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O céu de abril

Por Maya Santana

Os gloriosos dias de abril elevam os espíritos ajudam a manter a fé

Os gloriosos dias de abril elevam os espíritos, ajudam a manter a fé

Déa Januzzi

O céu de abril me faz bem. Não há outro céu como o de abril. É por isso que, hoje, nesta manhã de abril, quando o céu se tinge de um azul intenso, gostaria de convocar a todos para que se levantem da cama, abram as janelas – e olhem para o alto. Não se esqueçam de admirar as nuvens que se aninham neste céu de abril, mas deixam o azul agir em todo o universo.

O céu de abril me encanta. Deixa o horizonte com cara e cheiro de Deus, me faz despojar dessa pele de falsas intenções, da competição, dessa raiva generalizada. Sob o céu de abril, eu quero é exercitar a alma, dar asas ao espírito. Eu quero é assistir à aurora boreal, lá no Sul da Patagônia, entre as montanhas nevadas. Eu quero é curtir esse arco-íris gelado nas plataformas dos pescadores de salmão de Puerto Aysén, no Chile. Ficar deitada olhando essa faixa de luz colorida, com 24 horas de Sol.

Eu quero é ter tempo para não fazer nada e aprender com os mais velhos que bengala não é só para amparar a decrepitude, mas um sinal de poder, como um cajado, para marcar os compassos da natureza em cada estação.

Eu quero é meditar, como quem escova os dentes todas as manhãs, para perfumar o hálito e espantar os bichinhos contagiosos da amargura, da mágoa, do estresse e do ressentimento. Eu quero é sacudir essa poeira do consumismo, de ter e ter e ter mais. Se eu olhar hoje para o meu armário, com um novo jeito de ver, vou perceber que tenho roupa para usar até os 100 anos, sem necessidade de comprar nem mais uma peça. Vou colocar para fora todas as minhas saias rodadas, os xales de crochê, de lã, de fios dourados, os chapéus e voltar a ser mulher, com toda a liberdade e indignação, agora sem farda, sem botina, sem ombreiras. Pois cansei de lutar contra a fúria de certos homens que nada sabem sobre o feminino, sobre o dom de arder e de ser mulher.

Neste novo tempo, vou me aventurar pelas terras férteis da existência. O céu de abril me dá vontade de afogar os relógios de 60 minutos e voltar a marcar as horas e o tempo pelo Calendário da Paz, de 28 dias e 13 Luas, do povo Maia, para ficar enluarada. Dá uma vontade danada de riscar do mapa da minha vida as eternas cobranças.

Tenho que dizer: o céu de Abril me faz enxergar tudo com os olhos do amor, pois o que é realmente importante só se vê com o coração. Dá uma louca vontade de fazer como meu amigo Eusébio, professor de dança da Bahia, catedrático aposentado pela Unicamp, que comprou um lote e construiu uma casa na Ilha de Itaparica. O céu de abril acende em mim uma vontade de mudar para bem longe, mas bem perto de pessoas que pensam como eu, que querem um novo mundo. Vou deixar de ser carente e me sintonizar com energias mais sutis, menos escancaradas, vou aprender a vibrar em outro ritmo, para ter afeto em abundância.

Não quero contratos de compra e venda nem de aluguel nem contas a pagar. Vou viver com o que eu tenho e deixar de comer o lixo dos outros. Cada um tem que dar conta de limpar o próprio lixo. Não quero viver num circo, com atores dramáticos que nunca pensam nos outros, só em si mesmos.

Vou me permitir o novo, me desligar dos extremos, das paixões exageradas. Quero me conectar com o Cosmo, afinal, sou vento galático branco no Calendário Maia – e quero é vento batendo no meu rosto, levantando as minhas saias.Vou mudar a vibração para encontrar a abundância. Vou regar todos os dias o meu coração para que ele nunca murche, fique pequeno, escondido dentro de mim.

Todo mês de abril, quando o crepúsculo surge do 7º andar do meu prédio lembro-me de um cronista e amigo. Ele amava o céu de abril. Olha, Roberto Drummond, o céu de abril é só poesia. Dá vontade de me alimentar de versos, e a cada duas horas do dia dar uma parada, pensar numa praia deserta, para levar à mente essa energia fresca, renovada, tranquila, porque o tempo é uma energia escassa. E não tenho mais tempo a perder!Como Pablo Neruda, saudarei o outono, no resplendor do céu de abril: “Mais para lá dos teus olhos ardiam os crepúsculos. Folhas secas de outono giravam na tua alma”.

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2 Comentários

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MaGrace Simão 29 de abril de 2016 - 16:21

Déinha, você é mesmo uma fera na escrita. A cada dia te acho melhor. E fique calma, pois a qualquer hora você alça voo no céu de abril. Eu também lembrei-me do amigo, mais irmão seu do que meu, Roberto Drummond, com o cheiro de Deus. Fique em paz consigo mesma, como já parece estar no céu de abril,nos próximos 100 anos, com cada dia uma roupa diferente. Você é muito rica e bonita! MaGrace

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nenez rick 28 de abril de 2016 - 15:26

lindo!!!!!!

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