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Brasileira quer ir a Marte sem passagem de volta

Por Maya Santana

Sandra Silva, 51, de Porto Velho, em Rondônia, é advogada e professora universitário

Sandra Silva, 51, é uma das 100 finalistas do projeto Mars One

Cada doido com sua mania. No caso da professora universitária Sandra Silva, de Rondônia, uma mania inusitada: ela quer fazer parte do projeto que levará homens e mulheres para Marte, com o objetivo de colonizar o planeta. O detalhe é que só têm garantida a ida. A brasileira, apaixonada por ciências, está entre os 100 primeiros finalistas do projeto, tocado por uma empresa holandesa, que vai selecionar 24 deles. “Já tenho 51 anos. Sonhei minha vida toda em fazer isso, desde pequenininha. E se você se depara com a possibilidade de realizar seu sonho e não vai, isso é covardia pura”, disse ela à BBC Brasil nesta entrevista feita por Camilla Costa.

Leia:

O dia de Sandra Silva parece ter mais horas do que o normal. A professora de 51 anos, que vive em Porto Velho (RO), ensina administração e sistemas de informação em uma universidade, atende em um escritório como advogada, faz design de aquários e escreve uma saga de ficção científica “à la Dan Brown” nas horas vagas. Em meio a todas estas atividades, ainda se prepara para ir à Marte – sem data para voltar. A brasileira é uma das cem finalistas no processo seletivo do polêmico projeto Mars One, da ONG holandesa homônima, que pretende começar uma colônia terráquea no planeta vermelho a partir de 2025.

A empreitada envolve cientistas especializados em projetos de exploração espacial de 13 países e tem como um de seus maiores embaixadores o físico teórico Gerard ‘t Hooft, Nobel de Física em 1999.

No entanto, o plano para levar o grupo de 24 pessoas até Marte tem sido criticado por instituições como o MIT (Massachussets Institute of Technology). Recentemente, engenheiros do instituto sugeriram mudanças no projeto, afirmando que os colonos poderiam começar a morrer após três meses no novo habitat.

Sandra, no entanto, não demonstra receio. Fã do clássico de ficção científica Duna (saga ambientada em colônias humanas instaladas em outros planetas após o abandono da Terra), ela diz que sua paixão pela ciência pode levá-la até onde nenhum homem jamais foi. Até o início do ano, ela também ensinava ciências a alunos do ensino médio na rede pública.

“Eu sou apaixonada pelo negócio mesmo (pelo espaço), não tem jeito. Eu pensei muito, já tenho 51 anos. Sonhei minha vida toda em fazer isso, desde pequenininha. E se você se depara com a possibilidade de realizar seu sonho e não vai, isso é covardia pura”, disse à BBC Brasil.
Confira os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil: O projeto enfrenta críticas e ceticismo dentro e fora da comunidade científica. Você acredita que uma colônia em Marte será possível?
Sandra Silva: Acho que não é uma questão de “se”, mas de quando vai acontecer. O homem vai a Marte, isso é inevitável. Nesse momento, já sabemos que isso tem condições de ser feito. Vamos fazer uma colônia em Marte e quem sabe em 500 anos Marte vai estar formada, como a Terra. Mas tem que começar, senão não vai acontecer nunca.
No Brasil, muitas pessoas não levam isso a sério. Elas não conseguem perceber que isso pode ser real, porque falta conhecimento, e tratam isso como piada. Acho ofensivo, porque são pessoas sérias, que trabalharam a vida inteira em projetos na área espacial. Não é brincadeira, é um projeto sério. Ninguém ia pegar US$ 6 bilhões para mandar pessoas para a morte.

Quando eu me deparei com esse projeto na internet, também pensei “que maluquice será essa?”. Mas resolvi ler mais a respeito e percebi que havia uma alta viabilidade técnica. Fui saber quem eram os responsáveis e vi que eram pessoas que já haviam trabalhado com a NASA, com a ESA (Agência Espacial Europeia), com a Agência Espacial Japonesa. Essas pessoas não são malucas, elas não iriam arriscar sua reputação para fazer algo que não fosse sério.

Também disseram que chegar à Lua era impossível, mas a viabilidade técnica desse projeto é maior do que era a da Apollo 11. Quando lançaram a Apollo 11, aquele módulo lunar nunca havia sido testado! Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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EDNA LUCIA RODRIGUES 12 de março de 2015 - 13:42

Eu particularmente não queria ir para o planeta Marte, mas acho que vai aparecer muitos corajosos que vão participar dessa colonização. Se lá tem meios de vida semelhante a terra, água, ar, fica fácil.

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