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Cheguei aos 63. Sem pressa

Por Maya Santana

Déa com o grande amigo Reinaldo, o eterno herói do Atlético mineiro

Déa com o grande amigo Reinaldo, eterno herói do Atlético mineiro

Déa Januzzi –

Cheguei, cheguei aos 63 anos! Não tive pressa – nem tenho mais – muito menos quero pódio para o meu 63º aniversário nem mais competir comigo mesma. Nem com os outros. Comemoração só com os cinco ou seis amigos que continuam firmes comigo nessa jornada rumo ao envelhecer da vida. Mas eles são fiéis, mesmo que não compareçam fisicamente. A presença deles é outra. Está escrita nos ventos do Universo, na poeira das estrelas.

Eles são fiéis e dizem assim: “O que eu te desejo, hoje, Déa, é que você esteja guardada pelo manto de todas as Marias e pela simplicidade de todas as Anas”, desejou a minha amiga da montanha, a primeira a se lembrar de mim e me ligar bem cedinho no dia do meu aniversário. Amanheci e me cobri com as palavras dela, que vão ressoar em mim por tempos.

Depois veio a minha amiga artista plástica, de olhos muito azuis e uma beleza que não é deste mundo. Ela colore o mundo e as minha emoções, borda sem dar pontos, sem nós e continua firme nas pinceladas da arte.

Fazer 63 anos é receber felicitações no facebook e continuar comemorando particularmente, gostando de ver o que cada um escreve, o que a gente passa para o outro nesta e em outras vidas. É lembrar que já não tem pai nem mãe nem o irmão querido e que as outras irmãs são reféns das próprias histórias. A mais nova, porém, é minha companheira, fica grudada em mim, apesar de algumas diferenças. A terceira irmã, que também é chegadíssima em mim, hoje tem outras preocupações. Está enroscada nos nós da vida. Mas continua junto, mesmo que distante.

Fazer 63 anos é almoçar com a minha amiga internacional, blogueira inveterada, que acaba de chegar de Paris, mas não gosta de sair à noite. Ela me nutre, me abastece, me encanta, apesar de não estar disponível o tempo todo.

Tenho também leitores antigos que são fiéis escudeiros e que me acariciam com palavras, que não me abandonam nunca, que nunca me deixam sentir sozinha. Tenho amigas históricas que me acompanham nas tempestades. Uma delas está apaixonada e seus olhos verdes irradiam felicidade pelos cantos. Mais nova, ela me cobra sair de casa e tem dias que eu aceito a convocação.

Fazer 63 anos é se ver no filho, de 31, e saber que jovem é ele. É perdoar, não guardar nenhuma mágoa no coração, para que não fique pingando que nem veneno de cobra. É não ter mais tempo para o que não interessa, para o descartável, para amizades por interesse. É ter o Rei do Clube Atlético Mineiro, Reinaldo Lima como irmão do coração, que substitui, com competência, a orfandade biológica. É receber de presente desse Rei de todos os tempos, uma goiabada cascão na caixa, lá de Ponte Nova, sua terra. É encontrar irmãos nos lugares mais improváveis, que falam que eu sou única. Esse irmão que eu adotei – e que também me adotou – é silencioso, trabalha muito, escreve bem e edita melhor ainda. Por cima, sorri como se as estrelas inteiras saíssem da sua boca.

É receber mensagens de uma amiga eterna, preciosa, que de vez em quando aluga um apartamento lá pelos lados da região de Provence, na França, e fica três meses por lá com o marido, mas que se lembra do seu aniversário e manda mensagens assim: “Um belo dia para você e um agradecimento pela amizade que está ficando tão velha quanto nós”. Ela mora em Belo Horizonte e em Tiradentes e no mundo todo. Basta querer.

Fazer 63 anos é abrir o coração para a luz, mesmo que um dia ou outro você esteja encoberta por nuvens escuras. Amizade é a senha para quem quer chegar aos 63. E viver mais e melhor. Nunca me preocupei com bens materiais e quando penso em me arrepender, sei que o meu destino neste mundo é outro. Que não vai dar tempo para arrependimentos tolos, afinal, meu caminho é o da alma.

Chegar aos 63 anos é continuar lutando por projetos. É ter sonhos, entusiasmo para trabalhar com o que você sempre gostou: as palavras embicadas que nem voo de pipa fazendo estrepolias pela janela da minha casa, sempre ao vento.

Fazer 63 é saber que até o amor hoje está em todos os lugares, em todas as pessoas e que o desejo não tem cabelos brancos nem precisa de remédios para se manifestar. O desejo é ardente sempre. Desejo de ficar sozinha às vezes, de gostar da própria companhia, de sair quando quiser e a hora que quiser. De continuar gostando de suco verde, arroz integral, de se esbaldar no peixe ceviche. É tomar vinho como quem reza e adormece em paz. É ter linha direta com Deus, sem precisar ir a nenhuma igreja, porque a religião se transmutou em irmãos que professam a mesma fé na vida!

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10 Comentários

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Fabio Andriani 17 de setembro de 2015 - 10:35

Parabéns pela declaração! Uma lição de coragem na vida que pode servir de apoio para muita gente que está perdida pelo avanço da idade.
Tudo de bom!

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lisa santana 30 de julho de 2015 - 21:25

Querida Déa, para elogios e palavras boas não tem tempo. Por isto, resolvi passar por aqui, mesmo sabendo que já é um pouco depois do seu dia de aniversário, só para te desejar Alegrias muitas, Sabedoria – que nunca é demais – e tudo de melhor que há e que você precisar. Um grande beijo e que venham mais e muitos anos de Lucidez e amor à vida. grande beijo.

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harilda 18 de julho de 2015 - 10:41

Acabei de completar os 60.e estava pensando o q estaria por vir na minha vida agora, mas lendo seu texto Déa.,vi q temos q viver q os amigos sao estes , q nada há por reclamar e sim agradecer! Mais um ano! Boas palavras.obrigado.paz

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Fabio Andriani 15 de julho de 2015 - 18:52

Lindo texto Déa Januzzi!
Estou procurando comentários sobre a vida no envelhecimento ativo e gostei muito da sua espontaneidade, amor e poesia.
Amigos têm um valor que a cada dia mais aprendo a valorizar.
Feliz Aniversário e aniversários!
Um abraçasso!

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Leri Faria 14 de julho de 2015 - 18:24

Querida Déa,

Adorei seu texto e me senti muito feliz lendo suas reflexões, seu pensar em voz alta! Tudo de bônus pra vc com toda a paz, amor e saúde que a gente tanto precisa pra seguir tocando o barco com alegria e ensusiasmo!
bjins

leri

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Magdala Ferreira Guedes 12 de julho de 2015 - 09:16

querida,amada Déa , vc é um acervo raro nesta nossa cidade.
Ahô !
Vamos brindar juntas os 101?
Com todas as nossas memórias e amigas incomuns?
cheguemos lá sem a mesma pressa que te trouxe aos 63.
Salve Déa Januzzi!

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Carlos Cunha 12 de julho de 2015 - 07:15

Esta uma ‘ menina sexagenária ‘ e cheia de luz e poesia. Que Deus possa ser sua inspiração e usar seus dedos e seu coração para escrever algo que alegrem os corações. Um Domingo cheio de paz ao lado da família que Deus deu a você. Quero ler e reter a emoção presente na cronica acima. Quão bom é poder voar usando os pés e as mãos! Os pés do rei que foi ungido nos campos verdes de Minas. Por onde o garoto chegava com sua arte roubava a cena. Seus pés moleques deixavam os beques caídos. Raul dizia que era a maior fria parar o Rei. Roberto Drummond se inspirou no rei e deu vida a personagem Hilda Furacão. O saudoso Fernando Sasso viu surgir o fenômeno Reinaldo. Meu pai que amava o Galo vibrava com emoção ao ver Reinaldo Brilhar no Mineirão. E o que dizer das mãos da Escritora que parecem asas e voam para além das montanhas. Ela pavimenta uma estrada imaginaria e a saudade bate em retirada quando entendemos que a pessoa amada é como uma sublime palavra. O poder da palavra se assemelha a mãe amorosa que jamais abandona seus rebentos. As filhas das Montanhas de Minas herdaram a nobre arte de escrever e compor canções. Um sonoro violino de Marcos Vianna e as canções de Paula Fernandes vão povoando as nossas lembranças. Ah menina sexagenária, continue assim escrevendo com as mãos e com o coração! Seus leitores faz da palavra do poeta Fernando Brant as suas. Suas cronicas são como os pães nas nossas manhãs e quão bom é alimentar do mais puro trigo que as mãos de Deus abençoou. O saudoso Fernando Brant dizia: a poesia é o meu pão! acrescento baseado na inspiração do poeta que o espetáculo da festa que não tem hora de terminar um dia vira. La os homens de bem um dia irão encontrar e nas ruas brilhantes e repletas de diamantes, o próprio Deus haverá de enxugar todas as lagrimas. beijos no seu coração.

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Rosângela Boldrini Lisbôa 12 de julho de 2015 - 00:29

Parabéns pelo “aniver” e pelo belo e verdadeiro texto!

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Rachel Lobo 11 de julho de 2015 - 19:18

Déa, é sempre muito bom ler seus textos. Eles fazem bem para a alma, espírito e coração. Parabéns e muitas bençãos para você.

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regina sales 11 de julho de 2015 - 18:55

Quando foi o seu aniversário?? Meus parabéns e muitas felicidades…. Que a minha jornalista preferida tenha muito e muitos anos de convivência conosco, e continue nos brindando com os seus textos e reportagens maravilhosas!! Adorei esse texto…mais uma vez!!!

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