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Brasileiro imigrante chega a vice-presidente de banco em Londres

Por Maya Santana

Fabiano Ferreira comeu o páo que o diabo amassou antes de se tornar gerente de banco

Fabiano Ferreira comeu o páo que o diabo amassou antes de se tornar gerente de banco

Luis Guilherme Barrucho, BBC Brasil –

Há 12 anos, no banco de um parque em Londres, o sorocabano Fabiano Ferreira sentou e chorou compulsivamente. As lágrimas só foram interrompidas com o acalento da voz da mãe, do outro da linha ─ e do oceano Atlântico. Foram menos de dez minutos de conversa no celular pré-pago, o suficiente para assegurar sua volta por cima.

Era o 44º dia de uma estada na capital britânica, que poderia terminar na manhã seguinte, quando estava marcado seu voo de retorno ao Brasil. Mas Ferreira não pegou o avião de volta. Optou, em vez disso, por enfrentar a saudade da família e as dificuldades da vida de imigrante para um novo começo longe do país natal.

Ferreira tinha vindo para Londres para fazer um curso. Conta ter abdicado do carro de luxo, do apartamento em um bairro chique de São Paulo e do emprego em uma consultoria de investimentos. Apesar de ter concluído duas graduações e uma pós no Brasil, não conseguia trabalho no Reino Unido. “Não me chamavam nem para servir café”, confessa.

Para não gastar as economias, decidiu limpar privadas e trabalhar como garçom em um restaurante. Hoje, é vice-presidente de um dos principais bancos da Inglaterra e não pensa em voltar para o Brasil.

O paulista aos 28 anos, quando chegou à Inglaterra

O paulista aos 28 anos, quando chegou à Inglaterra

Ferreira tem o perfil do imigrante brasileiro traçado pelo estudo Diversidades de Oportunidades: Brasileir@s no Reino Unido, 2013-2014, do GEB (Grupo de Estudos Sobre Brasileiros no Reino Unido): aquele que, com nível educacional mais alto, decide emigrar não mais apenas atrás de dinheiro, mas de uma “experiência de vida”, ainda que, em muitos casos, isso represente momentaneamente cair algumas posições na pirâmide social. Além disso, está mais enraizado e integrado à sociedade britânica, e não tem previsão de retorno ao Brasil.

Entre as razões apontadas para essa mudança de perfil, segundo o estudo, estão a ascensão da classe C no Brasil e um controle de imigração mais rígido por parte do governo britânico.

“O imigrante sem educação formal que vem para o Reino Unido para trabalhar por um tempo, ganhar dinheiro e depois voltar ao Brasil ainda existe, mas nosso estudo mostra que ele já não é mais maioria”, afirmou Ana Souza, professora da Universidade Oxford Brookes e uma das autoras da pesquisa.

“Em 2003, eu tinha 28 anos e um emprego que me proporcionava privilégios atípicos para a minha idade: dirigia carro importado, morava sozinho em um apartamento em um bairro chique de São Paulo e já tinha morado fora, nos Estados Unidos.

Mas trabalhava muito, de 14 a 16 horas por dia. O trânsito infernal de São Paulo me massacrava. Algo estava errado na minha vida ─ e eu precisava de um tempo para mim.

Foi quando decidi fazer um curso de finanças em Londres. Queria ir para Boston (EUA), onde já havia morado a trabalho, mas acabei escolhendo o Reino Unido pela facilidade do visto. Como tenho passaporte europeu, herança dos meus avós portugueses, poderia permanecer aqui o tempo que quisesse. Clique aqui para ler mais.

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