul. Sempre de azul. Uma manhã, na caminhada matinal, quando estava chegando ao Arpoador, eu a avistei. Andava devagar e puxava um carrinho, desses de compra, bem cheio. Do quê? Não sei. Chegou, se ajeitou e sentou perto do canto dedicado a Millôr Fernandes. Vendo-a ali, o meu primeiro ímpeto foi cumprimentá-la. Bom dia, disse eu sorrindo. Ela me olhou quase com fúria. E resmungou algo como “Vai embora!”. Eu me afastei logo.

Uma coisa chama a atenção nessas mulheres, ambas se aproximando dos 70 anos: carregam cotidianamente um peso, seja na forma de uma pasta de couro puído ou na de um carrinho de puxar. Fico sempre me perguntando o que levam ali. Foi em meados do ano passado que o jornal O Globo publicou a história delas. As reportagens saíram com uma diferença de dois meses uma da outra. Eu me lembro que, quando comecei a ler a segunda, contando a história de Anamaria, achei que falava da mesma pessoa. Só mais adiante percebi que se tratava de mulheres diferentes, com destino parecido.

Anamaria Carvalho, fluente em inglês e francês, foi casada com o compositor Marcos Valle

Anamaria Carvalho, fluente em inglês e francês, foi casada com o compositor Marcos Valle

A primeira reportagem, assinada por Cléo Guimarães, sobre Sônia Schuller começava assim: “Maio de 1965. Vinte e cinco mil pessoas lotavam o Maracanãzinho para acompanhar a disputa pelo título de Miss Estado da Guanabara. Vera Lucia Couto, Miss 1964, esperava a decisão dos 11 jurados para passar a faixa à sua sucessora. Duas louras ainda estavam no páreo: Maria Raquel de Andrade, representando o Botafogo, e Sonia Schuller, o Clube Caça e Pesca.

Quando Sonia começou a desfilar, a plateia veio abaixo. “Ela era ensolarada, cheia de energia e tinha um sorriso lindo”, lembra o advogado Daslan Mello Lima, criador de um blog sobre misses. “Foi um frisson incrível quando essa moça apareceu no palco”, lembra Vera Lucia Couto, hoje uma funcionária da Riotur. Sonia acabou não levando o título, mas, segundo a revista “Manchete” da semana seguinte, a catarinense que veio para Rio ainda criança recebeu “uma das maiores ovações da história do Maracanãzinho”. Clique aqui para ler a íntegra da reportagem.

Ela foi vizinha de Tom Jobim

Ela foi vizinha de Tom Jobim

Já a reportagem sobre Anamaria Carvalho, publicada em setembro de 2013, dizia: “Ela poderia ter sido a “Garota de Ipanema”, eternizada na música de Tom Jobim, quando desfilava pelo bairro ostentando charme e beleza. Anamaria Carvalho, mais conhecida como a “Mulher de Branco”, cresceu no meio artístico e efervescente do Rio na década de 70. Foi vizinha de Tom, casada com o compositor Marcos Valle e ajudou a divulgar a bossa nova pelo mundo. Hoje, ela perambula sem rumo pelas ruas de Ipanema, sempre munida de um carrinho de feira, esbanjando carisma e distribuindo sorrisos para os passantes.” Clique aqui para ler a reportagem.

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8 Comentários

cleny 12 de fevereiro de 2016 - 13:07

Moro no mesmo bairro há 41 anos e há pelo menos 35 andam assim. A situação delas de hoje não tem nada a ver com a de delas. A Anamaria por muitos anos vestiu somente branco, depois só rosa e atualmente só azul e a Sonia Schuller mora dois prédios após o meu e sempre se vestiu assim. Não podemos fazer julgamentos apenas porque uma matéria preferiu publicar somente um lado da estória.

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cleny 12 de fevereiro de 2016 - 13:23

Uma pequena correção: A que mora perto de mim chama-se Sonia Schuller

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marcilene castro costs 15 de março de 2015 - 07:47

Como ė inståvel o ser humano. E como pode acumular sofrimento, demonstrando-o dd inumeras maneiras…

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monica minelli 15 de setembro de 2014 - 19:33

Que reportagem forte !!! Onde estão os familiares ? Com quem ela pode contar? Uma judiação ver a degradação humana desta forma. Assistentes sócias: URGENTE !!!

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JONAS SILVA 15 de setembro de 2014 - 18:59

As PESSOAS QUANDO SAO JOVENS SO pensam na vaidade…. quando chega nessa idade sao jogadas como lixo…faço um apelo às entidades sociais para darem apoio.. são seres humanos e merecem nosso respeito… JONAS EM PORTUGAL EUROPA

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Mônica 14 de setembro de 2014 - 18:53

Na minha opinião essas mulheres ficaram assim por tristeza amorosa. Hj as mulheres estão ficando com loucuras interiores por causa de amor n correspondidos. As clínicas e os grupos anônimos estão cada vez mais cheios bjs

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Jaqueline Souza 17 de junho de 2018 - 15:49

Não acho que sejam decepções amorosas, acredito que se tratam de filhas de mães narcisistas.

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everailde silva 13 de setembro de 2014 - 16:12

Ao ler esta reportagem, fico me perguntando: Estas pessoas tem família, filhos, irmãos, tios ? Acho impossível que não os tenham ! Se os tem, por que deixá-las ao deus-dará , sozinhas sem ninguém ? Se que não é fácil, conversar com pessoas assim, mas , haverá de ter um jeito de se chegar até elas ! Por que o governo, com suas assistentes sociais, não as colocam em um abrigo para que sejas tratadas de forma humana e digna !
Sra. Jornalista , com o seu conhecimento, não seria possível entrar em contato com alguém e fazer esta ponte ? O que falta ?
Sabe ? Quando eu era criança, tinha um sonho … cuidar das mulheres que eu via pelas ruas, mas, cresci e tudo não passou de um sonho de criança !
Por isto esta reportagem me tocou tanto ! Mt Paz !

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