Delaíde Arantes, de doméstica a ministra do TST

Por Maya Santana
Delaíde Miranda Arantes, 58 anos, nascida em Goiás

A nova ministra, de 58 anos, nasceu em Pontalina, cidade goiana

O gabinete da mais nova ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Miranda Arantes, teria tudo para ser apenas mais uma suntuosa sala de trabalho do primeiro escalão do Judiciário não fossem duas pequenas fotos em preto e branco que decoram a mesa de trabalho da magistrada. Diminutas quando colocadas naquele amplo cenário de 70 metros quadrados com uma vista privilegiada do Lago Paranoá, as fotografias destoam da pompa que as cerca não pela simples moldura de madeira, mas sim pelo que retratam: duas dessas casinhas simplórias do interior rural brasileiro, pintadas com cal, com duas janelas e uma porta. As duas estão postadas sobre a longa mesa onde Delaíde dá expediente desde o dia 24 de março e dividem espaço com computadores de última geração, estantes repletas de obras de encadernação luxuosa e com móveis modernos que dão um ar sobriamente requintado ao gabinete.

As duas fotografias de cerca de 15 centímetros foram os únicos artigos pessoais que Delaíde levou para o gabinete. “Essas fotos são muito importantes para mim”, diz a ministra. “Foi nessas casas que passei minha infância, uma infância dura que me preparou para enfrentar todos os desafios que me fizeram chegar até aqui. Foi lá que comecei minha história.”

A ministra Delaíde M Arantes2

Em um país onde a inércia social sempre foi regra, Delaíde tem razão em orgulhar-se das duas pequenas casas que representam a epopeia que fez essa goiana de 58 anos abandonar a dura realidade do Brasil rural da década de 50 para alcançar um dos maiores postos do Judiciário brasileiro. Delaíde nasceu em uma delas, na pequena cidade de Pontalina, a 120 quilômetros da capital Goiânia. Filha de pequenos agricultores, passou a infância entre a diversão nas jabuticabeiras do sítio e a lida nas pequenas lavouras de feijão, arroz e milho que sustentaram sua família por décadas. “Aos 8 anos eu já ajudava meu pai na roça”, conta Delaíde.

Aos 16 anos, a ministra enfrentou o dilema que até hoje divide famílias rurais Brasil afora: continuar no campo trabalhando a terra pouco produtiva ou seguir para a cidade em busca de emprego para dar continuidade aos estudos. Optou por ser empregada doméstica a fim de conseguir estadia, comida e algum dinheiro para poder concluir o segundo grau. Por dois anos dividiu os cadernos com o escovão de aço, o ferro de passar roupa e a incômoda situação de saber ser explorada. Mesmo trabalhando as regulamentares oito horas diárias não recebia nem o equivalente ao salário mínimo. “Eu nem ao menos me lembro quanto era, mas só sei que era pouco, muito pouco.” Leia mais em istoe.com.br


CONTEÚDO PUBLICITÁRIO

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais