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A demência é um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, cresce também o número de pessoas afetadas por doenças que comprometem a memória, o raciocínio e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. O dado mais preocupante, revelado por um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com mais de cinco mil idosos, é que quatro em cada cinco brasileiros com demência não sabem que sofrem da doença.
Há diversos motivos que levam as pessoas a ignorarem a demência. Muitas famílias acreditam que os esquecimentos frequentes são uma consequência natural da idade. Frases como “isso é coisa da velhice” acabam retardando a busca por ajuda médica. No entanto, embora algumas mudanças cognitivas sejam comuns com o envelhecimento, a perda progressiva da memória não deve ser considerada normal.
Diagnóstico precoce é fundamental
A demência não é uma doença única, mas um conjunto de sintomas causados por diferentes enfermidades. A mais conhecida delas é a doença de Alzheimer, responsável pela maioria dos casos. Existem ainda outras formas de demência, como a vascular, a frontotemporal e a associada ao Parkinson.
O diagnóstico precoce é fundamental para melhorar a qualidade de vida do paciente. Embora muitas formas de demência ainda não tenham cura, os tratamentos disponíveis podem retardar a progressão dos sintomas e ajudar a preservar a autonomia por mais tempo.
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Quando a doença é identificada nas fases iniciais, o idoso pode participar ativamente das decisões sobre sua saúde, seu patrimônio e seu futuro. Além disso, a família tem mais tempo para se preparar e organizar os cuidados necessários.
Medo de receber o diagnóstico
Os sinais de alerta incluem esquecimentos frequentes, dificuldade para encontrar palavras, desorientação em locais conhecidos, alterações de comportamento, problemas para administrar finanças e perda da capacidade de realizar tarefas habituais.
O estigma também contribui para o subdiagnóstico. Muitas pessoas têm medo de receber o diagnóstico e preferem ignorar os sintomas. Em alguns casos, a própria família evita procurar avaliação especializada por receio das consequências emocionais da confirmação da doença.
Outro problema é a dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Em muitas regiões do Brasil faltam neurologistas, geriatras e centros especializados capazes de realizar avaliações detalhadas da função cognitiva.
Número da casos está aumentando
O aumento da expectativa de vida torna o tema ainda mais urgente. O Brasil está envelhecendo rapidamente e o número de pessoas com demência, estudos mostram, só cresce. Isso exigirá investimentos em diagnóstico, tratamento, capacitação de profissionais e apoio aos cuidadores.
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A conscientização da população é uma das principais ferramentas para enfrentar o problema. Quanto mais as pessoas conhecerem os sinais da doença, maiores serão as chances de identificar os casos precocemente. A demência não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. Trata-se de uma questão de saúde que merece atenção, acompanhamento e tratamento adequado.
Reconhecer os sintomas e buscar ajuda especializada pode fazer uma enorme diferença na vida do idoso e de sua família. Diante de uma realidade em que a maioria dos casos permanece sem diagnóstico, informar-se é o primeiro passo para garantir mais dignidade, cuidado e qualidade de vida na velhice.
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