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“Coroas poderosas unidas jamais serão vencidas!”

Por Maya Santana

Você se torna invisível para os outros

“Você deixa de existir para os outros e se liberta pela primeira vez”

Mirian Goldenberg

O envelhecimento traz uma grande mudança: você deixa de existir para os outros e se liberta pela primeira vez.

Na Bienal do Livro do Rio participei do debate “Elas não envelhecem mais: as novas velhas”. Comecei discordando do título, dizendo que no Brasil envelhecemos, sim, e precocemente. Aos 30 anos já estamos preocupadas com fios de cabelos brancos, ruguinhas que começam a aparecer, quilinhos a mais.

Na Alemanha, onde fiquei alguns meses entrevistando mulheres, aos 60 elas não falam dessas questões. Falam do trabalho, da casa, das viagens, dos projetos. Aqui, mesmo antes dos 30, as mulheres só falam da decadência do corpo e da falta de homem. Ou ainda das faltas dos seus homens (falta de comunicação, de romance, de carinho, de elogios, de sexo, de fidelidade etc.).

Contei o caso de uma cinquentona, magra e bonita, que encontrou o ex-marido sessentão, barrigudo, careca e sem alguns dentes. Olhando para o pescoço dela, ele disse: “Você envelheceu um pouquinho”, para em seguida acrescentar: “Mas suas mãos continuam jovens”. Traumatizada com o olhar acusador do ex, ela agora só anda de echarpe para esconder a velhice retratada no pescoço.

Na Bienal, após um debate sobre a valorização do corpo jovem e magro em nossa cultura (que fez com que eu criasse a ideia de que o corpo é um capital), ficou uma pergunta no ar: como as mulheres poderiam se libertar dessa prisão? Concordei, então, com o subtítulo da mesa: “as novas velhas”. Muitas mulheres mais velhas conseguem se libertar da ditadura da aparência e se preocupar mais com saúde, qualidade de vida e bem-estar.

Elas tiram o foco do olhar dos outros, e passam a priorizar o próprio prazer, desejos, vontades. A grande mudança com o envelhecimento parece ser essa mudança de foco, deixar de existir para os outros e passar a ser “eu mesma” pela primeira vez na vida. É uma verdadeira libertação. Assim, fundei o Movimento das Coroas Poderosas.

As coroas poderosas são mulheres que não se preocupam com rugas, celulites, pescoço, quilos a mais. Elas estão se divertindo com tudo o que conquistaram na maturidade: liberdade, segurança, charme, amizades, sucesso, reconhecimento, respeito, independência e muito mais.

Portanto, como presidente do Movimento das Coroas Poderosas, convoco todas as mulheres que estão cansadas de sofrer com as pressões sociais, a decadência do corpo e a falta de homem (ou as faltas dos homens) a se unirem ao nosso grito de guerra: “Coroas poderosas unidas, jamais serão vencidas!”

Leia também “Manifesto das Coroas Poderosas”

Mírian Goldenberg é antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de “Coroas: Corpo, Envelhecimento, Casamento e Infidelidade” (Ed. Record).

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4 Comentários

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ana maria 17 de janeiro de 2013 - 16:44

Miriam adorei saber da existência de seu movimento. Pessoalmente, a idade me fez muito bem – eu sou mais eu. Independente disso, combato as rugas, a barriguinha, os quilinhos a mais. Faço porque gosto de me olhar no espelho e me gostar. No mais, concordo integralmente com seu “Manifesto das Coroas Poderosas”. Assino embaixo.

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lisa Santana 17 de janeiro de 2013 - 12:31

É isto. Nos anos que temos pela frente, as palavras de Miriam terão que ecoar mil vezes até que todas nós estejamos fartas de escutar e saiamos à pratica. Outros tempos. Outras formas de ver o mundo e a nós mesmos. Tudo saiu do lugar e podemos rearranjá-los de maneira mais justa e feliz para cada uma de nós. Tempos duros, mas bons.

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Mirian 18 de fevereiro de 2013 - 09:27

Gilvania Pereira disse:Amei c9 isso aed, tenho 52 anos fae7o hidro pilates , dane7o zumba, power flex, sou feliz com meu corpo.acho mesmo que estou na mloher fase, filhos casados, divorciada bem resolvida, namoro uma pessoa especial que sabe me encantar e mais sou dona do meu nariz fae7o o que tenho vontade de fazer e quando quero fazer, ne3o quero estipular horas no meu dia a dia Macae9 Rj

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Déa Januzzi 16 de janeiro de 2013 - 20:41

De fato, Maya, a Mirian Goldenberg é da nossa turma. Adorei. Beiijos e saudades. Déa

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