• Anuncie no Site
  • Contato
No Result
View All Result
Newsletter
50emais
  • Início
  • Clube de Vantagens
  • Saúde
    Como mostra o caso FHC, Alzheimer muda a vida civil da pessoa

    Como mostra o caso FHC, Alzheimer muda a vida civil da pessoa

    Letícia Sabatela lamenta o diagnóstico tardio de autismo, aos 52 anos

    Letícia Sabatela lamenta o diagnóstico tardio de autismo, aos 52 anos

    Exercício físico é mais eficaz do que remédio para combater depressão

    Exercício físico é mais eficaz do que remédio para combater depressão

    Uma centena de motivos para você deixar de fumar

    Uma centena de motivos para você deixar de fumar

    Cardiologista adverte: insônia persistente aumenta risco de infarto

    Cardiologista adverte: insônia persistente aumenta risco de infarto

    Estudos mostram que AVC já é a doença que mais mata brasileiros

    Estudos mostram que AVC já é a doença que mais mata brasileiros

    Há relação direta entre preocupação com dinheiro e envelhecimento do coração

    Há relação direta entre preocupação com dinheiro e envelhecimento do coração

    Canetas emagrecedoras estão revolucionando o tratamento da obesidade

    Canetas emagrecedoras estão revolucionando o tratamento da obesidade

    Perimenopausa: os sinais que muitas mulheres confundem com estresse

    Perimenopausa: os sinais que muitas mulheres confundem com estresse

  • Moda
    Depois dos 50, menos regra no vestir, mais estilo pessoal

    Depois dos 50, menos regra no vestir, mais estilo pessoal

    Para você que passou dos 50 e gosta de usar vestido

    Para você que passou dos 50 e gosta de usar vestido

    Qual é a cor desse verão que acaba de chegar?

    Qual é a cor desse verão que acaba de chegar?

    Moda: alfaiataria e gravata estão de volta

    Moda: alfaiataria e gravata estão de volta

    A noite mais aguardada para os amantes do universo da moda decepcionou

    A noite mais aguardada para os amantes do universo da moda decepcionou

    Moda depois dos 50: trajes para todos gostos

    Moda depois dos 50: trajes para todos gostos

    “Eu não sabia que poderia causar tanto impacto nessa idade”

    “Eu não sabia que poderia causar tanto impacto nessa idade”

    Com a chegada do frio, vestido com botas é uma boa pedida

    Com a chegada do frio, vestido com botas é uma boa pedida

    Glória Kalil: como usar salto baixo com roupa de noite

    Glória Kalil: como usar salto baixo com roupa de noite

  • Cultura
    Brasileira é finalista de um dos prêmios literários mais importantes do mundo

    Brasileira é finalista de um dos prêmios literários mais importantes do mundo

    Histórias de uma repórter que marcou seu tempo

    Histórias de uma repórter que marcou seu tempo

    Uma companhia de dança que só aceita maiores de 60

    Uma companhia de dança que só aceita maiores de 60

    ‘Enquanto você está aqui’, livro sobre o maior dos tabus: a morte

    ‘Enquanto você está aqui’, livro sobre o maior dos tabus: a morte

    Aos 52 anos, brasileira é a primeira mulher a assumir orquestra alemã

    Aos 52 anos, brasileira é a primeira mulher a assumir orquestra alemã

    Marieta Severo, capa da revista Vogue: A chegada dos 80 é muito significativa

    Tânia Maria: “Ainda não caiu a ficha que sou famosa”

    Tânia Maria: “Ainda não caiu a ficha que sou famosa”

    Glória Pires dirige seu primeiro filme: Sexa, uma comédia sobre preconceito de idade

    Glória Pires dirige seu primeiro filme: Sexa, uma comédia sobre preconceito de idade

    Adélia Prado, considerada maior poetisa viva do Brasil, chega aos 90 anos

    Adélia Prado, considerada maior poetisa viva do Brasil, chega aos 90 anos

  • Intercâmbio e Turismo
    Por que Londres é uma cidade única no mundo

    Por que Londres é uma cidade única no mundo

    Tudo que você gostaria de saber sobre intercâmbio  50+ no exterior

    Tudo que você gostaria de saber sobre intercâmbio 50+ no exterior

    Em 2024, dê a você de presente duas semanas de intercâmbio no exterior

    Em 2024, dê a você de presente duas semanas de intercâmbio no exterior

    Live: Comece a planejar seu intercâmbio/2024. São 16 opções de cidades

    Live: Comece a planejar seu intercâmbio/2024. São 16 opções de cidades

    Intercâmbio no exterior em 2024 – mais de 10 destinos para você que passou dos 50

    Intercâmbio no exterior em 2024 – mais de 10 destinos para você que passou dos 50

    Intercâmbio no exterior: África do Sul e Escócia esperam por você em 2023

    Intercâmbio no exterior: África do Sul e Escócia esperam por você em 2023

    Quatro países para você fazer intercâmbio ainda neste ano

    Quatro países para você fazer intercâmbio ainda neste ano

    Não precisa falar inglês para fazer o intercâmbio em Malta

    Não precisa falar inglês para fazer o intercâmbio em Malta

    Live: quer passar duas semanas em Malta?

    Live: quer passar duas semanas em Malta?

  • Entrevistas
    O ser humano não vive mais do que 120 anos

    O ser humano não vive mais do que 120 anos

    ‘O grande ensinamento dos pacientes é viver o hoje’

    ‘O grande ensinamento dos pacientes é viver o hoje’

    Cuidado! Ficar sentado muito tempo danifica a coluna

    Cuidado! Ficar sentado muito tempo danifica a coluna

    ‘A idade me trouxe a clareza do viver’

    ‘A idade me trouxe a clareza do viver’

    Isabel Allende sobre 3º casamento aos 70: O amor é o mesmo, mas as necessidades são diferentes

    Isabel Allende sobre 3º casamento aos 70: O amor é o mesmo, mas as necessidades são diferentes

    Live discute ‘dependência afetiva’, mal que causa grande sofrimento e afeta milhões

    Live discute ‘dependência afetiva’, mal que causa grande sofrimento e afeta milhões

    Lucinha Lins sobre a libido na terceira idade: “Não fica ruim, mas diferente”

    Lucinha Lins sobre a libido na terceira idade: “Não fica ruim, mas diferente”

    Símbolo sexual, Luisa Brunet chega aos 60 anos em seu “melhor momento”

    Símbolo sexual, Luisa Brunet chega aos 60 anos em seu “melhor momento”

    Para melhorar o cérebro, você tem que cuidar do espírito

    Para melhorar o cérebro, você tem que cuidar do espírito

  • História de Vida
    Quem é a astronauta que participa da histórica missão à lua

    Quem é a astronauta que participa da histórica missão à lua

    Ela é a primeira a chegar ao posto de general do Exército Brasileiro

    Ela é a primeira a chegar ao posto de general do Exército Brasileiro

    A bela Demi Moore e sua magreza

    A bela Demi Moore e sua magreza

    Ela viu a morte de perto. Sobreviveu graças a sua força interior

    Ela viu a morte de perto. Sobreviveu graças a sua força interior

    Entrevista: vítima de abuso sexual repugnante do marido, Gisèle Pelicot conta tudo

    Entrevista: vítima de abuso sexual repugnante do marido, Gisèle Pelicot conta tudo

    Tatiana Sampaio: cientista orgulho do Brasil

    Tatiana Sampaio: cientista orgulho do Brasil

    Mulher de Bruce Willis fala do ator, três anos após a demência afastá-lo das telas

    Mulher de Bruce Willis fala do ator, três anos após a demência afastá-lo das telas

    Quem foi Brigitte Bardot e por que ela marcou tanto o seu tempo

    Quem foi Brigitte Bardot e por que ela marcou tanto o seu tempo

    Documentário conta a extraordinária história de Dráuzio Varella

    Documentário conta a extraordinária história de Dráuzio Varella

  • Comportamento
    Quando ele aprende a arte de pedir ajuda

    Quando ele aprende a arte de pedir ajuda

    Golpes explodem no Brasil e causam prejuízo de bilhões. Idosos são principal alvo

    Golpes explodem no Brasil e causam prejuízo de bilhões. Idosos são principal alvo

    Inclusão digital madura: como usar celular e aplicativos sem medo

    Inclusão digital madura: como usar celular e aplicativos sem medo

    O dia em que você percebe que virou referência para alguém

    O dia em que você percebe que virou referência para alguém

    O que está por trás desse nosso pavor de envelhecer

    O que está por trás desse nosso pavor de envelhecer

    O dia em que descobri o prazer de desmarcar um compromisso

    O dia em que descobri o prazer de desmarcar um compromisso

    Violência contra a mulher: Como pôr fim a essa verdadeira epidemia?

    Violência contra a mulher: Como pôr fim a essa verdadeira epidemia?

    Cabelos brancos: assumí-los ou pintá-los?

    Cabelos brancos: assumí-los ou pintá-los?

    Quando a opção dela é por homem mais novo, todos se acham no direito de julgar

    Quando a opção dela é por homem mais novo, todos se acham no direito de julgar

  • Vida Financeira
    Vai se aposentar? Veja o que muda na aposentadoria em 2026

    Vai se aposentar? Veja o que muda na aposentadoria em 2026

    Quer ter independência financeira? Veja 10 dicas para chegar lá

    Quer ter independência financeira? Veja 10 dicas para chegar lá

    Envelhecimento: o desafio de planejar suas finanças

    Envelhecimento: o desafio de planejar suas finanças

    Especialistas dão dicas de como se proteger contra golpes financeiros

    Especialistas dão dicas de como se proteger contra golpes financeiros

    Quatro décadas de trabalho garantirão outras três após a aposentadoria?

    Quatro décadas de trabalho garantirão outras três após a aposentadoria?

    Antecipação de 13º salário: o que fazer com o dinheiro?

    Antecipação de 13º salário: o que fazer com o dinheiro?

    Aos 64, ela já viajou por 64 países e ensina como economizar

    Aos 64, ela já viajou por 64 países e ensina como economizar

    Aposentados: 1ª parcela do 13° salário sai nesta quarta, 24 de abril

    Aposentados: 1ª parcela do 13° salário sai nesta quarta, 24 de abril

    A difícil tarefa de fazer uma reserva financeira para a velhice

    A difícil tarefa de fazer uma reserva financeira para a velhice

“Brasil vai envelhecer antes de ter dado certo”

Para o geriatra Alexandre Kalache, o País está em ‘negacionismo total’ em relação ao seu envelhecimento

15/10/2024
Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no WhatsappCompartilhe no LinkedinCompartilhe no TelegramCompartilhe com QRCODE

 

Alexandre Kalache, 81 anos, é presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil. Foto: Reprodução/Internet

50emais

“Os países desenvolvidos primeiro enriqueceram para, depois, envelhecerem. E nós vamos envelhecer em um país com muitos problemas sociais e pobreza. Vamos ser pioneiros. Seremos o laboratório de como envelhecer em um país que ainda não deu certo.”

A afirmação é do médico geriatra, Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil. e um dos maiores especialistas em envelhecimento no paísl e no Mundo. Kalache trabalhou para a Organização Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça.

Como ele próprio comenta nesta entrevista, o Brasil envelhece a passos largos, muito rapidamente, e faltam políticas públicas e estrutura para atender essa população, que só cresce.

Em 2030, o Brasil será o quinto país com maior porcentagem de pessoas com mais de 65 anos. Hoje, um quarto da população brasileira tem mais de 50 anos.

Leia a entrevista completa de Leon Ferri com Alexandre Kalache, publicada pelo Estadão:

“Sou velho. Olha bem pra mim. Careca, de barba branca, preciso de óculos, as rugas aqui mostram os sabores e dissabores que tive pela vida. Tenho orgulho de ter podido envelhecer, é a melhor coisa que pode te acontecer. Envelhecer é bom, morrer cedo que não presta”, diz Kalache, que é PhD pela Universidade de Oxford (Inglaterra), onde foi professor associado e pesquisador sênior, e umdos pioneiros dos estudos do envelhecimento no mundo.

Ativista desde a juventude, quando a luta era contra a ditadura, agora ele trava uma batalha para que o mundo entenda que está envelhecendo. E, em países como o Brasil, isso ocorre a passos largos – mais largos do que ele mesmo previu, quando chegou em Londres para o mestrado, em 1975.

“Os países desenvolvidos primeiro enriqueceram para, depois, envelhecerem. E nós vamos envelhecer em um país com muitos problemas sociais e pobreza. Vamos ser pioneiros. Seremos o laboratório de como envelhecer em um país que ainda não deu certo. Cinquenta anos depois, estamos aqui vendo aquilo que nem eu julgava que seria tão rápido. Essa foi minha única surpresa”, conta ele, que também é ex-diretor do Departamento de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) e atual presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil.

As Projeções de População do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, de 2000 para 2023, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase duplicou no País — passou de 8,7% para 15,6%. O total de idosos subiu de 15,2 milhões para 33 milhões. Em 2070, a estimativa é de que cerca de 37,8% da população do País seja composta por idosos.

Para Kalache, embora as projeções sejam claras, o Brasil está em “negacionismo total” de seu envelhecimento, o que se reflete em políticas públicas despreparadas para o que ele chama de “revolução da longevidade”.

É por esse motivo que ele faz questão de “envelhecer na sala de frente”. Para que os demais percebam que esse é o nosso futuro comum. Nesse sentido, ele parafraseia Angela Davis, a consagrada intelectual norte-americana: “Não basta você não ser idadista, você tem que ser anti-idadista.”

“Lembre-se de uma coisa fundamental: o idadismo vai te pegar. É só esperar e sobreviver. Ele atinge a todos. Dos preconceitos, talvez esse seja o mais democrático”, avisa o geriatra, que será um dos palestrantes do Summit Saúde e Bem-Estar do Estadão, que ocorre hoje e amanhã, 14, em São Paulo.

Confira a entrevista:

Por que envelhecemos ainda mais rápido do que você tinha imaginado?

Eu tinha muito claro de que ia acontecer, mas foi mais rápido, sobretudo pelas taxas de fecundidade que caíram de forma tão acentuada. Ninguém esperava isso. Inclusive, o meu professor de demografia afirmou taxativamente que a minha previsão sobre a queda da fecundidade era absurda. Eu tentava argumentar que, com as mulheres entrando no mercado de trabalho, elas não teriam mais o interesse de ter tantos filhos como suas avós, bisavós ou até mesmo suas mães. Além disso, havia uma coisa chamada pílula anticoncepcional, que facilitava muito o controle da fecundidade.

Leia também: Brasil vai ter que aprender a lidar com seu envelhecimento

Lembro-me do dia em que ouvi falar sobre a pílula pela primeira vez. Parecia ficção científica – como é que você pode tomar uma pílula e, simplesmente, não engravidar? Já existia a camisinha, mas era muito repudiada pelos homens e falha, pois o material não era resistente o suficiente. A tecnologia para o controle da fecundidade começou a acelerar. Já era revolucionária com o advento da pílula.

Isso explica porque, entre 1975 e o ano 2000, em apenas uma geração, a taxa de fecundidade caiu de 5,8 para 2,1. Desde 1998, ou seja, há 25 anos, estamos abaixo do nível de reposição populacional. É uma mudança muito rápida, que eu chamo de “revolução da longevidade”.

Pode falar da sua passagem pela OMS?

Fiquei 13 anos em Genebra. Foram anos maravilhosos. Aprendi muito pelo mundo afora, mas também fui, pouco a pouco, influenciando uma mudança de perspectiva. Em vez de se falar mal do envelhecimento, temos que celebrá-lo. Ao longo da história da humanidade, todas as civilizações buscavam a fonte da eterna juventude. No entanto, não existe juventude eterna e nunca vai existir. O fato é que, nos últimos cem anos, ganhamos um presente que nossos antepassados, nem mesmo nossos avós, poderiam imaginar: a possibilidade de envelhecer como regra, e não como exceção.

Em 1900, a expectativa de vida mais alta do mundo era na Alemanha, com 46 anos. Hoje, não há nenhum país no mundo com expectativa de vida tão baixa quanto a mais alta de cem anos atrás. Esse foi o fenômeno social que mais impactou a maneira como vivemos. Mas também representa um grande desafio, sobretudo para países como o Brasil, que estão envelhecendo de forma muito mais rápida, dentro de uma estrutura familiar muito diferente.

Estamos em uma encruzilhada: o que fazer para que o envelhecimento seja uma conquista a ser celebrada? Precisamos desenvolver políticas públicas adequadas, começando pela saúde, que é o pilar central do marco político do envelhecimento ativo. Em consulta com vários centros acadêmicos ao redor do mundo, a OMS lançou esse marco em 2002. Preferi chamá-lo de “envelhecimento ativo” em vez de “saudável”, porque acredito que você pode ter uma doença – hipertensão, diabetes, problemas osteomusculares, ou até mesmo depressão – mas, se essas condições estiverem controladas, você ainda pode continuar ativo na sociedade e contribuir com ela.

O primeiro pilar do envelhecimento ativo é a saúde. Ninguém quer envelhecer doente. Mas, em um país com tantas desigualdades sociais e fome, como alguém pode envelhecer bem se passou a infância, adolescência e idade adulta com fome? Como envelhecer bem sem acesso à água potável ou ao saneamento básico? O Brasil é um País onde existem 220 milhões de smartphones, mas muitas pessoas ainda têm os pés no esgoto.

Em 2030, Brasil será o quinto país com maior número de pessoas acima dos 60 anos. Foto: Reprodução/Internet

A saúde é criada no contexto do dia a dia, onde você mora, se locomove e trabalha. Isso gera saúde. Quando algo está errado, é necessário que profissionais de saúde estejam disponíveis para tratar as pessoas.

No entanto, as condições em que os futuros médicos estão aprendendo hoje são muito diferentes das realidades do envelhecimento. Atualmente, apenas 10% das escolas médicas têm a disciplina de geriatria. Independentemente da especialidade que escolham, todos precisam aprender mais sobre o envelhecimento

, pois tudo muda à medida que envelhecemos. Estamos formando médicos para o século XX, não para o século XXI. A Sociedade Brasileira de Geriatria aponta que o déficit de geriatras é de 28 mil profissionais.

O segundo pilar é o conhecimento, que envolve a aprendizagem ao longo da vida. É necessário aprender constantemente, da infância até à velhice, para que possamos nos tornar velhos viáveis e capazes de ser um recurso para nossas famílias.

 Leia também: Serão muitos os impactos do envelhecimento rápido dos brasileiros

O terceiro pilar é o direito de participar da sociedade. Não é um favor que a sociedade concede. Sempre digo: “saia do aposento”. A aposentadoria é uma palavra perversa, pois remete àquelas casas antigas do passado, onde se colocavam os velhos. Eu envelhecerei na sala da frente, ciente dos meus direitos e lutando por eles, sendo o ativista que sempre fui.

O senhor alerta para o envelhecimento populacional há décadas. Acha que nossas políticas públicas estão adaptadas para responder à transição demográfica?

Estamos muito atrasados e presos a uma negação do envelhecimento. O Brasil é um país hedonista, que valoriza a beleza eterna da juventude, como se fosse possível. No Brasil, o velho é sempre o outro. No Brasil, o maior elogio que se pode fazer é dizer que alguém não aparenta a idade que tem. Por que não podemos aparentar a idade que temos? Tem que cair a ficha. Porque, caso não caia, os políticos, por exemplo, não vão desenvolver políticas para essa área. Eles vão continuar achando que não são parte do grupo de idosos. Se não houver introspecção, se as pessoas não pensarem que estão no mesmo barco e precisam ser mais solidárias, não aprenderemos a cuidar uns dos outros.

Isso passa pelo idadismo. É sempre um preconceito de um grupo que, em geral, tem poder e que se acha valendo mais do que o outro. “Eu sou jovem, você é velho”. Esse grupo tem essa atitude, que é, na verdade, uma ideologia. Depois do “i”, de ideologia, vem o “i” de institucionalizar aquela ideologia. A pessoa no poder não vai promover alguém porque é mulher, não vai dar um emprego porque é negro, não vai contratar uma pessoa com deficiência porque já julgou que não será produtiva, não vai dar uma ultrassonografia ou fazer uma ressonância porque a pessoa é velha. Vimos isso na pandemia. O Brasil, com 3% da população mundial, foi responsável por 11% das mortes, porque quem morria era velho. E, na cabeça daqueles que mandavam, essas pessoas estavam atrapalhando. Deixaram morrer e seguiram em frente.

Aí vem o terceiro “i”, que é interpessoal. Isso acaba contaminando as relações do dia a dia. Você dá o silêncio para aquela pessoa, não a ouve, não a valoriza. Pensa que ela não tem nada a acrescentar. Isso complica, porque, aos poucos, a pessoa vai perdendo sua autoconfiança, sua autoestima. E tudo isso converge para o último “i”, que é a internalização. Você acaba convencido de que realmente não vale. Em um País tão desigual, há ainda o quinto “i” da inequidade. Isso complica mais ainda.

Nossas políticas são muito falhas. Se você pegar as plataformas dos partidos políticos para as eleições municipais, quantos realmente manifestaram uma política clara, uma plataforma real para um país que está envelhecendo tão rapidamente? Estamos em negação. Negacionismo total.

O senhor fala do cuidado. Onde cuidar dessa população envelhecida? Estamos pensando nisso? Já temos protocolos?

Estamos apenas começando. Temos uma rede que foi criada por causa da pandemia, a Frente Nacional de Fortalecimento das ILPIs. Se fôssemos esperar do governo, seria uma catástrofe total. A Karla Giacomin (geriatra e vice-presidente do ILC Brasil) percebeu o que estava acontecendo na Espanha, na França e na Itália, onde o vírus estava entrando e matando a população mais vulnerável, especialmente a institucionalizada. Ela percebeu que, quando chegasse ao Brasil, seria um horror. Daí, foram desenvolvidas muitas diretrizes. A sociedade civil fez o papel que o governo se negou ou não tinha competência para realizar.

Temos apenas 1% da população de idosos no Brasil que mora em ILPIs, o que já está longe do número absoluto ou proporcional de países como a Holanda. Isso acontece em parte por estigma, pois as famílias ainda são muito criticadas se colocam uma pessoa idosa em uma ILPI. Muitas vezes, a melhor solução é essa. De que adianta ficar em casa abandonado, sem nenhum cuidado e nenhum estímulo?

Precisamos de mais dessas instituições, mas também de centros-dias (onde uma pessoa possa passar o dia e receber cuidado especializado), para que o cuidador possa recarregar as baterias e se sentir humano de novo. É fogo criar uma criança pequena, a falta de sono crônica é massacrante. Mas você sabe que isso vai mudar, que vai passar. Porém, quando você está lidando com uma pessoa com demência em casa, a situação só tende a piorar.

Há esperança? Acha que as pessoas estão se dando conta?

Procuro ser otimista e acredito que hoje se fala mais sobre longevidade do que nunca, e isso é positivo.

Leia também: Veja as dez profissões do futuro ligadas ao envelhecimento da população brasileira

Informe Vida Adulta Inteligente

Receba nossos informativos Vida Adulta Inteligente

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Verifique sua caixa de entrada ou a pasta de spam para confirmar sua assinatura.

Next Post
Fernanda Montenegro chega aos 95 e fala da morte

Fernanda Montenegro chega aos 95 e fala da morte

Informe Vida Adulta Inteligente

Receba nossos informativos Vida Adulta Inteligente

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Verifique sua caixa de entrada ou a pasta de spam para confirmar sua assinatura.

Iniciei minhas atividades como jornalista na década de 70. Trabalhei em alguns dos principais veículos nacionais, como O Estado de S. Paulo e Jornal de Brasil. Mas a maior parte da minha carreira foi construída no exterior, trabalhando para a emissora britânica BBC, em Londres, onde vivi durante mais de 16 anos. No retorno ao Brasil, criei um jornal, do qual fui editora até me voltar para a internet. O 50emais ganhou vida em agosto de 2010. Escolhi o Rio de Janeiro para viver esta terceira fase da existência.

50emais © Customizado por AttonSites | Sergio Luz

  • Anuncie no Site
  • Contato
No Result
View All Result
  • Início
  • Clube de Vantagens
  • Saúde
  • Moda
  • Cultura
  • Intercâmbio e Turismo
  • Entrevistas
  • História de Vida
  • Comportamento
  • Vida Financeira

© 2022 50emais - Customizado por AttonSites.

google.com, pub-6507649514585438, DIRECT, f08c47fec0942fa0
google-site-verification=RdokOpUk5ttGOj7FPy4Cgxiz9sky4_-ws4YYW_Q7YcA
7861E1704C6516D7C6F094F738ACE9FE
Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições.

Canal de atendimento WhatsApp