Brasília e os sinais do tempo

Por Maya Santana
Um recanto da cidade  como em qualquer ou capital do país

Um recanto da cidade parecido com o de outras capitais do país

Isabel Perez

Para uma cidade com cinquenta e um pouco mais – precisamente 53 anos e meio -, Brasília mostra precocemente os sinais do tempo em suas áreas comerciais envelhecidas e, muitas vezes, degradadas. Mas é nesses lugares que se pode encontrar também muito de sua curta história de cidade planejada e construída a toque de caixa.

O Setor Comercial Sul, ou SCS para compor a sopa de letrinhas dos endereços típicos da capital federal, é um desses lugares. Ali, em meio aos primeiros prédios de cunho comercial e privado da cidade, onde o setor público tem uma presença absolutamente dominante, é possível ver um cenário muito parecido com as áreas centrais das metrópoles brasileiras. Pense nas ruas Tupis e Espírito Santo, em Belo Horizonte, ou nas proximidades da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, para citar alguns exemplos. 

Camelôs com seus CDs e DVDs espalhados

Camelôs com seus CDs e DVDs espalhados

Uma mistura animada de camelôs, com os seus DVDs e CDs piratas ou peças de roupas femininas íntimas expostas a céu aberto, mais as várias lojas de loterias, os cafés com os salgadinhos de tamanho generoso, os guardadores de carro a exigir pagamento antecipado – tudo isso forma uma porção mais do que brasileira de uma cidade acostumada a ser vista de dentro de seus prédios monumentais e de suas intrincadas estruturas de poder.

Adicione-se a esse cenário nomes de prédios como Oscar Niemeyer, JK, Maristela (homenagem a uma das filhas do fundador da cidade), Antônio Venâncio (um dos pioneiros da construção da capital), mais tantos outros edifícios espremidos por uma montanha de carros, e tem-se a Brasília profunda, bem ali pertinho da Esplanada dos Ministérios.

Alguns podem achar que é mais uma amostra do descaso dos governantes com as cidades que habitamos – e quem há de negar que estarão dizendo a verdade? Outros podem antever o futuro tenebroso que aguarda a capital da República à medida que os anos avançam. Talvez seja só a ação do tempo carcomendo o concreto de edifícios precários e a superfície de vidas à deriva.


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