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Chico fala de sua intimidade pela 1ª vez em documentário

Por Maya Santana
O cantor e compositor, 71: "Não tenho problema nenhum com a solidão”

O documentário “Chico: Artista Brasileiro” abriu o Festival de Cinema do Rio”

Maria Martin, El Pais

Chico Buarque, 71, conta, em sua casa de Ipanema, no Rio de Janeiro, que quando seu casamento de três décadas terminou ele pensou que ao dobrar a esquina se casaria outra vez. Adorado como era não teria sido difícil, mas não o fez. E agora não se imagina convivendo com alguém. “Se um dia não tem amigos, vinho, namorada… Ótimo, fico em casa. Não tenho problema nenhum com a solidão”.

A cena é uma das muitas conversas de Chico com seu amigo e diretor de cinema Miguel Faria Junior no primeiro documentário de longa-metragem sobre o cantor. Chico: Artista Brasileiro conta uma trajetória de 50 anos marcada pelo sucesso, a necessidade de conquistar intelectualmente seu pai, o fim de seu casamento, a repressão da ditadura e a busca incessante de um irmão alemão, falecido antes que o compositor soubesse de sua existência.

Durante 30 horas de entrevistas, Chico, com a tranquilidade de quem já fez quase tudo na vida, apela à própria memória e acaba contando sua própria história. O artista abre as portas, pela primeira vez e na tela do cinema, a sua intimidade, normalmente guardada a sete chaves. O músico confessa que fez sessões de psicanálise para superar uma forte crise de criatividade. Talvez porque, como dizem seus amigos, os adversários de Chico vivem em seu interior. O surgimento de três de seus sete netos pedindo sorvete em sua casa mostra o Chico avô, atropelado diante da energia dos jovens e surpreso diante dos descobrimentos e talentos musicais da nova geração de Buarques. O artista também confirma, em várias ocasiões, o que dizem seus amigos: que é capaz de se engasgar com sua própria risada.

A história é completada por imagens, guardadas nos arquivos durante décadas, de seus próprios shows, de sua saída do Brasil em plena ditadura, dos musicais que escreveu depois… Entre as raridades, que funcionam melhor do que a memória, está a gravação da chegada de Chico ao aeroporto de Roma em 1968. Logo depois de aterrissar, um repórter lhe pergunta por sua recente prisão pelo exército da ditadura em uma manifestação no Rio de Janeiro e lhe pergunta se é um radical. “Existiam centenas de milhares de pessoas na marcha. Duvido muito que existam centenas de milhares de radicais no Rio”, responde em perfeito italiano ao jornalista. Clique aqui para ler mais.

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