De doméstica em SP a líder comunitária em Londres

Por Maya Santana
Rosa Gonçalves tem três filhos

Rosa Gonçalves, 57, chegou a Londres com 21 anos

A história de Rosa Gonçalves, 57, se parece com a de tantas brasileiras que deixaram – e ainda deixam – o Brasil e vão morar em algum outro país, em busca de uma vida menos sofrida do que a que levam aqui. A diferença é que Rosa, vivendo na Inglaterra há mais de três décadas, com três filhos de dois casamentos, integrou-se de tal maneira ao país que tornou-se líder comunitária e empresária em Londres.

Leia o artigo publicado no site da BBC Brasil:

O trabalho de Rosa Gonçalves como empregada doméstica em Santos (SP) no fim dos anos 70 era embalado pelos hits que saíam de um radinho de pilha, apoiado na janela da cozinha. Um dia, perguntou para a patroa o que significava “She’s my girl”, nome da música de Morris Albert que fazia parte da trilha sonora da novela Anjo Mau, em 1976. “Ela é minha namorada”, foi a resposta.

“Ah, um dia eu vou aprender a falar inglês”, disse Rosa. “Imagina, inglês é para gente estudada. Você nunca vai aprender inglês”, cortou a patroa. Rosa solta um gargalhada ao contar a história, em sua casa em Londres. Na cidade onde mora desde 1978, ela virou liderança comunitária e empresária social.

Rosa mais jovem, com dois de seus três filhos

Rosa mais jovem, com dois de seus três filhos

“Olha onde eu vim parar. E falo inglês melhor que muitos no Brasil hoje em dia”. O relato de sua vida foi registrado neste ano pelo Clique Brasiliance, um projeto de valorização da história da comunidade brasileira em Londres que colheu depoimentos de onze pessoas que emigraram do Brasil entre os anos 60 e 80.

Rosa cresceu em Amparo, no interior de São Paulo. Ela conta que aos seis anos foi treinada para ser empregada. “Porque até aí eu sabia fazer o trabalho em casa, mas não na casa dos outros”, diz. Nesse dia, cozinhou e serviu seu primeiro almoço – matou uma galinha, cortou-a em pedaços e refogou com chuchu.

Depois disso, passou anos se revezando entre o trabalho na roça e como doméstica. Aos 18, foi trabalhar para uma família em Santos. A jornada era quase ininterrupta – havia um dia de folga, às vezes apenas uma tarde, por semana. Em uma ocasião, as crianças a chamaram de “King Kong”, imitando gestos de macaco. “Quando me levantei para sair correndo atrás delas, foram chamar um tio, que quis me bater”, conta ela.

Cerca de dois anos depois, em 1978, ela foi convidada por outra família a se mudar para Londres, onde trabalharia como empregada por dois anos. Mesmo diante do desafio de emigrar para um país totalmente diferente e distante, Rosa achou que era a chance de “andar para a frente”.
O início foi muito difícil, mas ela não teve vontade de voltar.

“Quando eu cheguei aqui eu chorei por seis meses. Uma dor tão grande. Escrevia carta todos os dias. Não mandava todos os dias, então as cartas iam todas numeradas. Mas eu achava que se eu voltasse a vida podia ser pior”, contou. Clique aqui para ler mais.


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1 Comentários

joana darc batista 5 de março de 2016 - 21:57

exemplo de superaçao ,e no que eu puder ajudar para fazer o intercambio que a rosa quer fazer ,vou ajudar ,gostaria que entrase em contato comigo ,parabens rosa

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