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Cápsula orgânica transforma mortos em árvores

Por Maya Santana

A ideia é transformar os cemitérios em bosque com todo tipo de árvore

A ideia é transformar os cemitérios em bosques verdejantes

Eu achei a ideia destes dois italianos sensacional. Ao invés de enterrar as pessoas em caixões ou cremar, o corpo é colocado numa espécie de cápsula orgânica, plantada no solo envolta nas raízes de uma muda de árvore, cuja espécie cada um pode escolher ainda em vida.Como li em um artigo “é vida se transformando em vida — a morte fica em segundo plano.”

Leia os detalhes do projeto:

Os designers italianos Anna Citelli e Raoul Bretzel são os autores do Capsula Mundi, projeto apresentado como uma alternativa aos cemitérios tradicionais. A dupla criou uma cápsula biodegradável em forma de ovo para que ali sejam depositados restos mortais humanos. O toque final é que a cápsula será plantada no solo envolta nas raízes de uma muda de árvore, cuja espécie será selecionada por cada um ainda em vida. Depois que a pessoa se for, familiares e amigos assumirão os cuidados com a planta. Segundo os autores, o intuito é transformar cemitérios em florestas sagradas, onde cada árvore manterá viva a memória de alguém que se foi. Há alguns detalhes um tanto esquisitos, como a proposta de que o morto seja colocado dentro da cápsula em posição fetal e a expectativa de que a árvore se alimente dos corpos em decomposição. Tudo isso, somado a restrições legais e religiosas, faz com que o Capsula Mundi não passe de um protótipo. E provavelmente não passará disso, já que embute sérias questões práticas.

Em qualquer cemitério, a alta quantidade de carga biológica que penetra no subsolo contém altos índices de bactérias e vírus, o que facilmente pode se transformar em foco de transmissão de doenças e de contaminação de áreas próximas e até mesmo de lençóis freáticos. Para evitar que isso aconteça, é preciso controlar a qualidade do solo a partir de poços subterrâneos de monitoramento.

O projeto é de dois italianos, para transformar a morte em vida

O projeto é de dois italianos, para transformar a morte em vida

Já na superfície, cemitérios tradicionais demandam serviços de zeladoria e segurança para impedir saques e depredações, além do surgimento de focos de dengue e outros problemas do tipo. O projeto Capsula Mundi não deixa claro quem arcará com a manutenção das árvores (podas, eventuais quedas, surgimento de doenças e parasitas) nem como será feito o controle ambiental. Delegar a familiares e amigos dos mortos pode parecer romântico na teoria, mas na prática garante que ao longo do tempo ninguém se responsabilize pela tarefa — além de dispendiosa, a manutenção de um cemitério é eterna.

Alternativas vêm sendo testadas com diferentes graus de sucesso por todo o mundo. Criados para estar nas bordas, os cemitérios mais antigos hoje ocupam as áreas centrais de várias cidades – não porque tenham mudado de lugar, mas porque as cidades crescem rapidamente. Tornam-se então pequenas ilhas cercadas de edificações por todos os lados, o que também os impede de ser ampliados e modernizados. E, quanto mais o tempo passa, maior o número de mortos que precisam ser acomodados. Estima-se que por ano 55 milhões de pessoas morram em todo o mundo, o equivalente a 0,8% do total ou a população da Inglaterra.

Países como Singapura, Alemanha e Bélgica oferecem jazigos gratuitos pelos primeiros vinte anos. Depois desse tempo, as famílias têm a opção de assumir uma espécie de aluguel ou então de autorizar a remoção dos corpos para vagas mais profundas ou mesmo comuns. Em outros países, esse tipo de mudança é interpretada como desrespeito a preceitos religiosos.Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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Genoveva 31 de maio de 2015 - 09:53

Muito interessante nos lembrarmos desse poema de um autor brasileiro muito conhecido.
Esta poesia sempre teve um significado especial para mim, que a conheci quando fazia o terceiro ano da escola primária estando então com nove anos de idade. Hoje estou com 62 anos e ainda a guardo comigo, devido a emoção que me causou na epoca em que a levei para minha professora.
Genoveva

A árvore da serra (Augusto dos Anjos – 1884-1914)

– As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho…
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros… no junquilho…
Esta árvore, meu pai, possui minh’alma!…

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

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