Saúde

Cigarro eletrônico ainda causa a maior polêmica

O cigarro eletrônico está sendo vendido aos milhões no mundo inteiro
De um lado, os que defendem; do outro, os que criticam

Maya Santana

Afinal, o cigarro eletrônico causa danos à saúde? Ou, como garantem os fabricantes, traz benefícios, entre eles, o de ajudar o fumante a se livrar do cigarro comum? Mais de uma década depois de criado – em 2003 -, o cigarro eletrônico continua causando a maior polêmica. De um lado, os que defendem o seu consumo sem maiores restrições. Do outro, os que garantem que provoca tantos malefícios quanto o cigarro comum. No meio dessas duas correntes, completamente perdido, está o consumidor.

No Brasil, o cigarro eletrônico é proibido, o que não tem impedido as pessoas de comprarem pela internet, direto dos Estados Unidos e de outros países. E muitas tabacarias nacionais, mesmo sendo ilegal, têm o produto para vender. O governo brasileiro, assim como o da Austrália, Canadá, Israel e México, que também proibiram a venda, justifica a proibição dizendo que não foram feitos testes o suficiente para garantir que cigarro eletrônico seja tão inofensivo, como asseguram os fabricantes.

O cigarro eletrônico é formado de cartucho (filtro), parte eletrônica e bateria
O cigarro é formado de cartucho (filtro), parte eletrônica e bateria

Já contei aqui no 50emais que fumei por muito tempo. Parei quando vi o que o cigarro fez com o meu irmão mais velho. Diabético, ele não tinha completado 60 anos, quando sofreu um AVC. Era fumante inveterado. Chegou um momento em que ele não comia nada. Só fumava. Era nauseante vê-lo tragando um cigarro atrás do outro. Morreu um ano e oito meses depois de sofrer o derrame. Foi literalmente tragado pelo cigarro.

Eu, que fumava desde muito jovem, tomei birra do cheiro, da fumaça, do desperdício de dinheiro e de tempo. Como ex-fumante que lutou para se ver livre do vício, fiquei intrigada com o surgimento desse novo tipo de cigarro que, aliás, não deixa odor. E mais intrigada eu fico, quando leio que, mesmo com as dúvidas que ainda existem, ele já está sendo consumido por milhões de pessoas no mundo inteiro.

Há pouco tempo, o Dr. Dráuzio Varella, incansável guerreiro contra o cigarro comum, escreveu na Folha de São Paulo sobre o eletrônico. E já começou seu artigo atirando com chumbo grosso:

Dráuzio Varella: a mais escravizadora das dependências químicas
Dráuzio Varella: a mais escravizadora das dependências

“Inalar a fumaça liberada na combustão do cigarro é o mais mortal dos comportamentos de risco, no Brasil. Não é de hoje que os fabricantes procuram uma forma de administrar nicotina, sem causar os malefícios da queima do fumo nem tirar o prazer que o dependente sente ao fumar. E, acima de tudo, sem abrir mão do lucro obtido com a droga que provoca a mais escravizadora das dependências químicas conhecidas pela medicina.

Com essa finalidade”, continua ele, “foram lançados no comércio os cigarros eletrônicos, uma coleção heterogênea de dispositivos movidos a bateria que vaporizam nicotina, para ser fumada num tubo que imita o cigarro. Em menos de dez anos, as vendas na Europa atingiram 650 milhões de dólares, e 1,7 bilhão nos Estados Unidos. O sucesso tem sido tão grande que alguns especialistas ousam predizer que o cigarro convencional estaria com os dias contados.

Na literatura médica, entretanto, as opiniões são divergentes. Clique aqui para ler mais.

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Um Comentário

  1. Gostei da matéria, Maya, vou experimentar, porque estou querendo parar de fumar. Tenho um amigo que há dois anos adotou o cigarro eletrônico e, de fato, parou de fumar o comum.

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