Com amor e sem receita, por Déa Januzzi

Por Maya Santana
Pratico a maternidade como um exercício de liberdade

Pratico a maternidade como um exercício de liberdade

Não tenho receita nem fórmula mágica para educar filho. Tem dias que quero fugir para bem longe. Sou canceriana, signo da Lua e das águas profundas, mas, às vezes, queria estar em Marte. Em outros dias, o sol brilha – e a mesma mãe que esbraveja também dança ao som de Bob Marley quando o filho chega inteiro da rua e liga o som.

Aí, é dia de calmaria, pois a mesma mãe que sofre porque o filho atravessa a madrugada sabe também que é cheia de falhas e se lembra de quantas vezes deixou de telefonar para a própria mãe quando era adolescente. Essa mãe que se descabela com a violência nas ruas, com as drogas, com o perigo na esquina, que se culpa por ter se separado do marido quando o filho ainda era pequeno é a mesma que exorciza os seus demônios, que tem imenso prazer de ver o garoto buscar o próprio caminho.

É a mãe que vê no filho a esperança de um mundo melhor. Nessas horas, vejo que não existe fórmula. Que o meu filho tem muitas mães; que ele aprende o melhor com a avó, com as tias, as primas, as minhas amigas e as dele. Que tem respeito pelas mulheres, porque eu o criei com toda a delicadeza e poesia que existem dentro de mim. E que ele também pode ter muitos pais para se identificar.

Pode ser o avô, que continua vivo em seu coração apesar de ter partido há mais de 20 anos; seu professor de biodança; ou mesmo o pai, que, apesar da falta da convivência diária, está presente em algum canto secreto do seu coração. Ser mãe do Gabriel é um aprendizado diário. Aprendo coisas que não encontrei em livro nenhum.

Pratico a maternidade como um exercício de liberdade. Somos amigos, acima de qualquer definição. Não imponho regras, tenho a liberdade de dizer o que penso. E ele faz o mesmo. Às vezes, gritamos um com o outro, trocamos palavras ásperas, afiadas, porque não vivemos num paraíso. Mas como é mágica essa relação!

Ser mãe me redimiu, exorcizou os meus fantasmas, descortinou a janela secreta da minha alma feminina, por onde entram os ventos curativos da maternidade.


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1 Comentários

lisa santana 5 de julho de 2014 - 15:29

É verdade Déa, para ser mãe tem que ter muito amor e saco!…rsrs…
Mas a maternidade para mim foi uma alegria. Me mostrou e ensinou ( e ensina) coisas maravilhosas: a generosidade, o desapego, o amor incondicional…E principalmente, o respeito. Aprendo todos os dias ( não sem alguma dificuldade) que minha filha não sou eu. Isto a deixa livre para escolhas e me deixa livre do sofrimento de querer que ela seja o que eu quero. Duro, mas libertador.

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