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Rachel de Queiroz, primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras, tem uma crônica conhecida falando das delícias de ser avó: “Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu” – se desmancha a escritora cearense,concluindo: ” É, como dizem os ingleses, um ato de Deus.”
Eu tenho duas irmãs que cuidam de netos. No caso de uma delas, o neto de 12 anos vive com ela e o marido. Por infelicidade, os pais do menino morreram com uma diferença de três anos um do outro. O garoto, então, mora com os avós, ambos com mais de 70 anos. Embora exija atenção e cuidados, sem dúvida, ele é a alegria da casa.
Já a minha outra irmã ajuda a cuidar da netinha de cinco anos. Duas ou três vezes por semana, a menina chega à casa dos avós no final da tarde, depois da escolinha, e costuma dormir lá. Dá trabalho? Dá. Mas noto que minha irmã, mesmo aparentando cansaço, é só alegria quando a garotinha está por perto.
Os dois lados ganham
Dois casos para comprovar, como escreve Rachel de Queirós, que netos podem fazer bem, porque fortalecem a ligação afetiva, dão sensação de utilidade e podem melhorar até a saúde emocional dos avós. Estudos mostram que não são só os netos que ganham com o convívio, os avós também podem se beneficiar muito. Para muitas pessoas, a convivência com os netos traz alegria, movimento e um novo sentido para a rotina.
Estudos na área de gerontologia revelam que avós ativos tendem a se sentir menos solitários e mais conectados à família. O contato com crianças estimula conversas, brincadeiras, a memória e até a disposição física. Muitos idosos relatam que os netos os fazem “rejuvenescer” emocionalmente.
Troca benéfica
Além disso, os avós transmitem experiência, histórias e valores às novas gerações. Essa troca traz muitos beneficios: os netos ganham segurança emocional e os avós sentem que continuam importantes dentro da família e da sociedade.
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A convivência afetiva pode reduzir sentimentos de isolamento, tristeza e inutilidade, comuns no envelhecimento. Em alguns casos, cuidar mesmo que por pouco tempo dos netos ajuda até na autoestima e na saúde cognitiva.
Não pode abusar
Porém, é fundamental que haja equilíbrio. Os filhos não podem abusar, entregando os netos para os avós cuidarem dos pequenos por longos períodos, porque, quando os avós assumem responsabilidade excessiva — como criar os netos sozinhos, sem apoio dos pais —, o efeito pode ser o contrário: cansaço, estresse, sobrecarga física e financeira.
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O ideal é que o cuidado seja uma experiência de afeto e convivência, não uma obrigação pesada. Quando há respeito aos limites dos avós, a relação entre avós e netos costuma ser uma das mais ricas dentro da família.
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