Brasil celebra centenário da ativa Tomie Ohtake

Por Maya Santana
O aniversário é só em novembro, mas o mundo artístico já está em festa

Nascida no Japão, a pintora vive no Brasil há 77 anos

Antonio Gonçalves Filho

Ativa aos 100 anos, que completará no dia 21 de novembro, a pintora Tomie Ohtake vai ser homenageada com nada menos que 15 exposições neste ano em diversos Estados brasileiros, da Bahia a Minas, passando, naturalmente, por São Paulo, onde inaugura amanhã, às 20 horas, a exposição Influxos das Formas, no Instituto Tomie Ohtake. É uma oportunidade única de conhecer o processo embrionário das pinturas da artista, que mostra, em novembro, no mesmo local, telas em processo de finalização. São trabalhos que, curiosamente, retomam questões já presentes em sua pintura dos anos 1960, um dos melhores períodos de sua produção.

Pintura acrílica azul sobre tela

Pintura acrílica azul sobre tela

Em Influxos das Formas, mostra com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada, o vocabulário cromático e formal criado por Tomie é revelado por meio de collages, desenhos e croquis que o último curador encontrou guardados no fundo das gavetas da casa da artista, além de pequenas maquetes de esculturas. São cem obras conservadas por mais de seis décadas, desde que Tomie resolveu seguir o conselho do pintor japonês Keisuke Sugano, em 1951, e criou seu primeiro quadro.

Ela pede ao filho Ricardo, diretor do instituto que leva o nome da mãe, para buscar no quarto a pequena tela, de 1952, uma das poucas que escapou de uma enchente no bairro paulistano onde morava na época. É uma natureza-morta, um vaso de flores de um vermelho intenso, cor que se tornaria sua marca registrada – as outras são o azul e o amarelo, curiosamente as primárias usadas por Mondrian, embora Tomie não tenha comungado do neoplasticismo do holandês, que usava blocos de cor separados de forma assimétrica por linhas retas.

Outra as valiosas pinturas da artista centenária

Outra as valiosas pinturas da artista centenária

Tpmie não gosta da reta. “Não é da natureza humana”, justifica, defendendo a linha curva que marcaria as formas de sua pintura e a arquitetura de seu filho Ruy Ohtake. De fato, se Mondrian brigou com o amigo Theo van Doesburg por causa de suas linhas pretas ortogonais, Tomie estaria disposta a um confronto com os racionalistas para defender aquele que considera um mestre, o americano de origem russa Mark Rothko (1903-1970), um dos maiores nomes do expressionismo abstrato (embora ele rejeitasse o primeiro termo). Há, por certo, algo da ‘colorfield painting’ de Rothko nas pinturas de Tomie dos anos 1960, mas a filosofia de Nietzsche, que encantou o americano, nunca foi a da pintora japonesa, agnóstica e bem mais próxima da filosofia zen, por defender a experiência direta da realidade. Leia mais em estadão.com.br


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