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Covid-19 leva embora mais uma grande artista: a atriz Nicette Bruno

Por Maya Santana

A  versátil atriz estava internada há semanas em um hospital do Rio de Janeiro. Foto: internet

Com o ano chegando ao fim, a pandemia da covid-19 continua fazendo vítimas entre os artistas brasileiros. A mais recente é Nicette Bruno, falecida na manhã deste domingo(20), depois de  semanas internada no UTI de um hospital do Rio de Janeiro. Ela tinha 87 anos, 70 dos quais dedicados à TV e ao teatro. No início da pandemia, a atriz estava tão bem que se preparava para um novo trabalho no palco. Há meses, vivia isolada em um condomínio, tentando se proteger do novo coronavírus.

Apesar de toda a proteção, a filha Beth explica o que aconteceu: “Nós moramos no mesmo condomínio. Mamãe tem a casa dela e eu a minha. Estou sempre com ela, somos muito ligadas, fazemos aulas juntas. E ela ficou nesses 10 meses totalmente protegida, numa redoma. Mas às vezes acontecem coisas que saem do controle. Semana passada, ela recebeu a visita de um parente e ele não sabia que estava infectado e, infelizmente, transmitiu o vírus para ela.”

Leia o artigo de O Globo sobre o falecimento de Nicette Bruno:

No início da pandemia, Nicette estava para estrear a peça “Quarta-feira, sem falta, lá em casa” no Rio, ao lado de Suely Franco. O espetáculo acabou adiado por conta das restrições para combater a Covid-19. Foi no teatro, aliás, que Nicette fez sua estreia profissional (em montagem de “Romeu e Julieta” em 1945). Ao longo das últimas sete décadas, subiu ao palco diversas vezes, e levou o Prêmio Molière de melhor atriz por “O efeito dos raios gama sobre as margaridas do campo” (em 1974) e o Prêmio Shell na mesma categoria por “Somos irmãs” (1988).

A  estreia da peça com a amiga Suely Franco precisou ser adiada por causa da pandemia. Foto: Divulgação

Em maio, quando participou de uma live com Eva Wilma e Léa Garcia, Nicette contou ao GLOBO como estava impactada pela morte de colegas artistas como os atores Flávio Migliaccio e Dayse Lucidi e o compositor Aldir Blanc.

— A falta de contato humano, neste momento, é terrível. E ainda temos tido essas perdas tristes e desagradáveis... A morte do Flávio (Migliaccio) foi uma dor sem tamanho. Depois, o mesmo com a Dayse… A cada momento, parece haver um novo choque. Por isso, tenho que orar. Oro muito mesmo — contou ela, que era devota do espiritismo.

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A última aparição de Nicette na TV foi em ”Éramos seis”, como a freira Joana. A participação da atriz na novela das seis foi uma homenagem, já que ela viveu a protagonista Lola (interpretada por Gloria Pires no último remake) na versão de 1977.

Nicette também ficou muito conhecida por interpretar Dona Benta de 2001 a 2004, no ”Sítio do Pica Pau Amarelo”. A trajetória de Nicette na Globo, porém, começou bem antes de ela integrar o seriado infantil: a artista trabalhou em novelas como “Selva de pedra” (1986), “Bebê a Bordo” (1988), “Rainha da Sucata” (1990), “Mulheres de Areia” (1993), “Alma gêmea” (2005), “Ti-ti-ti” (2010), ”Salve Jorge” (2011) e ”Órfãos da terra” (2019).

Nicette iniciou sua carreira artística aos 4 anos, cantando em um programa infantil na Rádio Guanabara, onde declamava e cantava. Dos 6 aos 11 anos, a artista estudou música e participou de grupos de teatro até fazer sua estreia nos palcos no início da adolescência.

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Aos 14 anos, já era profissional de teatro, contratada pela Companhia Dulcina-Odilon. Nicette também foi uma pioneira da televisão, estreando na TV Tupi em 1950, fazendo participações em recitais e teleteatros. Passou pela TV Continental e TV Excelsior até ser convidada pelo ator e diretor Fabio Sabag para trabalhar no seriado “Obrigado, Doutor”, na TV Globo, em 1981. A primeira novela da atriz na emissora foi gravada no ano seguinte, em ”Sétimo sentido”.

Veja todas as novelas das quais a atriz participou:

Nicette foi casada com o ator Paulo Goulart, que morreu em março de 2014 em decorrência de um câncer. O casal ficou junto por 60 anos e teve três filhos: Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho. Eles se conheceram no teatro em 1952.

”Eu e Paulo tínhamos uma afinidade cênica muito grande. Tanto que nos conhecemos em cena, né? Trabalhar juntos era muito bom, porque tínhamos a mesma seriedade, sabíamos separar a nossa relação. Quando estávamos em cena, éramos personagens, não a nossa individualidade”, descreveu Nicette ao Memória Globo.

A morte de Goulart incentivou Nicette a fazer o primeiro monólogo de sua carreira, “Perdas e ganhos”, em 2014, a partir de texto da escritora gaúcha Lya Luft. A direção e adaptação da peça que rodou capitais era da filha, Beth.

Nicette e a filha, Beth, fazendo anúncio de uma empresa, no ano passado:

— Estou feliz porque é para o Paulo. É uma homenagem a ele. Sabe, o teatro é o maior momento da minha existência. Foi nele que estreei aos 14 anos, foi nele que me casei, foi nele que experimentei o surgir dos meus filhos na profissão e foi nele que tive o momento mais doloroso da minha vida, a despedida do Paulo. A despedida foi no Teatro Municipal de São Paulo (onde o corpo do ator foi velado). Agora é também no palco que estou compartilhando um momento tão singular da minha vida. De verdade — contou ao GLOBO à época da estreia.

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