Camille Claudel: mais artista do que louca

Por Maya Santana
A artista aos 20 anos de idade. Ela morreu há 70 anos

A artista aos 20 anos de idade. Camille morreu há 70 anos

Em 1962, Pierre Claudel, sobrinho da escultora francesa Camille Claudel (1864-1943), escreveu ao prefeito da pequena Montfavet solicitando os restos mortais da tia, falecida quase 20 anos antes no manicômio daquela cidade. O filho mais velho do diplomata e poeta Paul Claudel, irmão dileto de Camille, desejava dar à artista uma sepultura mais digna em Villeneuve-sur-Frère, sua cidade natal. Em resposta, recebeu a estarrecedora informação de que a sepultura de número 392, onde mademoiselle Claudel fora enterrada, havia desaparecido.

Não fosse pelas obras que deixou, nada mais haveria restado de Camille, uma mulher do século XIX que pagou com o isolamento social a afronta de se tornar um prodígio artístico em um meio dominado por homens. Cem anos após ser internada no hospital psiquiátrico, em 10 de março de 1913, e 70 anos depois de sua morte, uma série de eventos culturais, incluindo duas peças brasileiras, celebram a memória da artista que, durante muitas décadas, era lembrada apenas como a amante maluca do escultor Auguste Rodin (1840-1917).

 A Valsa, de 1892, uma das grandes criações da artista

A Valsa, de 1892, uma das grandes criações da artista

— Uma mulher abraçar uma atividade artística não era considerado natural no século XIX. Raras foram as escultoras que conseguiram conquistar o reconhecimento que Camille teve. Daí não podermos desconsiderar totalmente a importância de Rodin. Enquanto esteve com ele, Camille foi duramente criticada pela imprensa. Mas, sem o apoio de Rodin, teria sido quase impossível para ela construir um nome sozinha — pondera Mireille Tissier, curadora do multievento “Camille Claudel: From grace to exile”, que acontece entre 30 de março e 2 de junho no Musée des Arcades do Hospital Central de Montfavet, nos arredores de Avignon.

Hospital Central é o nome atual do asilo de Montdevergues, onde Camille passou os últimos 29 anos de sua vida, derrotada pela tortura e pela loucura. O evento francês inclui uma exposição de pinturas e de 13 esculturas em bronze da artista, cedidas por Reine Marie Paris, sua sobrinha-neta; um alentado simpósio sobre os diversos aspectos de sua vida e da carreira; e espetáculos de dança e teatro. A homenagem também prevê a exibição do longa-metragem “Camille Claudel, 1915”, de Bruno Dumont, exibido no recém-encerrado Festival de Berlim, que chega ao circuito francês amanhã e ainda não tem data de estreia no Brasil. Leia mais em O Globo


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