
Maya Santana
50emais
A Unimed-BH obrigou meu irmão cadeirante , prestes a completar 81 anos, a tomar táxi para voltar para casa, debaixo de chuva forte, após ele ser diagnosticado com princípio de pneumonia.
Foi um dia atípico e de muita apreensão. Logo de manhã, a cuidadora nos alertou que nosso irmão não estava passando bem. Amanheceu totalmente prostrado, com dificuldade para falar.
Solicitamos uma ambulância à Unimed-BH, que não demorou a chegar. Pouco tempo depois, estávamos a caminho de um dos hospitais mantidos em Belo Horizonte pelo plano de saúde.
Tivemos um atendimento nota 7, numa escala de zero a dez. Duas coisas me deixaram aturdida. A primeira: a médica pediu um eletrocardiograma, uma vez que meu irmão toma uma série de medicamentos para o coração.
Como as horas passavam e ninguém vinha fazer o eletro, fui até a enfermeira e perguntei por que demorava tanto. Descobri, através dela, que o hospital ou Centro de Promoção da Saúde, como é chamado, tem apenas um aparelho para fazer eletrocardiograma, embora atenda dezenas, talvez centenas, de pessoas diariamente.
Mas o que me deixou realmente sem entender a lógica de quem formulou a política de atendimento da Unimed-BH foi o seguinte: por volta das 19h veio a médica, muito atenciosa, e assinou a alta. Antes de se despedir, deu uma série de recomendações. Quando perguntei como deveria solicitar a ambulância para trazer o paciente de volta para casa, ela disse, talvez constrangida, pois sabia da fragilidade da saúde do meu irmão e do fato dele ser cadeirante, que eu deveria conversar com as enfermeiras.
Não precisou conversar muito para em entender. A Unimed pega o paciente em casa, mas não leva o paciente de volta para casa, independentemente do estado de saúde ou da idade. Não adianta implorar.
Sem alternativa, decidimos chamar um táxi. Chovia a cântaros. E eu temia que, tendo recebido o diagnóstico de início de pneumonia, ele molhasse os pés, na operação de traslado da cadeira de rodas para o banco da frente do táxi. Foi exatamente o que aconteceu.
Se é política da Unimed-BH não voltar com o paciente para casa, mesmo que ele esteja mal de saúde, que ofereça ao acompanhante alternativa: por exemplo, uma empresa particular que trabalhe com transporte de pacientes em ambulâncias. Não, preferiram nos deixar na chuva.
Em 2030, portanto em menos de cinco anos, o Brasil será o quinto país com população mais velha do mundo. Um quarto da população brasileira já tem mais de 50 anos. E Minas Gerais é o terceiro estado mais envelhecido do país, depois do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.
Ciente disso, a Unimed-BH precisa urgentemente mudar sua política de atendimento aos seus usuários, levando em conta esse enorme crescimento do número de idosos que, por sinal, são os que pagam os planos de saúde mais caros. O mínimo que merecem é ser tratados com mais respeito e dignidade!
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