Brasileiros se planejam mais para a aposentadoria

Por Maya Santana
Oftalmologista João Eugênio Gonçalves: 77, "Se eu parar, meu cérebro atrofia"

Dr. João Eugênio Gonçalves: 77, “Se eu parar, meu cérebro atrofia”

Quem não se prepara para a aposentadoria corre o risco de se deparar com uma das piores etapas da vida, enfrentando desânimo, depressão, sentindo um enorme vazio existencial. Já chegaram até a dizer que a aposentadoria “faz mal à saúde”. Estudos mostram que as pessoas deveriam trabalhar mais tempo ou se reinventar depois dos 60, porque a aposentadoria pode levar – e levará se você não se cuidar – a uma deterioração da saúde física e mental. Nesta reportagem, escrita por Renata Rusky para o Portal Uai, você vai ver que os brasileiros, de uma maneira geral, estão se planejando melhor para se aposentar.

Leia este artigo publicado pelo portal Uai:

João Eugênio Gonçalves, 77 anos, oftalmologista, é um dos médicos pioneiros de Brasília. Trabalha desde 1957. Considerado por muitos um workaholic (viciado em trabalho), ele não pensa em parar. Ainda faz consultas, cirurgias, frequenta congressos de oftalmologia no Brasil e no exterior — no ano passado, esteve em Chicago. Também estuda todos os dias: cerca de quatro horas, até 1h da madrugada. “Se eu quero continuar trabalhando, preciso me manter bem informado. Médico não pode estar desatualizado”, justifica.

Para ele, aposentar-se sempre esteve fora de cogitação: “Quero morrer em pé, trabalhando. Se eu parar, meu cérebro atrofia”. Quando foi obrigado a deixar o emprego no Hospital Materno Infantil de Brasília, o Hmib, com a aposentadoria compulsória, aos 60 anos, ele passou a preencher aquele tempo com atendimentos voluntários no Na Rede Sarah de Hospitais e continuou atendendo em sua clínica no Lago Sul. Segundo ele, permanecerá atuando na medicina enquanto seu corpo e sua mente estiverem bem. E ele acredita que são o trabalho e os estudos que o mantêm assim.

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Estudo publicado, no ano passado, pelo centro de pesquisas da Institute of Economics Affairs (IEA), de Londres, na Inglaterra, confirma o que o oftalmologista defende: a aposentadoria levaria a um “drástico declínio da saúde” a médio e longo prazos. De acordo com o trabalho, as pessoas deveriam trabalhar por mais tempo por questões de saúde física e mental.

A pesquisa comparou as pessoas que se aposentaram com a idade mínima necessária com as que continuaram a trabalhar mesmo depois de aptas a saírem de cena. A descoberta foi que há uma pequena melhora na saúde e na qualidade de vida imediatamente após a aposentadoria, mas uma queda significativa no funcionamento do organismo desses indivíduos a longo prazo. Segundo a pesquisa, a aposentadoria pode elevar em 40% as chances de se desenvolver depressão, enquanto aumenta em 60% a possibilidade do aparecimento de um problema físico. O resultados são os mesmos tanto para homens quanto para mulheres.

Se, por um lado, segundo a Organização Mundial de Saúde, a depressão é uma das maiores causas de aposentadoria por invalidez, por outro, aposentar-se pode ter um efeito desastroso para muita gente. É importante se sentir útil. “Cabeça vazia, oficina do diabo”, já dizia o ditado. A psiquiatra Célia Petrossi Gallo acredita que o problema da depressão ou a simples tristeza ao aposentar-se acontece, principalmente, com aquelas pessoas que passaram muito tempo com a vida focada em uma atividade só: o trabalho. Por isso, para ela, é importante que todos construam uma base com várias atividades ao longo da vida. “Deve-se ter um vínculo de amizade fora do trabalho, para não se sentir afastada das pessoas quando parar de encontrar os colegas na empresa todos os dias, e ter atividades de lazer fazem parte da prevenção e da promoção da saúde mental. Isso tanto para trabalhadores quanto para aposentados”, alerta a médica.

Em média, o brasileiro aposenta-se aos 53 anos. Para os homens, isso significa mais de 20 anos afastado do emprego. Para as mulheres, quase 30, de acordo com os dados do IBGE sobre a expectativa de vida do brasileiro — de 74,6 para homens e de 78,3 para mulheres. Isso faz com que muitos considerem o Brasil um país de jovens aposentados, já que, aqui, não há idade mínima para a aposentadoria — homens podem parar de trabalhar após 35 anos de contribuição previdenciária e mulheres, 30 anos. Clique aqui para ler mais.


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