
50emais
O Brasil envelhece rapidamente. Saia à rua e repare à sua volta o número de pessoas mais velhas. Em 2030, portanto daqui a cinco anos, seremos o quinto país com a população mais velha do mundo.
Mas essa realidade não se traduz em ações, em políticas para tornar menos difícil a vida do idoso. Parece que ninguém está se dando conta desse envelhecimento, que vai mudando a paisagem humana no país.
Um exemplo disso são os dados mostrando que pessoas com mais de 60 anos estão se suicidando em números cada vez maiores. Mas as políticas públicas de prevenção ainda estão voltadas somente para jovens.
É preciso ficar atento, porque “os especialistas avaliam que a maioria das tentativas suicídio (entre idosos) não é fatal, com exceção das que utilizam armas de fogo. Essa é a explicação mais plausível para se entender por que, embora homens e mulheres acima dos 50 tentem o suicídio em igual proporção, são eles as principais vítimas.”
Leia o artigo completo de Mariza Tavares, do blog Longevidade: Modo de Usar, publicado por O Globo:
Nos últimos anos, as políticas de saúde mental estiveram voltadas para os jovens, deixando de lado um grande contingente que merece atenção porque é de alto risco. “Há um consenso de que a depressão faz parte do envelhecimento, o que é falso. Nas últimas duas décadas, as taxas de suicídio vêm crescendo consistentemente entre as pessoas com 55 anos ou mais”, afirmou o pesquisador Mark Salzer, professor de ciências comportamentais da Temple University, em entrevista à revista “STAT”.
Há um grupo em situação especialmente delicada, composto por homens com maior risco de se suicidar que surpreendem os pesquisadores porque não têm problemas particularmente severos de saúde ou financeiros. No entanto, apresentam características masculinas bem tradicionais, como a dificuldade de expressar sentimentos e vulnerabilidade. Idosos acima dos 75 anos integram esse grupo.
Leia também: Como a solidão na velhice adoece e chega a ponto de matar a pessoa
Nos Estados Unidos, 38.2 mortes em cada 100 mil homens entre 75 e 84 anos são por suicídio – e a proporção chega a 55.7 entre 100 mil para os que passaram dos 85 anos, de acordar com os Centros de Prevenção de Doenças (CDC em inglês). O emprego de arma de fogo, nos EUA, faz esses índices subirem dramaticamente. É uma taxa 16 vezes maior que a observada entre mulheres da mesma idade.
.Além disso, situações altamente estressantes, como divórcios, aposentadoria e insegurança financeira, representam um enorme baque porque os homens não costumam cultivar relações e laços de apoio.
Leia também: Dr. Dráuzio Varella: Precisamos falar sobre o suicídio assistido
Na verdade, sua identidade se estabelece pelo trabalho, sofrendo um duro golpe quando o indivíduo sai de cena no campo profissional.
De acordo com o psiquiatra Yeates Conwell, professor da University of Rochester Medical Center, “a identidade masculina se baseia na capacidade de tomar conta de si mesmo. Por isso, a transição para uma fase na qual ele pode necessitar de cuidados pode ser difícil. Já as mulheres mais velhas enfrentam muito melhor o desafio”.
Leia também: No mês da prevenção ao suicídio, o setembro amarelo, uma história perturbadora





