Brasil: o ano que vem será uma pedreira

Por Maya Santana
Dilma terá de se relacionar com um Congresso bem mais fragmentado

Dilma terá de se relacionar com um Congresso bem mais fragmentado

Este artigo foi escrito pelo ex-deputado federal Fernando Gabeira depois da eleição da presidente Dilma Rousseff para novo mandato, até 2018. Gabeira, que deixou a política e retomou a profissão de jornalista, fala das dificuldades que a primeira mulher a governar o Brasil vai encontrar, principalmente em 2015, para levar o país adiante.

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Quando um presidente se reelege, não há lua de mel, apenas curtas férias conjugais. O dia seguinte já coloca em sua agenda quase todos os problemas que aqueceram a campanha eleitoral. O primeiro e mais importante é o econômico. As necessidades de ajustes de rumo podem levar Dilma a tomar algumas medidas que ela própria condenava, sobretudo aumento nos preços da gasolina e da energia.

O preço da energia subiu 17% enquanto todos se envolviam na campanha. No campo político, Dilma terá de se relacionar com um Congresso bem mais fragmentado e com maior presença da oposição. As dificuldades de organizar a base de governo e acumular recursos para a reeleição estão na origem dos grandes escândalos do Brasil. O da Petrobras está apenas começando. Passado o momento eleitoral, os depoimentos de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef serão conhecidos na íntegra, com os nomes de todos os políticos envolvidos.

A oposição chegou mais forte ao final da campanha do que nas eleições anteriores. Pela primeira vez, sua presença nas ruas foi relevante. Ao término de um processo tão disputado como esse, o vencedor costuma lançar uma mensagem de reconciliação. Mas o PT e seus aliados têm pela frente uma consistente rejeição e devem, simultaneamente, lidar com a estagnação econômica e as acusações de que assaltaram a Petrobras.

Foi uma campanha de mentiras e calúnias. Elas vão perder força para que entrem na agenda um outro tópico: as verdades escondidas pela propaganda oficial. Dados sobre o ensino em escala nacional, a redução da pobreza e o desmatamento são apenas alguns que esperam o fim do momento eleitoral para passarem por análises.

Estamos diante de mais quatro anos de governo e muitos temas de campanha serão lembrados ao longo do caminho. É um tempo de reconciliação, mas isso não significa que o debate sobre o presente e o futuro do Brasil irá sumir. Os eleitores estiveram tão envolvidos na campanha que não tiveram tempo para avaliar uma boa e suprapartidária notícia: ontem choveu no Sudeste. O quanto vai chover é outra dúvida, passada a certeza sobre o vencedor nas urnas.

Guimarães Rosa dizia: quem moi no áspero não fantasia. Os fatos, a partir da agora, valem mais que a idílica propaganda de campanha eleitoral. O ano de 2015 será uma pedreira.


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