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De Braços Dados

Por Maya Santana

Ela começou a se descolar do chão

Elza Cataldo

Foi uma decisão difícil. Seria bem recebida? O que as pessoas diriam? O que ele diria, se pudesse ainda dizer alguma coisa? Existiria algum fio de ligação entre ela e aquelas pessoas? Como não ver pela última vez um rosto que havia contemplado tanto? Aprovaria ele a sua presença? E sua mulher, suportaria sua presença?

Foi com todas as dúvidas do mundo e uma única certeza que ela comunicou para as irmãs que iria ao velório do seu ex-marido. Sem uma palavra de aprovação ou desaprovação, elas se uniram em torno dela.

Sua chegada ao velório foi perturbadora. As irmãs, prevenidas, se apresentaram de braços dados. Como se um batalhão de mulheres ancestrais, todas morenas de nariz adunco e lindas, estivessem ali.

No momento em que a irmã chorou e foi abraçada pela família dele, as outras desfizeram aquele sólido nó invisível. Ela olhou o corpo outrora tão amado e começou a se descolar do chão. As irmãs ainda tentaram segurá-la, em vão. Ela sobrevou a sala florida e, sem se despedir, sumiu no horizonte. Desde então, as outras irmãs permanecem de braços dados.

*Cineasta e escritora

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1 Comentários

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lisa Santana 1 de janeiro de 2013 - 20:36

Que lindo, Elza! Murilo Rubião ataca novamente!…rs. Bjs.

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