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Corajosas, elas querem aventura na terceira idade

Por Maya Santana

Beatriz Azevedo, 59, apaixonou-se pelo canionismo

Beatriz Azevedo, 59, apaixonou-se pelo canionismo

Eu fico impressionada com as histórias destas mulheres corajosas. Essa, infelizmente, é uma qualidade que não tenho. Talvez tenha coragem em outras áreas da vida, mas não nessa de me lançar em aventuras. Nesse artigo publicado pelo portal Ig, há exemplos de gente com mais 80 anos fazendo o Caminho de Santiago de Compostela e até outros mais longos. Há o caso de Beatriz Azevedo, 59 anos, que começou a praticar canionismo para superar o medo de altura e se apaixonou pela aventura. Gente admirável!

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Dorotea Andrade de Queiroz trabalhou a vida toda como enfermeira, até se aposentar, aos 70 anos: “Pensei: quer saber de uma coisa? Vou cuidar da minha vida, vou me preparar e vou cair no mundo.” O sonho dela, que antes só tinha viajado em excursões para destinos mais turísticos, era percorrer o caminho de Santiago de Compostela. “E sonho a gente tem que realizar. Fiz fisioterapia nos joelhos por dois anos, tomei medicação e o médico me liberou.”

“Primeiro, eu fiz o Caminho do Sol, que é um preparatório para Santiago de Compostela. Tem muito sol, de verdade, muitas subidas e descidas. São 280 km que você faz em 11 dias”, diz Dorotea. A despeito dos comentários de gente que achou que o desafio era maior do que sua capacidade, ela conseguiu e adorou. “Quando completei 82 anos fiz de novo. Alguns caminhos já fiz até 3 vezes”, diz a peregrina, que tem no currículo todos os roteiros  brasileiros desse tipo, alguns de até 500 quilômetros. “Carrego minha mochilinha que pesa uns 8 quilos, porque não abro mão dos meus cremes, sabe?”, diz ela, que gosta de andar em silêncio e sem nunca olhar para trás.

Dorotéa, 84, já fez Santiago de Compostela

Dorotéa, 84, uma caminhante

Solteira por opção, Dorotea está prestes a completar 84 anos e não pensa em parar. “Eu me sinto muito bem. Gosto tanto dos momentos de solidão quanto das caminhadas em grupo.”

Um dos grandes prazeres de Dorotea são as amizades feitas nas viagens. “Quando o grupo tem a mesma meta, as mesmas idéias, a gente se completa. Caminhar por caminhar, só para sentir um cansaço físico, não sei, não…” Dorô, como é conhecida entre grupos de peregrinos, conseguiu completar o caminho de Santiago de Compostela, na Europa, e muitas travessias por serras e alguns dos picos mais altos do Brasil. O preferido é o Caminho das Missões, no Rio Grande do Sul. “Conversamos com os índios guarani, dá para sentir o amor que eles têm pela Terra. Gostaria de fazer de novo, me emociona”

Recentemente recuperada de uma cirurgia no joelho e de um edema pulmonar, já pensa nos próximos destinos. “Fiz terapia, operei o joelho ano passado, comecei tudo de novo e vou voltar. Eu não estava conseguindo subir e descer escada, andava de cajado. Pelo menos impõe respeito”, diverte-se Dorô.

E por que passar o dia caminhando, do nascer ao por do sol, às vezes por trechos diários de mais de 30 quilômetros, em vez de relaxar no conforto de um hotelzinho charmoso? “Traz muita reflexão. O que a gente leva dessa vida? Eu fui me libertando aos poucos, me desapegando. Aprendi a viver na natureza, ser solidária, amiga, a trocar energia com as pessoas”, acredita Dorotea, que diz ter formado uma segunda família com os amigos de viagem.

Maria da Glória, 81:passaporte cheio

Maria da Glória, 81: passaporte cheio

A peregrina Dorotea não é um caso isolado. Com a melhora da qualidade de vida na terceira idade, o mercado de agências de turismo tem dado cada vez mais atenção para esse público, incluindo roteiros menos tradicionais, ligados à natureza e com destinos de aventura. A operadora Venturas & Aventuras, especializada em ecoturismo e turismo de aventura, tem um projeto voltado à terceira idade, o “Velhinho é a Mãe”, com várias alternativas de roteiros para viajantes de diferentes perfis, do Morro de São Paulo, na Bahia, à Patagônia. É claro, são feitas adaptações para tornar a viagem prazerosa para todos. Os requisitos básicos são estar com o check up médico em dia e ter condições de caminhar.

“Tomamos alguns cuidados, como escolher o vôo com o menor numero de conexões e hotéis com deslocamento fácil pela cidade”, diz Jota Marinsek, sócio da empresa. “Escolhemos passeios que não exijam tanto fisicamente das pessoas. Passeios de balão na Capadócia ou de trem no Guayaquil, no Equador, têm espírito de aventura e são acessíveis para praticamente todos.”

E às “velhinhas” não falta bom-humor. Num passeio à Capadócia, na Turquia, um grupo entrou no bar em pleno 23 de abril, dia de São Jorge. O público, na faixa dos 20 anos, silenciou com a chegada de dez senhorinhas de 65 a 82 anos. Uma delas diz ao guia “Eles devem estar pensando que São Jorge soltou os dragões”. Clique aqui para ler mais.

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