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Envelhecer não significa deixar de desejar, de se apaixonar ou de sentir prazer. A sexualidade acompanha o ser humano ao longo de toda a vida e não tem idade para acabar. Homens e mulheres mais velhos continuam tendo desejos sexuais, fantasias, necessidades de afeto e vontade de viver relacionamentos íntimos. Isso é absolutamente normal.
O que muda com o passar dos anos é que o corpo pode responder de maneira diferente. Alterações hormonais, doenças, medicamentos, menopausa, mudanças na ereção ou na lubrificação podem interferir na vida sexual. Mas nenhuma dessas transformações significa necessariamente o fim do desejo.
Para muitas pessoas, inclusive, a sexualidade na maturidade pode ganhar novos significados. Há menos preocupação com gravidez, maior conhecimento do próprio corpo e, em alguns casos, mais liberdade para dizer o que se deseja e o que não se deseja. Então, por que ainda existe tanto preconceito?
Preconceito de idade
Uma das razões é que a sociedade costuma associar sexualidade à juventude. Propagandas, filmes, redes sociais e padrões de beleza apresentam o desejo sexual como algo relacionado a corpos jovens, bonitos e considerados atraentes. Quando uma pessoa idosa demonstra interesse sexual, o comportamento ainda pode ser tratado como estranho, engraçado ou inadequado. É uma forma de preconceito etário — o chamado etarismo, ou preconceito de idade.
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Existe também uma ideia equivocada de que pessoas mais velhas deveriam abandonar o desejo e assumir um papel exclusivamente de avós, pais ou cuidadores. Como se, depois de determinada idade, não houvesse mais espaço para paixão, namoro, intimidade ou prazer. Esse preconceito é particularmente cruel com as mulheres.
Durante muito tempo, a sociedade aceitou com mais facilidade a ideia de que homens idosos poderiam ter uma vida sexual ativa. Já mulheres mais velhas foram ensinadas a esconder o desejo, especialmente depois da menopausa. Uma mulher madura que se veste de determinada maneira, paquera ou começa um novo relacionamento pode ser julgada de forma muito mais severa do que um homem da mesma idade.
Respeito e liberdade
Mas envelhecer não apaga a identidade de ninguém. Uma mulher de 60, 70 ou 80 anos continua sendo mulher. Um homem de 70 ou 80 anos continua tendo sentimentos, desejos e necessidade de intimidade. A idade não transforma pessoas em seres assexuados.
Também é importante separar sexualidade de desempenho. A vida sexual na velhice não precisa reproduzir os padrões da juventude. Intimidade pode envolver beijo, carinho, toque, abraço, sensualidade, masturbação, relação sexual e muitas outras formas de prazer.
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O mais importante é que exista consentimento, respeito, segurança e liberdade para que cada pessoa decida como quer viver sua própria sexualidade. Negar a sexualidade dos mais velhos também pode contribuir para a solidão. Um novo amor, uma relação afetiva ou simplesmente a possibilidade de viver a intimidade podem trazer companheirismo, autoestima, prazer e sensação de pertencimento.
Preconceito precisa acabar
É preciso, portanto, mudar a maneira como enxergamos a velhice. Uma sociedade que está envelhecendo precisa entender que longevidade não significa apenas acrescentar anos à vida. Significa também garantir que esses anos possam ser vividos com autonomia, afeto, dignidade e prazer.
O desejo não envelhece da mesma maneira que o corpo. Ele pode mudar, assumir outras formas e até diminuir em determinadas fases, mas não desaparece simplesmente porque alguém completou 60, 70 ou 80 anos.
O preconceito, sim, precisa envelhecer e desaparecer.
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