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O Brasil envelhece diante de nossos olhos, mas insiste em agir como se isso não fosse um problema urgente. Para dar uma ideia, houve um aumento de quase 60% no número de idosos – pessoas com mais de 60 anos – em relação a 2010. É um número que assusta. Esse envelhecimento rápido da população se deve à queda na taxa de natalidade, ou seja, as mulheres estão tendo menos filhos, e, ao mesmo tempo, há um aumento no número de anos que o brasileiro está vivendo.
A expectativa de vida no Brasil atingiu 76,6 anos em 2024. As mulheres vivem mais (79,9 anos) que os homens (73,3 anos). É muito, se pensarmos que a média de vida em 1950 era de 48 anos. Mesmo tendo subido tanto, políticas públicas e debates ainda parecem tratar de um país majoritariamente jovem. Esse descompasso revela uma dificuldade estrutural de planejamento de longo prazo. A população idosa cresce em ritmo acelerado, exigindo mudanças profundas e urgentes nos sistemas de saúde e previdência.
Faltam geriatras, sobram pediatras
Hospitais e postos de atendimento nem sempre estão preparados para lidar com doenças crônicas e cuidados contínuos. Ao mesmo tempo, faltam profissionais especializados em geriatria e gerontologia. Acredite, temos 10 vezes mais pediatras do que especialistas em envelhecimento. Essa lacuna evidencia a negligência com uma parcela cada vez mais significativa da população.
No campo econômico, o impacto também é evidente. Com menos jovens entrando no mercado de trabalho, a base de contribuintes diminui. Enquanto isso, o número de aposentados aumenta, pressionando o sistema previdenciário. Ainda assim, o debate frequentemente se limita a medidas emergenciais, sem uma visão estratégica.
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Além disso, o envelhecimento da população exige uma reconfiguração das cidades. Calçadas inadequadas, transporte público precário e falta de acessibilidade tornam o cotidiano do idoso no Brasil bem difícil. A ausência de planejamento urbano inclusivo reforça a exclusão social dessa parcela da população. É como se envelhecer fosse um problema individual, e não coletivo.
O desafio de cuidar do idoso
Há também um componente cultural importante. O Brasil ainda valoriza excessivamente a juventude, associando velhice à improdutividade. Esse preconceito invisibiliza o potencial e a experiência dos idosos. Muitos continuam ativos, produtivos e dispostos a contribuir com a sociedade.
No entanto, faltam políticas de incentivo à permanência no mercado de trabalho. Programas de requalificação profissional são escassos. Empresas ainda resistem em contratar trabalhadores mais velhos. Essa exclusão reforça desigualdades e desperdiça capital humano.
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Outro ponto crítico é o suporte familiar. Com famílias menores e rotinas cada vez mais intensas, cuidar dos idosos se torna um desafio. A ausência de uma rede pública de cuidados agrava essa situação.
O resultado é sobrecarga para familiares e abandono para muitos idosos.
É preciso encarar a realidade
Ignorar o envelhecimento populacional não fará o problema desaparecer. Pelo contrário, tornará suas consequências ainda mais graves no futuro. É necessário encarar essa realidade com responsabilidade e urgência.
Planejar o país que queremos passa, inevitavelmente, por cuidar de quem envelhece.
O Brasil precisa deixar de fingir que não vê. Reconhecer o envelhecimento como prioridade é o primeiro passo.
O segundo é agir com políticas consistentes e inclusivas. Só assim será possível construir uma sociedade mais justa para todas as idades.
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