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Ela vive torturada por ter posto os pais num asilo

Por Maya Santana
Fiona Phillips com a mãe, Margaret, que ela colocou no asilo com menos de 70 anos

Fiona Phillips com a mãe, que ela colocou no asilo com menos de 70 anos

Essa é uma daquelas histórias tristes sobre um tema do qual pouco se fala: colocar os pais num asilo. Foi o que fez a apresentadora de TV britânica Fiona Phillips, quando ambos passaram a sofrer de Alzheimer. Neste texto publicado pela BBC Brasil, a apresentadora fala do remorso que a acompanha até hoje: “Ainda acordo de noite com a culpa de ter deixado a minha mãe lá, enquanto ela implorava: ‘Mas eu sou sua mãe…”.

Leia:

A apresentadora britânica Fiona Phillips reflete sobre a difícil decisão de colocar seus pais num asilo quando ambos foram diagnosticados com demência: “Atualmente, mais de 433 mil pessoas vivem em asilos no Reino Unido. Isso significa, pelo que indica uma pesquisa, que centenas de milhares de parentes no país tiveram que tomar uma das decisões mais difíceis de suas vidas.

Segundo este estudo, optar por internar um pai ou uma mãe em um asilo é um dos momentos mais estressantes pelo qual alguém pode passar na vida, mais do que comprar uma casa ou mesmo se divorciar.

Com o pai, Neville, também com Alzheimer e também deixado no asilo

Com o pai, Neville, também com Alzheimer e também deixado no asilo

Colocar alguém que amamos sob os cuidados de estranhos é como dizer “desisto” ou “não posso cuidar de você”. Ao menos, é como alguém se sente quando sai porta afora e deixa para trás o marido que ama e com quem viveu por décadas, ou a mãe que criou você com muito amor e cuidou de cada ferimento físico ou emocional que você já teve.

Há algumas semanas, o papa Francisco disse algo que trouxe de volta toda a culpa que senti ao colocar minha mãe em um asilo. Em uma missa especial para homenagear avós, ele afirmou que uma sociedade que não cuida de seus idosos ‘não tem futuro’.

Ele alertou contra a cultura ‘venenosa’ de abandoná-los em asilos, onde “normalmente sofrem com a negligência, o medo e a solidão”. Até 80% das pessoas que vivem em asilos sofrem de Mal de Alzheimer ou alguma outra forma de demência. É uma condição deplorável, pouco compreendida e cruel pela qual vi meus dois pais passarem.

Nunca esquecerei do dia que deixei minha mãe em um asilo – com quase 70 anos, ela era uma das mais jovens entre os que viviam lá. Ainda acordo de noite com a culpa de deixá-la enquanto ela implorava: ‘Mas eu sou sua mãe…’. Clique aqui para ler mais.

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10 Comentários

EVELINE BOUTEILLER 6 de janeiro de 2018 - 18:44

É muito fácil dizer que NUNCa se vai deixar um pai ou uma mãe no asilo. Estou na seguinte situação: não posso cuidar da minha mãe e não tenho recursos financeiros para que ela fique em sua casa. Por incrível que pareça, colocar numa casa de repouso sai mais barato do que mantê-la em casa com cuidadores. E então esta é a solução, por mais que doa.

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Fran Dornellas 6 de janeiro de 2018 - 12:22

Meu Deus que triste, eu jamais pensei em colocar minha mãe ainda que adotiva mas minha própria mãe,ela viveu seus 86anos, nos últimos 5 anos com auzaimer deu trabalho deu sim, mas e eu não dei trabalho pra ela? .Ela me limpou, ela me alimentou , ela me ensinou andar e tudo que eu sou hoje devo a ela. Não é justo abandonar se ela tivesse me abandonado eu não estaria aqui agora dando esse depoimento. .Beijos byFran Dornellas

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Lucia 15 de novembro de 2017 - 00:06

Não é o caso de falar em minha mãe, que com quase 90 anos é lúcida e saudável e mora com uma filha e netos. Ela jamais aceitaria um asilo. Mas com 64 anos, com 4 filhos, meu desejo é jamais morar com qualquer um deles. Adoro meus filhos, noras, genros e netos. Sou amada por eles, mas sempre fui muito independente e entendo, que quando não puder mais viver sosinha, o meu melhor lugar será uma casa de repouso, não gosto da palavra asilo. Quero viver com pessoas que tenham uma história de vida para compartilhar. E com tantos filhos, por certo receberia muitas visitas, talvez me levem para passear, fazer algumas viagens, passar pequenos períodos com um ou com outro. Mas, para morar, quero meu espaço junto com pessoas da minha idade, de preferência cuidados por profissionais habilitados, e certo conforto conforne venho me proporcionando.

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Geane Negreiros 16 de novembro de 2017 - 10:33

Penso assim também. A questão é mudar este conceito de “asilo”. Trabalho com novo conceito “cohousing”.pessoas que têm mesmo pensamento e afinidades quanto ao envelhecer, e se preparam para morarem juntas, embora em casas separadas respeitando a individualidade de cada um e suas limitações, mas que se ajudam dando mais qualidade à nossa “velhice”. Na minha velhice morar com um filho meu pensó que será muito pior se eu me tornar um peso…

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Norma Fernandes 16 de novembro de 2017 - 15:33

Geane boa tarde, ultimamente estou lendo muitas matérias sobre “cohousing” mas apenas lendo, em São Paulo, vai ter algo parecido ? Obrigada.

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regina 18 de dezembro de 2014 - 20:51

Eu sei que é muito complicado cuidar dos pais assim…mas, NÓS TEMOS OBRIGAÇÃO DE CUIDAR DELES…com o mesmo amor com que cuidaram de nós…meu pai teve alzheimer, minha mãe cuidou dele até o fim. Como a moça que auxiliava a minha mãe não vinha em finais de semana, nós nos revezávamos (éramos 4 filhas) uma para cada final de semana. Foi assim até a morte dele. Como minha mãe não queria morar só…passou a morar uma temporada com cada filha…deu certo! Faleceu com 91 anos…forte, disposta, se vestia, tomava banho e se alimentava só. Coração fraquejou…

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Genoveva 18 de dezembro de 2014 - 09:57

Penso que essa é a realidade que viremos, pois nos dias de hoje os nucleos familiares não são mais como antigamente; todos trabalham fora, familias com menos filhos e pessoas que não tem filhos e moram sozinhas (minha realidade faz 30 anos). Precisamos que nossas politicas publicas invistam em exemplos como o da reportagem publicada nesse Blog (Surge primeiro condominio…), financiamento publico para adaptação das casas de familias de baixa renda, onde moram idosos, junto aos seus familiares (precisei fazer isso na casa de meus pais, que são cuidados por minha irmã no Interior de MInas) e um pouco mais além, capacitar pessoas (com perfil para isso) para trabalhar com cuidados paliativos em Abrigos/Asilos/Moradias Especiais e que fossem assistidas por Equipes de Saude do SUS.
É claro que estou falando de uma parcela da população que não tem condições de arcar com despesas particulares. Sou profissional da Saude Publica aposentada recentemente e filha de pais com Demencia e Alzheimer e digo sem culpa nenhuma, que cuidar de meu pai é algo da ordem do insuportável (Demencia), muito mais dificil que de minha mãe (Alzheimer) e não sei até quando essa situação será bem administrada por meus familiares, principalmente por minha irmã cacula, separada e que mora em anexo/pavimento superior, junto aos mesmos. AH! Também trabalho com idosos ainda saudaveis, mas muitos moram sozinhos e temem ter que residir num Asilo… e eu também procuro me preparar para esse meu futuro, apesar de ter boa saude e excelente convivencia com meus vizinhos e amigos, onde procuro criar laços afetivos.
Genoveva

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Antonio f reis 17 de dezembro de 2014 - 12:17

Realmente lidar com este tipo de problema nao é fácil , muito delicado e triste.

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Rosangela 17 de dezembro de 2014 - 07:02

Nunca comento post, mas neste me sinto tentada a comentar, tenho 57 anos e sempre penso que será melhor ficar em um asilo, lógico que desejo ter a visita dos meus filhos, netos etc… mas acho que hoje as mulheres precisam trabalhar fora e com isso não conseguimos cuidar de nossos pais como antes se cuidavam, hoje fico 11 horas fora de casa trabalho fora, como conseguiria cuidar de meus pais, sei que parece cruel minha mãe tem 80 e meu pai 86, moram em São Paulo e eu no interior de São Paulo, não tenho como parar de trabalhar e cuidar deles e acredito que esta seja a situação de 99% das pessoas. Amo-os muito, mas não conseguiria cuidar deles em tempo integral!

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Regina 6 de janeiro de 2018 - 11:54

Parabéns, Rosangela!
Seu relato é muito verdadeiro!
É preciso parar com a ideia preconceituosa de que colocar os pais em abrigo é o mesmo que abandonar. Não é!
Se os filhos e os netos continuarem a visitar, dar carinho e atenção, todos ficarão mais aliviados porque os pais estarão recebendo os cuidados d que necessutam.

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