
50emais
Uma decisão tomada pelo Senado pode representar um importante avanço na proteção da população brasileira contra o herpes-zóster, doença que se torna mais frequente e preocupante à medida que envelhecemos.
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou por unanimidade, no dia 1º de setembro, o Projeto de Lei 4.426/2025, que prevê a inclusão da vacina contra o herpes-zóster no calendário nacional de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS).
A aprovação na CAS, entretanto, ainda não significa que a vacina já esteja sendo oferecida gratuitamente nos postos de saúde. O texto aprovado terá de passar por um turno suplementar na própria comissão antes de avançar na tramitação. Se não houver pedido para que a matéria seja analisada pelo Plenário do Senado, a proposta poderá seguir para a Câmara dos Deputados.
Pelo texto aprovado, a vacinação deverá ser oferecida gratuitamente às pessoas com mais de 50 anos. Também estão incluídos adultos a partir dos 18 anos que tenham imunossupressão ou outras condições clínicas que comprometam o sistema imunológico. É uma mudança importante, principalmente diante do rápido envelhecimento da população brasileira.
Doença provoca dor intensa
O herpes-zóster é provocado pelo mesmo vírus responsável pela catapora, o varicela-zóster. Depois da primeira infecção, geralmente na infância, o vírus permanece adormecido no organismo e pode voltar a se manifestar muitos anos depois.
O risco de reativação aumenta com o envelhecimento e também entre pessoas cujo sistema imunológico está comprometido. A doença costuma provocar dor, ardência, formigamento e coceira, seguidos pelo aparecimento de lesões e bolhas na pele. Em alguns casos, as consequências podem ser muito sérias.
Leia também: SUS dá início a processo para oferecer vacina contra herpes-zóster em sua rede
Uma das complicações mais conhecidas é a neuralgia pós-herpética, uma dor intensa que pode permanecer durante meses ou até anos depois que as lesões desaparecem. Quando o vírus atinge determinadas regiões do corpo, especialmente próximas aos olhos, também pode provocar complicações graves.
Evita sofrimento e complicações graves
Por isso, a vacinação representa mais do que a prevenção de uma doença de pele. Ela é uma estratégia para evitar sofrimento, complicações e perda de qualidade de vida, especialmente entre pessoas mais velhas.
A discussão ganha ainda mais relevância porque o Brasil está envelhecendo rapidamente. Quanto maior o número de pessoas que chegam aos 60, 70, 80 anos e além, maior a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção das doenças que se tornam mais comuns nessa fase da vida.
Leia também: Cuidado com a herpes-zóster, causa dor lancinante e afeta sobretudo maiores de 50
Atualmente, a vacina contra o herpes-zóster está disponível na rede privada, mas o preço dificulta o acesso de grande parte da população. A vacina é aplicada em duas doses de cerca de 800 reais cada uma.
Política pública de prevenção
Levar a imunização para o SUS significa, portanto, enfrentar também uma questão de desigualdade. Uma vacina eficaz não cumpre plenamente sua função de saúde pública se estiver acessível apenas a quem pode pagar.
Para quem tem mais de 50 anos, a notícia merece atenção. A aprovação do projeto abre caminho para que uma vacina hoje inacessível para muitos brasileiros possa se transformar em uma política pública de prevenção.
Leia também: Vacina contra herpes-zóster pode proteger o cérebro e reduzir risco de demência





