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Dois cães tornam-se símbolos de tragédias que abalaram o mundo

Por Maya Santana

A cadela Nina sendo resgatada da lama por um bombeiro, na tragédia de Mariana, MG

A cadela Nina sendo resgatada da lama por um bombeiro, na tragédia de Mariana, MG

Déa Januzzi –

Dois símbolos de resistência a tragédias que abalaram o mundo nestes últimos dias: em Minas, uma cadela de nome Nina foi resgatada por um bombeiro no meio da lama que varreu o município de Bento Rodrigues, em Mariana. Depois do rompimento de uma barragem da Samarco – empresa pertencente a duas gigantes, a Vale e a australiana PHP Biliton – no maior acidente ambiental já ocorrido no Brasil –, o cão ficou preso entre os resíduos e ressurgiu do mar de lama ainda vivo.

A mesma sorte não teve Diesel, a cadela que foi exterminada com um tiro na luta contra os terroristas que atacaram Saint Denis, ao norte de Paris. No Twitter, as autoridades policiais informaram que Diesel, da raça pastor belga, de 7 anos, que integrava a unidade antiterrorista, morreu durante o tiroteio com a mulher que acabou por se fazer explodir em frente aos agentes que tentavam detê-la. De acordo com o jornal britânico “Daily Mail”, o cachorro vasculhava o edifício para tentar encontrar armadilhas com explosivos.

Depois do anúncio da polícia, internautas começaram a prestar homenagem a Diesel com a utilização da hashtag #JeSuisChien (Eu sou um cão), que tornou-se viral na internet. Várias pessoas publicaram imagens dos próprios cães nas redes sociais, em nome de Diesel. Um agente da polícia francesa lamentou a morte do cão, que comparou à de qualquer outro colega das forças de segurança.

Enquanto os dois cães passavam a heróis no cenário mundial, a artista plástica Juçara Costa, de 63 anos, fazia um ritual para o seu cão Júnior que acabara de morrer de um problema do coração, aos 11 anos. Uma prova de amor silenciosa. No cemitério de cães em Betim, na RMBH, a própria Juçara pegou a pá para enterrar o animal.

A cadela Diesel, da raça pastor belga, foi abatida por um tiro dos terroristas

A cadela Diesel, da raça pastor belga, foi abatida numa troca de tiro com os terroristas

Antes, foi buscá-lo na clínica veterinária onde havia sido constatada a morte de Júnior. O cão todo enrolado foi entregue a Juçara, que pediu para que o desembrulhassem porque ele não era um pacote. As funcionárias disseram que ele estava morto, mas Juçara fez questão de cobri-lo com uma manta feita por ela mesma. Era como um eterno abraço no cão que fez parte de sua vida durante 11 anos. Ela levou o cão no colo até o cemitério, conversou com ele, despediu-se, o reverenciou com música, voltou para casa, onde outros dois cães velhinhos a esperavam.

É preciso dizer que os cães hoje invadiram casas, apartamentos, quitinetes, barracos. Todo lugar tem um cão, que praticamente faz parte da família. Eu mesma tenho a Frida, uma Lhasa Apso, de 10 anos, que neste momento repousa aos pés da cadeira enquanto escrevo.

Os cães têm um lugar tão importante na vida familiar que outro dia, a autora deste blog, a jornalista Maya Santana, estremeceu. Moveu céus e terras, apelou para as redes sociais, São Francisco, São Longuinho para achar a cachorra Laika que fugiu de madrugada da casa da família dela em Santa Luzia, sem ninguém ver. Laika tem 12 anos e era um dos mimos de Dona Clara, mãe de 12 filhos e dos amigos agregados que adoravam a sua companhia. Mas dona Clara partiu em 2008 e quando Laika sumiu em certa madrugada, todos se desesperaram como se tivessem perdido o último elo com a mãe.

Quem gosta de cachorro sabe muito bem do calor afetivo e do conforto que essa presença amiga proporciona. Mas talvez não saiba que ter um cão pode ajudar até na saúde do coração. É o que sugerem pesquisas realizadas pela Universidade de Harvard. Elas mostram que os donos de cães têm pressão arterial mais baixa dos que não possuem animais de estimação. O toque também tem um efeito que reduz a pressão arterial. Brincar e acariciar um cão é um santo remédio.

Cães foram adotados pelo  Lar de Idosos Viva Mais, em Santa Catarina para dar alegria às internadas

Cães foram adotados pelo Lar de Idosos Viva Mais, em Santa Catarina, para dar alegria às velhas

Os benefícios emocionais são incontáveis. Os proprietários de cães são menos propensos a crises de solidão, ansiedade e depressão. Percebendo os benefícios saudáveis na relação com cães, é que o Lar de Idosos Viva Mais, em Santa Catarina, partiu para uma experiência inédita.

Dá para imaginar velhos abrigados sempre à espera de uma visita que nunca chega? E dos animais velhinhos e abandonados à espera de quem queira adotá-los? Pois o Lar de Idosos Viva Mais, em parceria com o Canil Abrigo Animal adotou duas cachorras idosas para viver no asilo com as internas.

Mel e Mimosa fazem companhia para as velhas senhoras. As cachorras garantem ocupação para as internas, pois elas mesmas cuidam dos animais. A cada dia, uma delas é responsável pela água, alimentação e escovação dos pêlos. As internas estão muito mais animadas e não mostram mais sinais de solidão. As cachorras, enfim, puderam ser adotadas por pessoas que não ligam para a idade delas. As velhas senhoras e as cachorras não estão mais sós. São companheiras de todas as horas, compartilhando ternura e sabedoria próprias da idade.

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