Parte da história do Rio, a Colombo ganha livro

Por Maya Santana
As rodas de intelectuais da Confeitaria Colombo, no alvorecer do Século XX, começavam no chá das cinco e destilavam poesia, sátiras e veneno político até alta noite

As rodas de intelectuais da Confeitaria Colombo, no alvorecer do Século XX, começavam no chá das cinco e destilavam poesia, sátiras e veneno político até alta noite

Mais do que uma obra sobre a mais importante confeitaria do Rio, “Colombo, os  sabores de uma cidade” é um livro de história, um passeio pela cidade nos anos  de 1800, quando as águas em barris davam lugar ao conforto do abastecimento em  domicílio, as experiências com telefonia apareciam como um truque de mágica, e  os lampiões começavam a dar espaços para os fios: era a chegada da eletricidade  ao país. E a luz elétrica fascina na belle époque. “Paris é a cidade-luz, e o  Rio não podia ficar atrás”, conta o historiador Antonio Edmilson Martins  Rodrigues, que, juntamente com o chef Renato Freire e o fotógrafo Pepe  Schettino, assina o livro editado pela Casa da Palavra, que acaba de ser lançado na própria Colombo. E onde mais seria?

O poeta Olavo Bilac era um que pisava os azulejos hidráulicos da casa pontualmente às 17h todos os dias

O poeta Olavo Bilac era um que pisava os azulejos hidráulicos da casa pontualmente às 17h todos os dias

São oito espelhos belgas alinhados nas paredes laterais do salão principal da  Colombo: enormes, dispostos simetricamente, uns em frente aos outros, quatro de  cada lado. Pode-se reparar que, através deles, o interior da confeitaria se  reproduz infinitamente, com suas mesas de mármore, pisos hidráulicos, cadeiras  de palhinha, o vaivém das bandejas, o agito na calçada da Rua Gonçalves Dias… “Olhar através desses espelhos é como entrar no túnel do tempo, onde passado,  presente e futuro se embaralham”.

O chef Renato Freire é um dos autores do livro "Colombo, os sabores de uma cidade"

O chef Renato Freire é um dos autores do livro “Colombo, os sabores de uma cidade”

Os espelhos surgiram com a reforma que  redesenhou a confeitaria em 1912, projeto de Antônio Borsoi, o mesmo do Cinema  Iris. Era o auge do modismo das confeitarias. Elites e intelectualidade  frequentavam em peso esses espaços. Havia muitas além da Colombo: Carioca,  Cailteau, Nacional, Pascoal, Castelões, Cavé… Elas estavam para a cidade como  os cafés para Paris. As mulheres também passaram a ser habituées. E, para tanto,  caprichavam no visual. A moda passou a desfilar pelos salões das  confeitarias.

A confeitaria, fundada por imigrantes portugueses, vai completar 120 anos em 2014

A confeitaria, fundada por imigrantes portugueses, vai completar 120 anos em 2014

Pelas páginas, desfrutamos das transformações do Rio (Pereira Passos), os  muitos imbróglios políticos, a evolução de costumes, a chegada do futebol  (1894), do cinema (1897), dos primeiros carros e… de 20 receitas da casa. Sabe  o creme da coxinha da galinha? O chef Renato Freire ensina tim-tim por tim-tim.  Um presente. Fonte: O Globo


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