Cabelos mais curtos ou longos depois dos 50 anos?

Por Maya Santana
A artista plástica Olga Velho defende o cabelo comprido

A artista plástica Olga Velho defende o cabelo comprido

Patrícia Rocha

Quando deixa o salão de beleza, a procuradora do Ministério Público do Trabalho Zulma Veloz não raro percebe olhares de admiração para seus cabelos. Mas o corte com pontas que emolduram o rosto, as luzes feitas regularmente e o leve movimento obtido com uma escova caprichada dizem mais do que ali vai uma mulher vaidosa e que gosta de se cuidar. Os fios que balançam abaixo dos ombros de Zulma e de cada vez mais mulheres acima de 50 anos decretam o fim de uma antiga convenção: cabelo comprido não tem mais idade.

Nas palavras de Zulma, há um recado implícito:  ” O que meu cabelo tem a dizer é que sou uma mulher de 53 anos, sexualmente ativa, que me cuido e estou bem com meu corpo, que me sinto livre para o que me faz bem e que não estou preocupada se alguém acha que isso não é próprio para minha idade.”

Historicamente, os cabelos de uma mulher representam muito mais do que as preferências estéticas da dona ou o corte da moda. Símbolo milenar de sensualidade e feminilidade, os cabelos consagraram-se como objetos de tentação e desejo no imaginário coletivo, tornando-se alvo de convenções e interdições ao longo dos séculos e em diferentes culturas: da sinhazinha do Brasil colonial, que só soltava as madeixas na intimidade, diante do marido, às muçulmanas que ainda hoje seguem o costume de cobrir a cabeça em público.

Psiquiatra Dorli Kamkhagi, 56 anos, outra adepta das madeixas longas

Psiquiatra Dorli Kamkhagi, 56 anos, outra adepta das madeixas longas

O simbolismo do cabelo, contudo não se encerra no jogo de esconder/revelar. Cortar os cabelos já foi uma forma de punição imposta a mulheres de diferentes épocas, um cartão de visitas daquelas que queriam romper com os padrões vigentes e representa, ainda hoje, a demarcação de que a idade está a caminho.

— É como se, ao envelhecer, além de perder a menstruação, as mulheres fossem perdendo também o poder de sedução, e cortar o cabelo seria, simbolicamente, tirá-las desse lugar da sedução – avalia a psicanalista Dorli Kamkhagi, especializada em gerontologia e coordenadora do Grupo de Gênero do Amadurecimento do Instituto de Psiquiatria no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Zulma Veloz (à esquerda), procuradora do Ministério Público do Trabalho, 53 anos

Zulma Veloz (à esquerda), procuradora do Ministério Público do Trabalho, 53 anos

Com o aumento da longevidade e a melhora da qualidade de vida que cunharam a máxima de que os 60 são os novos 40, convenções como essa são revistas. A mulher que chega hoje aos 50, destaca a psicanalista, quer estar bem com seu corpo e viver sua sensualidade – e, para algumas, o cabelo pode simbolizar esse desejo. Dorli não fala apenas por experiência profissional, mas também como uma mulher com mais de 50 e longos cabelos pretos bem abaixo dos ombros:

— Há alguns anos, já aos 30, a mulher tinha de cortar o cabelo. Quando fiz 30, todos me perguntavam quando cortaria. Hoje, aos 56 anos, ainda uso os cabelos compridos e não pretendo cortá-los. Leia mais no Zero Hora

 


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9 Comentários

Maria Lenira Albuquerque 30 de dezembro de 2017 - 12:16

Meu cabelo e Eu , somos muito próximo um do outro. Não queremos nos separar… Amo-o por demais… A cor fugiu com o tempo… Pois somos muito antigos , e desbotou…mas não ficamos tristes não! pois nós temos o mesmo gosto…amamos coisas retrô. Espero tê-los por longos e longos anos e que nós nunca nos separaremos , até com a morte iremos ficar juntos por toda Eternidade… Meu grande amor Eterno…

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Victoria 29 de dezembro de 2017 - 23:08

Cabelo longo lembra juventude. Em coroas fica deslocado, estranho. Um curto estiloso ou um médio chic valorizam o visual das maduras.

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Mariana 29 de dezembro de 2017 - 22:54

O cabelo comprido fica muito bem em mulheres jovens. Depois de uma certa idade fica aquela impressão de uma coisa fora do lugar, que não combina com o conjunto e, não raro até pesa na fisionomia, envelhecendo. Mas não é necessário usar cabelo curto, há cortes de tamanho médio que ficam lindos também nas coroas.

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Isabel 6 de dezembro de 2016 - 19:25

Eu tenho 60 anos e uso meu cabelo comprido. Aliás sou linda, lisa e loira, além de ter barriga negativa.
Já fui gorda, usei cabelo curtinho e castanhos. Hoje me sinto muito melhor que a 10 anos atrás, ainda trabalho, saio com amigas para balada, pizzaria, barzinho, teatro e viagens. Sou ativa sexualmente e gosto de rapazes na faixa dos 40 anos. Como sou da área da saúde me cuido muito.
Espero chegar aos 80 anos bem, linda e loira….bjs

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Isilda Aparecida Degrossoli Meschiati 2 de dezembro de 2016 - 21:34

Sem dúvidas nenhuma “CURTO”, após 50 anos simplificar os trabalhos aproveitar o máximo nosso tempo,facilidade para assumir os cabelos brancos.

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Ana Lucia Marques Furtado 10 de maio de 2014 - 03:03

Acabei de completar 50 anos. Meus cabelos são compridos e estamos tendo uma ótima relação de amor. Nunca me senti tão bela como agora.

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Vanda Maria da Silva Gomes 8 de maio de 2014 - 23:36

O cabelo é a moldura do rosto, eu particularmente não gosto dele muito curto, prefiro um meio termo e um corte bem moderno.

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monica minelli 18 de março de 2013 - 02:28

Uma questão pessoal,,,, cabelo, na minha opinião, sempre foi a moldura do rosto. Prefiro cabelos curtos,,, e, após os 50,,,,,redobro minha opinião.
bjo

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Juscelina 17 de março de 2013 - 20:13

Já estou me preparando de novo para deixar os cabelos brancos, sem tintura! Tentei algumas vezes mas no Brasil ainda é sinal de velhice!!!!

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