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Dores na coluna vertebral e artrite reumatóide nos acima de 50

Por Maya Santana

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Lombalgia, a segunda causa de dor mais comum em homens e mulheres

Lombalgia, a segunda causa de dor mais comum em homens e mulheres

Dr. Márcio de Sá*

Como vimos no artigo anterior, a artrose é a doença articular mais frequente nas pessoas acima de 50 anos.

Mas há dois outros importantes problemas que acometem as articulações:

– Dores da coluna vertebral;
– Artrite reumatóide.

A coluna vertebral – o conjunto vertical de articulações que sustenta o corpo humano e permite a marcha com as pernas (ao contrário dos outros seres vertebrados, que caminham sobre as patas dianteiras e as patas traseiras) – é uma região frequentemente acometida pelas dores articulares.

Ela é dividida – para fins didáticos de descrição, classificação, diagnóstico e tratamento dos problemas que a acometem – em coluna vertebral cervical, torácica e lombar.

A cervicalgia – dor na coluna cervical (no pescoço) a qual é composta por sete vértebras – costuma ser insidiosa e sem causa aparente, mas raramente se inicia de maneira súbita. Geralmente, há uma melhora quando se está em repouso e piora da dor com os movimentos.

Ela está relacionada, principalmente, com movimentos bruscos do pescoço, longa permanência em posição forçada, esforço ou trauma agudo, má postura corporal, má postura durante o trabalho, artrose, osteoporose, metástases (localizações secundárias de um câncer originário de outro órgão), alterações da articulação da mandíbula e do crânio com a coluna cervical.

Uma importante e relativamente recente causa de cervicalgia é a provocada pelo uso muito frequente, repetidamente e por longos períodos de tempo, de celulares e laptops. A flexão que provoca o ângulo formado entre o crânio e a coluna cervical durante o uso desses aparelhos é a causa da dor.

A dor é de intensidade leve a moderada, geralmente crônica, se não causada por trauma local agudo (que inclui fraturas) e pode se estender aos braços e aos ombros. Alterações da mobilidade do pescoço, fraqueza muscular (em casos mais graves) e dores nas costas completam o quadro.

O diagnóstico é clínico e deve ser confirmado por exames de imagem – radiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, de acordo com cada caso e, eventualmente, com exames de sangue – para descartar causas menos frequentes de cervicalgia.

O tratamento consiste no uso de anti-inflamatórios e analgésicos, fisioterapia, correção da postura corporal, inclusive no trabalho, prática de exercícios físicos regulares, acupuntura e uso racional de celulares e laptops.

A dor na coluna torácica (toracalgia), a qual é composta por doze vértebras, está mais comumente relacionada com alterações posturais, como a escoliose (desvio da coluna vertebral para a esquerda ou para a direita, resultando em um formato de “S” ou “C”) e a hipercifose (corcundez acentuada), que têm como causa a má postura e o condicionante físico insuficiente, além de outras determinadas doenças – a osteoporose sendo uma das principais.

Outras causas incluem disfunções mecânicas vertebrais (mau posicionamento de uma vértebra), disfunções costais (subluxação, ou seja, as superfícies de contato da vértebra e da costela estão parcialmente separadas), cervicobraquialgias (alterações de nervos provenientes do pescoço gerando dores irradiadas para o tórax).

Artrite reumatóide: muito se avançou, nos últimos tempos, no seu tratamento

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A artrose (que não é muito freqüente) e as dores irradiadas de vísceras (problemas de estômago, duodeno, fígado podem gerar dores a distância na coluna dorsal), tensões musculares, problemas reumáticos (artrites, principalmente) são igualmente causas adicionais.

As vértebras da coluna torácica se articulam umas com as outras e também com as costelas. Por esse motivo, essa região tem menos mobilidade que a região lombar e o pescoço.

O diagnóstico e o tratamento são, em geral, semelhantes – levando-se em consideração, é claro, as particularidades.

A lombalgia, ou lumbago e uma dor localizada na coluna lombar, formada por cinco vértebras e é conhecida popularmente como “dor nas costas”.

Ela é uma importante causa do mal funcionamento da coluna e um dos dois distúrbios dolorosos mais frequentes, apenas abaixo da dor de cabeça (cefaléia). Entre 60 e 90% das mulheres e dos homens sofrerão um episódio de lombalgia durante suas vidas.

O tipo mais conhecido de lombalgia é a de origem mecânico degenerativo, caracterizado por distúrbio ou alteração funcional, sendo que a dor por um problema mecânico é causada pelo encurtamento dos músculos posteriores da região lombar, os posteriores da coxa e os da perna.

As principais causas de lombalgia são: a degeneração dos discos intervertebral (uma das principais), a degeneração das facetas articulares das vértebras, as doenças sistêmicas com dor referida na região lombar, o sedentarismo, os esforços repetitivos, o excesso de peso e a obesidade, a má postura corporal e a má postura no trabalho.

A lordose lombar – projeção para a frente da coluna vertebral lombar, em geral devido a excesso de peso, com abdômen muito proeminente – é causa frequente de dor lombar crônica.

O diagnóstico é obtido como para as dores da coluna cervical e torácica e o tratamento consiste, igualmente, no uso de anti-inflamatórios e analgésicos, fisioterapia, correção da postura corporal, inclusive no trabalho, prática de exercícios físicos regulares, acupuntura.

A artrite reumatóide, também conhecida como artrite degenerativa, artrite anquilosante, poliartrite crônica evolutiva é uma doença crônica, cuja principal característica é a inflamação das articulações (juntas), embora outros órgãos também possam estar comprometidos.

É uma doença autoimune, ou seja, é uma condição em que o sistema imunológico – que normalmente defende o nosso corpo de infecções causadas por vírus, bactérias, fungos e parasitas – passa a atacar o próprio organismo (no caso, o tecido que envolve as articulações, conhecido como sinóvia).

É provável que a origem da doença seja uma alteração do sistema imunológico, que passa a agir contra proteínas próprias do organismo e localizadas nas articulações (embora possa agir também em outros locais).

A artrite reumatóide acomete cerca de 1% da população. Qualquer pessoa, desde crianças até idosos, pode desenvolver a doença. No entanto, ela é mais comum em mulheres por volta dos 50 anos.

Pessoas com história de artrite reumatóide na família têm mais risco de desenvolver a doença.

A inflamação persistente das articulações nessa doença, se não tratada de forma adequada, pode levar à destruição das juntas, o que ocasiona deformidades e limitações para o trabalho e para as atividades da vida diária.

O diagnóstico dessa doença sistêmica, que pode ser muito grave e acometer vários órgãos, é feito por meio de exames de imagens e exames específicos de sangue.

O tratamento adequado e precoce pode prevenir a ocorrência de deformidades e melhorar a qualidade de vida de quem tem a doença. Anti-inflamatórios, analgésicos e medicamentos especificamente desenvolvidos para o tratamento da artrite reumatóide, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acupuntura constituem o tratamento, por toda a vida dessa doença. Muito se avançou, nos últimos anos, no tratamento da artrite reumatóide.

É importante sempre ter em mente que exercícios físicos regulares, controle do estresse e controle do peso são a base do tratamento das dores da coluna vertebral e da artrite reumatóide.

*Márcio de Sá é médico clínico formado pela UFMG, especialista em Medicina Preventiva, Mestre em Saúde Pública pela Université Paris VI, e trabalhou durante 11 anos no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. O médico mora e trabalha no Rio de Janeiro e escreve para o 50emais todas as quintas-feiras. Envie sugestões de temas que você gostaria que Dr. Márcio abordasse em seus artigos.

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3 Comentários

Sandra Regina oliveira 23 de setembro de 2018 - 08:40

Eu ja tive 3 crises de artrite d ficar sem conseguir mexe do pescoço pra baixo iso a mais de 2 anos fui diagnosticada com artrite reumatoide soro negativa. Hoje sinto dores nas juntas do corpo todo e um inchasso das costelas do lado esquerdo não chegar a doer muito no local mais fica um desconforto e rompe o manguito rotador do ombro gostaria de saber se isso ainda tem aver com artrite tenho 46 anos e também derrame período leve

Responder
Regina MM 11 de novembro de 2018 - 11:43

Sandra que médico vc foi ? Me passa por favor sou soronegativa, muito sofrimento

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Elton 3 de abril de 2019 - 13:04

Eu estou na luta para descobrir, minhas juntas todas estralam e doem, mas a coluna dorsal perto do pescoço entre os ombros arde e dói demais todos os dias. Principalmente de manhã. Fazendo muitos e muitos exames e não dia diagnóstico, poderiam me indicar algum médico?

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