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Artrose: a doença articular mais frequente nos acima de 50 anos

Por Maya Santana

Os joelhos, assim como as mãos, os punho, os ombros, os cotovelos, são as partes do corpo mais afetadas

Joelhos, assim como mãos, punhos, ombros, cotovelos, estão entre as áreas mais afetadas

Dr. Márcio de Sá*

O envelhecimento, por mais que o rejeitemos, psíquica e fisicamente, é uma etapa natural da vida, dentre as tantas que nos caracterizam e definem, assim como todos os seres vivos.

O envelhecer é um processa de degeneração inexorável do corpo e da mente, cada vez mais evidente e intenso, à medida que avançamos em idade.

Entretanto, muito se pode e se deve fazer para retardar os seus efeitos e os seus impactos na qualidade de vida das pessoas com mais de 50 anos.

O acometimento das articulações durante o envelhecer, que provoca o mau funcionamento motor de determinadas partes do corpo, pode causar incomodo, dor, rigidez e invalidez, de graus variados.

As articulações são conexões naturais do corpo existentes entre dois ou mais ossos. Algumas são revestidas de cartilagem e incluem bolsas de liquido lubrificante. O corpo humano é composto por centenas de articulações.

Artrose – ou artrite degenerativa, osteoartrite ou, ainda, doença degenerativa das articulações é um mal crônico, caracterizado pela degeneração da cartilagem e dos ossos próximos, que pode causar incomodo, dor, rigidez, redução do funcionamento e invalidez.

A artrose é o problema o mais comum das articulações em ambos os sexos, a partir dos 40 anos. O seu surgimento é, em geral, lento e insidioso.

Ela atinge principalmente as mãos, os punho, os ombros, os cotovelos, os joelhos, a bacia (quadril), a coluna vertebral e os pés e pode ir se tornando, com o passar dos anos, mais grave e mais invalidante.

É uma das perturbações articulares mais frequentes em todas as populações humanas e aflige especialmente trabalhadores braçais, diabéticos, obesos e pessoas sedentárias. A artrose acomete cerca de 20% dos brasileiros.

A causa mais comum está relacionada com uso excessivo (¿¿¿), o qual provoca lesões da cartilagem das articulações. Defeitos genéticos e congênitos também podem ser causas, especialmente em jovens.

A artrose acomete cerca de 20% dos brasileiros

A artrose acomete cerca de 20% dos brasileiros

Nessa doença ocorre o desgaste progressivo da cartilagem das “juntas” (articulações) e uma alteração óssea, os chamados “bicos de papagaio” (osteófitos) podem surgir.

O diagnóstico da artrose é essencialmente clínico. Radiografias e outros exames de imagem das articulações atingidas, como a ressonância magnética, por exemplo, assim com exames de sangue específicos, podem ser solicitados, para completar e confirmar tecnologicamente o diagnóstico.

A sintomatologia mais típica num quadro de artrose bem estabelecido é o enrijecimento das articulações ao se levantar da cama de manhã. Com o passar das horas, com os movimentos das juntas, elas vão “desenferrujando” e a dor vai diminuindo. No início da doença, porém, a dor pode surgir com o movimento e desaparecer com o repouso.

Fases mais sintomáticas costumam ser seguidas por outras com regressão do quadro, mas sempre sem um desaparecimento total da sintomatologia. Não existe, infelizmente, tratamento que retarde a evolução ou reverta o processo patológico que conduz à artrose.

A abordagem terapêutica da artrose, ou seja, o seu tratamento, deve ser multidisciplinar. Médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, personal trainers devem trabalhar em conjunto para fornecer, assegurar e monitorar o melhor e o mais eficaz tratamento possível.

Devem fazer parte sistematicamente desse tratamento a realização quotidiana de exercícios físicos bem estabelecidos para o tipo de articulação acometida, a redução de peso, a fisioterapia e a medicação (basicamente, anti-inflamatórios e analgésicos).

Assim, para cada tipo de artrose existe o tratamento multidisciplinar mais adequado, o qual deve ser estabelecido por meio de um diagnóstico médico preciso.

Marilene F. é uma dona de casa de 75 anos, que sempre levou uma vida sedentária e sempre foi “gordinha”.
Por volta dos 63 anos, ela começou a perceber um “endurecimento dos dedos das mãos, mas no início era só um incômodo” e uma “certa dificuldade para andar”.

Com o passar dos anos, as dores surgiram e foram se intensificando. Dores na coluna lombar também apareceram e, quando a vi em consulta domiciliar pela primeira vez, ela queixava dor crônica em praticamente todas as articulações dos dedos de ambas as mãos, com enrijecimento matinal intenso que “ia melhorando um pouco depois que eu levantava e ia começando a fazer as coisas”. Uma lombalgia crônica e bastante dolorosa, com uma grande dificuldade para andar foi, também, diagnosticada.

Ao examiná-la, constatei um sobrepeso importante, com a marcha dificultada pelo ventre volumoso que causava uma projeção para a frente da coluna lombar (lordose) e diversas deformidades em várias falanges de quase todos os dedos das mãos.

A radiografia das mãos confirmou lesões anatômicas típicas de artrose das falanges, assim como a radiografia de toda a coluna vertebral mostrou um grande número de “bicos de papagaio” na coluna tóraco-lombar.
Um plano de tratamento em longo prazo foi proposta, e aceito:

– Consulta e acompanhamento com uma nutricionista, visando a uma importante e lenta redução, e manutenção, do peso;
– Consultas, inicialmente três vezes por semana, com um fisioterapeuta, para a prescrição e a prática de exercícios físicos para as mãos e para a coluna vertebral;

– Contratação de um personal trainer, para acompanhá-la, incentivá-la e “dar uma força” para uma caminhada cinco vezes por semana, no calçadão de Copacabana, o que até hoje D. Marilene “rala”, como ela diz, para fazer, mas “cumpro com a disciplina que minha mãe me ensinou e com a força de Deus”;

– Um tratamento com um anti-inflamatório de liberação lenta foi prescrito, em princípio por quatro meses seguidos, com um acompanhamento médico mensal.

Em minha quarta visita domiciliar, constatei, com satisfação, um emagrecimento de quatro quilos e trezentos gramas, uma redução importante das dores crônicas das mãos e da lombalgia. Encontrei uma D. Marilene alegre e animada com o seu progresso!

Num próximo artigo aqui no 50emais, escreverei sobre os problemas da coluna vertebral – cervical, torácica e lombar – e sobre as outras causas de dores articulares relacionadas com o avançar da idade.

*Márcio de Sá é médico clínico formado pela UFMG, especialista em Medicina Preventiva, Mestre em Saúde Pública pela Université Paris VI, e trabalhou durante 11 anos no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. O médico mora e trabalha no Rio de Janeiro e escreve para o 50emais todas as terças-feira. Envie sugestões de temas que você gostaria que Dr. Márcio abordasse em seus artigos.

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3 Comentários

Moisés Pedroso de Oliveira 9 de março de 2019 - 21:24

Tenho 57 anos, vivia com dores nas juntas, tenho 85 Kilos e 1,7 metros de altura, e depois que comecei a fazer 30 minutos de caminhada ,todos os dias,é também, estou tomando o chá de Sucupira, compro a semente,com 5 sementes da um litro de chá, tomo o chá por 15 dias, e paro 15 dias..depois retorno com o tratamento, e fiquei sem nem uma dor..E um Santo remédio..adeus dores nas juntas..

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Coracy Noleto 10 de junho de 2017 - 21:16

Gostaria de saber se todo de artrose é invalidante?

Responder
mara moraes 15 de dezembro de 2015 - 20:58

Depressão – causas, sintomas e traramento em pessoas acima dos 50 anos.

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