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Chanel: A guardiã da tradição

Por Maya Santana

 

Homenagem à Elizabeth I. À direita, modelo escocesa Stella Tennant e o estilista Karl Lagerfeld

Homenagem à Elizabeth I. À direita, modelo escocesa Stella Tennant e o estilista Karl Lagerfeld

Bruno Astuto
De Edimburgo

Num mundo cada vez mais voltado para os gigantes do fast fashion, que produzem peças em série a baixíssimo custo na Índia, na China e no Sudeste Asiático, será que ainda há espaço para a mão de obra de artesãos especializados, que podem levar de três a cinco dias para concluir um único bordado? A resposta está no investimento maciço da grife francesa Chanel para comprar os dez ateliês mais antigos e glamourosos da Europa. Eles provavelmente teriam fechado as portas, caso a Chanel não os tivesse preservado.

A industrialização da moda restringe o espaço para esse tipo de produção, que demanda tempo, altíssima especialização e dinheiro. Desde 2002, por iniciativa do estilista Karl Lagerfeld, a Chanel vem comprando e juntando esses ateliês numa espécie de holding batizada de Paraffection. Fazem parte dela a Lesage, de bordados; a Desrues, de bijuterias e botões; a Lemarié, de plumas; a Guillet, de flores de tecido; a Michel, de acessórios de cabeça; a Massaro, de sapatos; a Gossens, de joias e ourivesaria; a Montex, de bordados em crochê; e a Causse, de luvas.

Modelo desfila cardigã e tweed da Barrie, marca escocesa adquirida pela Chanel

Modelo desfila cardigã e tweed da Barrie, marca escocesa adquirida pela Chanel

última aquisição da Chanel, a Barrie Knitwear, tradicional marca escocesa de cashmere e tricô, é a mais perfeita tradução daquilo que a maison francesa deseja preservar. Fundada no início do século passado na cidade de Hawick, na Escócia, a Barrie estava ameaçada de fechar as portas desde agosto, assolada pelos problemas financeiros e administrativos do grupo Dawson International, seu então controlador. O caso gerou comoção no Reino Unido. Sindicatos e governo tentavam achar uma solução para evitar que 176 artesãos fossem postos na rua – até que a Chanel anunciou a compra em outubro. Ao apostar na alta qualificação da mão de obra, a Chanel mostra que é possível conservar a aura de exclusividade e glamour que ainda persevera nos centros de produção históricos da Europa.

“A compra dos ateliês é uma questão de sobrevivência de nosso ofício. Sem eles, muitas técnicas seriam perdidas, e isso seria um dano terrível para a moda”, disse Lagerfeld a ÉPOCA. “Ainda acredito que há certas coisas em que uma máquina jamais substituirá o talento humano.” É essa crença na fusão do industrial e do artesanal que vem mantendo a Chanel no panteão da excelência e na bilionária liderança do mercado de luxo. “Por essa aquisição, reafirmamos nosso compromisso com a expertise e o artesanato tradicionais e nosso propósito de salvar o futuro e apoiar o desenvolvimento da Barrie”, diz Bruno Pavlovsky, presidente da Chanel. A Barrie continuará a fornecer seus produtos para outras grifes, mas a prioridade de produção será definida por Lagerfeld.  Leia mais em www.epoca.com.br

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