Catadora de papel: Nunca é tarde para mudar a vida

Por Maya Santana
Maria Nazaré, 55, vai começar a frequentar a faculdade

Maria Nazaré dos Santos, 55, começa a frequentar a faculdade

Uma história inspiradora a de Maria Nazaré dos Santos. De origem humilde, teve que fazer um esforço supremo, mas conseguiu realizar seu sonho: . começou nesta segunda feira a frequentar o curso de Direito.

Leia os detalhes da história nesse artigo do portal G1

Entre os alunos que começam amanhã o curso de Direito da UFF está Maria Nazaré dos Santos. Ela foge ao perfil tradicional de seus colegas. A começar pela idade, 55 anos. Depois, pela profissão: é catadora de alixo. Nascida em Viçosa (MG), filha de lavradores, foi cedo com a avó materna para Volta Redonda, após a separação dos pais — ele ficou em Minas e a mãe foi ser empregada doméstica no Rio. Aos 16 anos, foi a vez de Nazaré virar doméstica, e também babá. Morou em Barra do Piraí, Barra Mansa, Angra dos Reis, Praia Grande (SP), no Rio e, de novo, em Volta Redonda, onde vive até hoje, num morro no bairro de Belo Horizonte.

É no campus da cidade que ela vai estudar. Uma das coordenadoras do movimento nacional de catadores de lixo, tirou boa nota no Enem e entrou pelo sistema de cotas. Ficou indecisa entre Psicologia e Direito. “Gosto muito de estudar a mente humana. Mas optei por brigar pela minha profissão. Os catadores têm muitos direitos conquistados que não são aplicados.” Retomar os estudos, já mais velha, lhe permitiu assinar a carteira de trabalho pela primeira vez na vida. Nazaré acredita que vai encontrar um ambiente bom na universidade. “Tenho facilidade de relacionamento.”

Parei de estudar aos 16 anos, por causa de meu trabalho como babá e empregada doméstica. Comecei a repetir de ano e acabei interrompendo na sexta série do Ensino Médio. Tempos depois, tive depressão e fiquei também sem trabalhar. Não tinha condições de cuidar de crianças. As pessoas não entendem a depressão como doença, mas perdi de oito a dez anos da minha vida por causa dela. Nas crises, tinha mania de andar sem rumo. Queria ficar perto de mais gente, então passei a fazer os cursinhos que via na rua: de garçom, costureira, salgadeira, serigrafia. Um dia, vi uma clínica gratuita da prefeitura. Lá, fiz terapia de grupo, me consultei com psiquiatra. Era um tratamento pesado, piorei, parei com os remédios, comecei a reagir. Voltei a trabalhar, fui auxiliar de limpeza, recepcionista em academia de ginástica.

E como você virou catadora de lixo?

Nessas andanças pela rua, eu via que os catadores recolhiam material, vendiam e usavam o dinheiro para beber e comprar drogas. E aí, na clínica, encontrava essas mesmas pessoas internadas por causa da bebida e das drogas. Pensei: “Por que não vou reciclar e, em vez de gastar como eles, uso para me sustentar?” Uma vizinha catadora me levou um dia com ela, em 2001. Fui com uma vergonha danada. Catação na época era mal vista, mexer com isso era encarado com nojo. Durante três meses, eu revirei lixo, mexia em latão, mas não gostava. Sugeri então aos moradores da comunidade que pegassem o lixo que produziam, fizessem uma coleta seletiva e me entregassem. Ganhamos todos, porque as enchentes da região diminuíram. Clique aqui para ler mais.


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3 Comentários

nano 16 de dezembro de 2015 - 20:29

Nazaré,conheço desde a infância ,vida sofrida,mas digna.Parabéns vc é uma vencedora.

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lisa santana 2 de setembro de 2014 - 10:52

Histórias de superação são sempre boas para quem superou e para quem as escuta.

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monica minelli 1 de setembro de 2014 - 23:51

Força de vontade, resiliência e coragem = Realização de um sonho.
bjo

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