Com renúncia, Bento XVI deixa uma obra incompleta

Por Maya Santana
Pontífice apontou a idade - 85 anos - como motivo da surpreendente renúncia

Aos 85 anos, ele surpreende o mundo ao anunciar fim de seu papado

Ele foi escolhido para suceder um dos papas mais carismáticos e marcantes da história recente da Igreja. Prometia lutar para reconquistar parte do rebanho de fiéis na Europa, o berço do catolicismo. Esbarrou na tempestade de escândalos que manchou a imagem do Vaticano nos últimos anos. E chocou o mundo ao decidir interromper subitamente seu papado por causa da idade avançada – ao contrário do que fez João Paulo II, que usou o anel do pescador até o último suspiro. Em abril de 2005, já se acreditava que o pontificado de Bento XVI seria mais curto, um período de transição sem mudanças visíveis no cotidiano da Igreja. A previsão se concretizou – mas sob circunstâncias que ninguém seria capaz de prever.

O papa panzer, o pastor alemão. “Um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.” Num ponto qualquer entre as alcunhas pejorativas que lhe foram aplicadas nos jornais e a maneira modesta como se referiu a si próprio, depois do anúncio público de que ele havia sido eleito o 265° pontífice da Igreja Católica, se encontraria a verdade sobre o cardeal Joseph Ratzinger, papa Bento XVI. Onde ficaria exatamente esse ponto só seria possível verificar no decorrer do seu pontificado, provavelmente mais curto que o anterior, visto que o novo ocupante do Trono de Pedro assumia aos 78 anos. João Paulo II tinha 58 quando foi feito papa. Mas um fato era incontestável: em Roma, Bento XVI realizou prontamente o milagre de fazer com que João Paulo II se tornasse uma página virada na história.

O severo e reservado guardião da doutrina mostrou-se afabilíssimo nos seus contatos com a multidão – e parecia ter tomado gosto em fazê-lo. Os cardeais reformistas gostariam que a Igreja permitisse a ordenação de mulheres e anseiam por um afrouxamento nas condenações aos métodos contraceptivos, ao aborto e ao reconhecimento legal do casamento entre homossexuais. Porque o Vaticano é contra tudo isso que está aí, argumentam eles, o catolicismo vem sangrando há vários anos, especialmente na Europa, onde o rebanho diminui a cada ano. Como não conseguirão nada disso sob Bento XVI, os reformistas tendem a crer que a Igreja permanecerá congelada durante o seu pontificado. Dessa perspectiva, o catolicismo teria começado a viver um inverno com uma duração, na mais branda hipótese, de quatro a cinco anos, até que Bento XVI seja enterrado nas grutas vaticanas. Continua em http://migre.me/dcNnx


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